Carros antigos cruzam as ruas de Nova York, enquanto os códigos silenciosos da Cosa Nostra voltam a ecoar. É nesse cenário que “The Alto Knights: Máfia e Poder” coloca Robert De Niro para interpretar, ao mesmo tempo, Frank Costello e Vito Genovese, duas figuras reais que comandaram facções rivais nos anos 40.
O filme, dirigido por Barry Levinson e previsto para 2025, aposta em flashbacks e em uma fotografia que mistura tons amarelados e imagens de arquivo. A produção tenta equilibrar grandiosidade histórica e intimidade, resgatando o charme sombrio de clássicos do gênero para o catálogo da HBO Max.
Enredo gira em torno da disputa entre Costello e Genovese
A trama abre com um atentado frustrado contra Frank Costello, sobrevivente que decide rever as escolhas que o levaram ao topo da máfia. A partir desse momento, o roteiro acompanha memórias que discutem alianças, códigos de honra e a recusa do protagonista em aderir ao tráfico de drogas, tema que ganha força no pós-Segunda Guerra.
De Niro alterna posturas para separar seus dois personagens: Costello aparece contido, calculista, enquanto Genovese surge explosivo e impaciente após anos de prisão. O conflito cresce quando Genovese tenta assumir o império de Costello e, para isso, rompe antigas regras, aumentando a tensão dentro da organização criminosa.
Barry Levinson aposta em montagem nostálgica
O cineasta recorre a carros de época, trilha sonora jazzística e cortes rápidos que mesclam cenas atuais e lembranças. A estratégia pretende reforçar o contraste entre o glamour dos anos 40 e a brutalidade dos bastidores, mas também produz transições truncadas que, segundo parte da crítica, enfraquecem a fluidez da narrativa.
A direção investe ainda em closes longos nos rostos de De Niro, buscando evidenciar o peso de décadas de crimes e intrigas. Apesar desse esforço, analistas apontam que o filme tende a repetir fórmulas consagradas sem oferecer novos ângulos sobre o poder mafioso.
Elenco feminino quebra a discreção do submundo
Kathrine Narducci é elogiadíssima como Anna Genovese, esposa de Vito que enfrenta o machismo do clã e dá ritmo às cenas domésticas. Já Debra Messing interpreta Bobbie Costello, mulher de Frank que tenta viver fora da sombra do marido, mas recebe menos espaço em tela.
Michael Rispoli, no papel de Albert Anastasia, fornece breves momentos de tensão quando exibe a face mais violenta da máfia. A presença desses coadjuvantes ajuda a pontuar a complexidade das relações, mesmo que o foco permaneça no embate De Niro versus De Niro.

Imagem: Imagem: Divulgação
Temas históricos aparecem apenas na superfície
A resistência de Costello ao mercado de narcóticos sinaliza um conflito moral promissor, porém o roteiro evita aprofundar questões políticas, econômicas e geopolíticas que impulsionaram o tráfico no pós-guerra. Críticos afirmam que diálogos sobre essas mudanças acabam reduzidos a frases de efeito, sem explorar as transformações que redefiniram o crime organizado.
Em vez de mergulhar no impacto da imigração, da Guerra Fria e das novas rotas de contrabando, “The Alto Knights: Máfia e Poder” prefere concentrar o drama em conversas sigilosas, reuniões em clubes e jantares regados a uísque. A escolha mantém o ritmo, mas limita a densidade histórica.
Recepção inicial destaca dualidade de De Niro
Primeiras exibições para a imprensa apontam que a interpretação dupla de Robert De Niro é o principal atrativo. O ator alterna pequenos ajustes de voz, postura e olhar para distinguir um mafioso do outro, ainda que, por vezes, as diferenças pareçam tênues demais para sustentar o espelhamento dramático.
Para especialistas, a produção esbarra no próprio legado do astro, ícone de “Os Bons Companheiros” e “O Poderoso Chefão II”. Comparações são inevitáveis, e o longa precisa se provar relevante diante de clássicos que moldaram a imagem do crime organizado no cinema.
Ficha técnica e detalhes de lançamento
Título original: The Alto Knights
Título nacional: The Alto Knights: Máfia e Poder
Direção: Barry Levinson
Elenco principal: Robert De Niro, Kathrine Narducci, Debra Messing, Michael Rispoli
Gênero: Biografia, Crime, Drama, História
Ano: 2025
Plataforma: HBO Max
Avaliação preliminar: 8/10
Por que vale ficar de olho
Mesmo com críticas à estrutura, a combinação de uma história verídica com a performance de De Niro tende a atrair fãs de dramas mafiosos. Para quem acompanha lançamentos pelo 365 Filmes, o título promete revisitar debates sobre poder, lealdade e decadência que continuam a fascinar o público.
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