Quem joga Assassin’s Creed Mirage vai reconhecer o cenário de Castle Walls antes mesmo de ler a sinopse. A série estreou no Prime Video nesta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, ambientada na Fortaleza de Alamut, a mesma que a Ubisoft tornou popular como localização dentro do jogo. A diferença é que, aqui, a fortaleza vira palco de uma produção quase inteiramente gerada por inteligência artificial.
Desenvolvida pela AI Yapım, braço tecnológico da tradicional produtora turca Ay Yapım, a série levou mais de um ano para ficar pronta. O material inicial traz cerca de dois episódios de 15 minutos, segundo a produtora, embora a Variety tenha citado três episódios na mesma duração, o que sugere possível variação de corte entre regiões ainda sem confirmação oficial.
A disputa pela Fortaleza de Alamut, do jogo ao streaming
A trama se passa no século 11 e acompanha Hasan Sabbah, que toma Alamut e transforma a fortaleza em base de um movimento capaz de ameaçar a estrutura política da região. Essa ascensão o coloca contra Nizamülmülk, antigo amigo que passa a proteger o império sob risco.
Outro nome central é Azazil, guerreiro liberto de uma masmorra por Nizamülmülk que, com o tempo, se torna um dos seguidores mais fiéis de Hasan Sabbah. A mistura de guerra, religião, traição e disputa de poder é assinada por Kerem Deren e Çisil Hazal Tenim, dupla que já tinha trabalhado junto em El Turco.
O fato de Alamut já ser conhecida por jogadores dá à série um gancho que a Ay Yapım não precisou construir do zero. É um território histórico com apelo de franquia de jogo, algo raro em produções de época feitas para novela turca tradicional.

Como a inteligência artificial entrou em cada etapa de Castle Walls
Segundo a Ay Yapım, personagens e cenários nasceram de conceitos desenhados por artistas humanos antes de passar pelos modelos generativos da equipe. Ferramentas como Midjourney, Runway, Veo, Kling, ComfyUI e Topaz cobriram etapas diferentes da produção visual, enquanto o modelo próprio AYDNA, treinado com material licenciado pela produtora, cuidou da geração de vídeo.
O uso da IA não parou no visual. De acordo com a produtora, o aprimoramento de prompts e parte do desenvolvimento criativo também passaram pelas ferramentas, um escopo mais amplo do que apenas gerar imagem de fundo ou figurino digital.
Kerem Çatay, CEO da Ay Yapım, afirma que a intenção não é substituir profissionais da indústria, e sim ampliar a escala de produção sem tirar humanos do centro da história. A empresa reforça que roteiro, decisões narrativas e supervisão criativa continuaram sob responsabilidade de pessoas, e que as versões dubladas internacionais usam atores de voz reais, não sintetizados.
Castle Walls funciona, na prática, como um piloto de modelo híbrido: roteiro humano, supervisão humana, dublagem humana, mas visual majoritariamente gerado por máquina. A Ay Yapım descreve o projeto como experiência, não como padrão definitivo de produção.
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