Chicago virou palco de assaltos e tiroteios diários, e é nesse caos que Bruce Willis conduz Desejo de Matar, longa que acaba de chegar à Netflix. Em 109 minutos, o ator vive um cirurgião que troca o bisturi por uma arma para caçar quem destruiu sua família.
Com direção de Eli Roth, participação de Vincent D’Onofrio e Elisabeth Shue, o thriller de 2018 expõe a fronteira tênue entre justiça e vingança. O roteiro repagina o clássico dos anos 1970 e injeta redes sociais, celulares e debates ao vivo sobre violência urbana.
Enredo: quando a tragédia bate à porta
Paul Kersey, interpretado por Bruce Willis, é especialista em trauma e evita conflitos fora do hospital. Essa postura muda quando assaltantes invadem sua casa, matam a esposa e deixam a filha em coma. A investigação avança lentamente, o que faz o personagem abraçar a vingança como única saída.
A partir daí, Desejo de Matar dispara em ritmo acelerado. O cirurgião passa a viver entre plantões exaustivos e visitas à filha inconsciente, enquanto coleciona histórias de vítimas que chegam ao pronto-socorro sem que ninguém seja responsabilizado.
O nascimento de um vigilante mascarado
A virada acontece quando um revólver cai do bolso de um paciente ligado ao crime organizado. Em vez de registrar a arma, Paul a esconde e começa a treinar em galpões vazios. O luto se transforma em rotina de tiros, e cada disparo parece anestesiar sua culpa.
O primeiro ato de justiça ocorre quase por instinto: ele reage a um assalto na rua e é filmado por um pedestre. O vídeo viraliza, e a mídia cria um apelido sombrio para o vigilante encapuzado. A partir daí, Desejo de Matar mistura manchetes, podcasts e talk shows que discutem se o atirador é herói ou assassino.
Investigação paralela pressiona o protagonista
Enquanto Paul afia suas táticas, os detetives Raines (Dean Norris) e Jackson (Kimberly Elise) tentam conectar crimes aparentemente isolados. As visitas deles ao hospital, cheias de perguntas indiretas, lembram o médico de que o cerco policial está perto.
Esse jogo de gato e rato sustenta boa parte da tensão. Cada nova pista aproxima a força da lei do cirurgião, mas também expõe brechas institucionais que permitem a expansão de justiceiros no subúrbio de Chicago.
Violência gráfica marca a assinatura de Eli Roth
Conhecido pelo terror explícito, Eli Roth não economiza em sangue. Tiros, quedas e ferimentos são mostrados em detalhes, reforçando o choque visual. O diretor alterna cenas de cirurgia, nas quais Paul salva vidas, com sequências noturnas em que ele dispara contra criminosos. O contraste entre cura e destruição salta aos olhos.
Essa escolha estética gera polêmica. Lançado em 2018, o filme chegou aos cinemas logo após uma série de ataques armados nos Estados Unidos, provocando críticas de que o roteiro glamouriza a autodefesa e ignora causas estruturais da violência.
Bruce Willis encontra personagem contido e sombrio
Depois de muitos papéis menores, Bruce Willis assume aqui um protagonista que fala pouco e observa muito. No início, o ator exibe um cansaço compatível com um médico atolado em plantões. Conforme a sede de vingança cresce, o olhar endurece, os gestos encolhem e o silêncio passa a falar mais alto do que qualquer frase de efeito.
Imagem: Imagem: Divulgação
Vincent D’Onofrio, no papel do irmão endividado, funciona como contraponto. Ele tenta puxar Paul de volta à normalidade, mas a espiral de violência já virou parte do cotidiano do cirurgião. Essa dupla dinâmica acrescenta camadas ao enredo, ainda que o foco permaneça na trajetória de transformação do protagonista.
Comparação com o clássico dos anos 1970
A nova versão troca Nova York por Chicago e o arquiteto original por um médico, refletindo a presença constante de hospitais no cotidiano urbano. Celulares, redes sociais e debates em tempo real atualizam o argumento, mas o núcleo permanece o mesmo: um cidadão comum, abalado por perda familiar, assume a lei com as próprias mãos.
Para quem viu o longa de 1974, as diferenças mais evidentes estão na estética moderna e na inserção de rádios e podcasts que reagem instantaneamente à figura do justiceiro, algo impensável na década de 70. Essa atualização ajuda a explicar o interesse renovado do público, inclusive entre assinantes da Netflix.
Pontos altos para quem busca adrenalina
Desejo de Matar entrega ação quase sem respiro. São 109 minutos pautados por perseguições, confrontos armados e dilemas morais rápidos, resolvidos quase sempre à base de chumbo quente. Ideal para quem procura um thriller direto, com narrativa linear e poucos intervalos para reflexões alongadas.
O filme também agrada quem curte ver Bruce Willis em modo implacável. Mesmo mais contido, o ator revisita a persona durona que o consagrou, mas agora com uma carga emocional mais sombria. Para a audiência do 365 Filmes, vale destacar que o longa segura a atenção do início ao fim, sendo uma opção certeira para a próxima sessão caseira.
Ficha técnica resumida
Título original: Death Wish (2018)
Título no Brasil: Desejo de Matar
Direção: Eli Roth
Elenco principal: Bruce Willis, Vincent D’Onofrio, Elisabeth Shue, Dean Norris, Kimberly Elise
Duração: 109 minutos
Gênero: Ação, crime, drama, thriller
Disponível em: Netflix
Por que Desejo de Matar continua chamando atenção?
Mesmo cercado de polêmica, o filme conversa com um sentimento recorrente de descrença nas instituições. Ao colocar um médico irrepreensível no papel de assassino vigilante, o roteiro questiona o limite entre autoproteção e barbárie. Essa ambiguidade mantém a obra viva no catálogo da plataforma de streaming.
Além disso, a combinação de ritmo acelerado, violência gráfica e discussões midiáticas sobre o justiceiro cria um pacote dificilmente ignorado por fãs de ação. Quem busca produções com tiro, porrada e bomba — e ainda quer ver Bruce Willis em um de seus últimos papéis de fôlego — encontra aqui uma escolha certeira.
Desejo de Matar já está disponível para todos os assinantes da Netflix e segue alimentando debates sobre o papel do cidadão diante da criminalidade crescente. Aproveite os 109 minutos de pura adrenalina e tire suas próprias conclusões sobre até onde vai a linha que separa vingança e justiça.
