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    Brad Pitt troca dublês por sujeira em “The Adventures of Cliff Booth”, sequência que desafia o legado de Tarantino

    Matheus AmorimPor Matheus Amorimfevereiro 10, 2026Nenhum comentário6 Minutos de leitura
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    Brad Pitt voltará a vestir a camisa havaiana de Cliff Booth em 2026, mas a lenda viva do dublê aposentado não será mais a mesma. Sob as lentes de David Fincher, “The Adventures of Cliff Booth” mudou de tom, de época e até de gênero cinematográfico, prometendo um thriller psicológico ambientado na Hollywood cínica dos anos 1970.

    Mesmo derivado de “Once Upon a Time in Hollywood”, o projeto soa menos como uma continuação direta e mais como uma reinvenção. O roteiro assinado por Quentin Tarantino — que recentemente voltou a atuar, como destacou o 365 Filmes em outra produção — garante conexões com o longa de 2019, mas a verdadeira assinatura aqui parece ser a de Fincher. A seguir, destrinchamos como elenco, direção e escrita se unem para construir essa nova fase do anti-herói.

    Um anti-herói à deriva: como Brad Pitt retoma Cliff Booth

    Brad Pitt retorna ao papel que lhe rendeu o Oscar, agora livre das amarras de ser apenas “o dublê de Rick Dalton”. A promoção a protagonista absoluto exige mais nuances: longe das câmeras de ação, Cliff trabalha como “fixer”, aquele sujeito que sabe onde enterrar problemas alheios. A mudança devolve ao ator a chance de explorar camadas psicológicas que ficaram apenas sugeridas no filme original.

    No teaser exibido durante o Super Bowl 2026, Pitt surge carregando menos sorriso fácil e mais tensão contida. A postura física continua essencial — o personagem ainda resolve parte dos conflitos com os punhos —, mas a performance destaca olhares cansados e silêncios desconfortáveis, elementos que sugerem uma culpa mal resolvida pelo passado violento.

    A ausência de Rick Dalton, vivido por Leonardo DiCaprio, cria espaço para coadjuvantes inéditos. Timothy Olyphant e Elizabeth Debicki despontam como pontes para o submundo dos estúdios, oferecendo a Pitt interlocutores à altura. O elenco, em vez de funcionar como vitrine nostálgica, parece pensar a Hollywood setentista como território de predadores travestidos de celebridades.

    A pegada sombria de David Fincher altera o tom

    Visualmente, “The Adventures of Cliff Booth” abandona o technicolor solar do fim dos anos 1960. Fincher opta por paleta esmaecida, repleta de verdes sujos e sombras pesadas, alinhando a estética do filme a títulos como “Zodíaco” e “Clube da Luta”. A câmera inquieta, por vezes claustrofóbica, reforça a sensação de paranoia que dominava os corredores dos estúdios à época dos escândalos de corrupção e tráfico de influência.

    Fincher, conhecido por longas de ritmo calculado, injeta suspense gradual em cada interação. Mesmo sequências de diálogo carregam tensão crescente, recurso diametralmente oposto à verborragia pop de Tarantino. A união das duas assinaturas — texto afiado e encenação meticulosa — cria expectativa sobre como o diretor lidou com cenas de violência gráfica, marca registrada do roteirista.

    Roteiro de Tarantino mantém o DNA original?

    Quentin Tarantino escreveu o script antes de iniciar a pré-produção de seu décimo — e possivelmente último — longa. Segundo bastidores, a premissa partiu da curiosidade de explorar “o que Cliff fez depois da fama instantânea de herói”. O texto preserva diálogos cheios de sarcasmo, mas troca a leveza quase cartunesca por um cinismo adequado à década que viu o Watergate e o declínio do sonho hippie.

    Fontes ligadas à produção relatam passagens metalinguísticas que citam blockbusters emergentes e o surgimento de agentes de talento vorazes, criando ecos com a recente discussão sobre a máquina de marketing da Lucasfilm em franquias contemporâneas. A ironia tarantinesca, portanto, continua viva, mas agora a serviço de uma crítica mais amarga ao sistema.

    Brad Pitt troca dublês por sujeira em “The Adventures of Cliff Booth”, sequência que desafia o legado de Tarantino - Imagem do artigo original

    Imagem: Imagem: Divulgação

    Outra curiosidade é a escolha de Tarantino por narrar os bastidores da indústria por meio de um fixer, figura pouco romântica e entregue a zonas cinzentas. A profissão permite ao roteirista mergulhar em temas como chantagem, abuso de poder e suborno — ingredientes que sempre rondaram Hollywood, mas raramente chegam à tela com franqueza.

    Comparações inevitáveis e o legado de Once Upon a Time in Hollywood

    Ainda que “Once Upon a Time in Hollywood” seja visto por parte da crítica como ápice recente da carreira de Tarantino, a nova sequência corre em pista diferente. A mudança de clima e estrutura narrativa inevitavelmente dividirá fãs que esperam mais da mesma fórmula. Contudo, Brad Pitt foi apontado como força motriz do longa de 2019, justificando o spin-off focado nele.

    O desafio principal reside em conciliar expectativa comercial — potencializado pela estreia simultânea na Netflix e em salas selecionadas — com a visão autoral de Fincher. Caso alcance equilíbrio, a produção pode repetir a façanha de outros “sucessos tardios” que encontraram público via streaming, como o fenômeno de comédia citado em relatório recente.

    Outro ponto sensível é o distanciamento temporal. Ambientar a trama quase dez anos depois do original permite explorar uma nova fase histórica, mas exige contextualização rápida para novos espectadores. Os roteiristas solucionam o impasse através de flashbacks pontuais e diálogos que explicam o salto sem depender do fan service.

    Vale a pena ficar de olho em The Adventures of Cliff Booth?

    Para quem se encantou com o carisma bruto de Cliff Booth, a sequência promete mergulhar fundo no psicológico do personagem. Brad Pitt aparece em pleno domínio do papel e parece disposto a entregar uma performance mais sombria, despida do charme despreocupado que marcou o filme anterior. Esse crescimento dramático já é motivo suficiente para aguçar a curiosidade.

    A fusão entre a escrita sagaz de Tarantino e a direção controlada de Fincher cria combinação rara no cinema contemporâneo. O contraste de estilos, longe de soar incoerente, pode oferecer frescor a um universo que correria risco de se repetir caso ficasse preso ao mesmo filtro nostálgico. Os admiradores de thrillers atmosféricos tendem a encontrar aqui um prato cheio.

    Por fim, a estreia híbrida em 2026 coloca “The Adventures of Cliff Booth” na vitrine global da Netflix, ampliando acesso e debate imediato. Se o longa corresponder à expectativa, tem potencial de se tornar conversa dominante entre cinéfilos, como já ocorreu com produções analisadas pelo nosso site. Resta aguardar o lançamento para medir se o mito do dublê conseguiu, de fato, sobreviver às sombras da década de 70.

    Este conteúdo foi publicado originalmente no 365Filmes. A reprodução total ou parcial é permitida apenas mediante a citação da fonte, com link direto (dofollow) para o artigo original, garantindo a correta atribuição de autoria e a credibilidade da informação.

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    Matheus Amorim
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    Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes (CNPJ: 48.363.896/0001-08). Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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