Martin Campbell construiu boa parte da carreira dirigindo filmes de ação que entendem exatamente o que o público espera. Foi assim com 007 Contra GoldenEye e, principalmente, com Cassino Royale, longa que redefiniu James Bond para uma nova geração. Em Resgate em Grande Altitude, disponível no Prime Video, o diretor tenta revisitar essa mesma fórmula clássica do herói improvável preso em uma situação extrema.
O problema é que o novo filme parece excessivamente confortável em reciclar referências muito óbvias. A produção claramente bebe da fonte de Duro de Matar, mas raramente encontra personalidade suficiente para sair da sombra do clássico estrelado por Bruce Willis. Ainda assim, Daisy Ridley faz o possível para transformar o longa em algo mais divertido do que ele realmente é.
Daisy Ridley é o grande acerto de Resgate em Grande Altitude
A trama acompanha Joey Locke, personagem de Daisy Ridley, uma ex-militar que agora trabalha limpando janelas em arranha-céus de Londres. Enquanto tenta equilibrar o trabalho com a responsabilidade de cuidar do irmão Michael, um jovem neurodivergente, sua vida vira de cabeça para baixo durante um evento de gala promovido por uma empresa de energia extremamente corrupta.
O prédio é invadido por um grupo de ativistas radicais que faz centenas de pessoas reféns. Michael está entre os sequestrados, enquanto Joey acaba presa do lado de fora do arranha-céu, pendurada a dezenas de andares de altura sem uma rota clara para entrar no prédio.
É uma premissa absurda? Bastante. Mas também existe um potencial genuíno para criar tensão. Daisy Ridley compra completamente essa ideia e entrega uma protagonista fisicamente convincente, carismática e com presença suficiente para sustentar boa parte da narrativa.
A atriz funciona especialmente bem nas cenas de combate corpo a corpo. Sua postura mais agressiva e o visual mais duro ajudam a vender a imagem da heroína de ação. O problema surge quando o roteiro tenta aprofundar os dramas familiares da personagem e entrega diálogos artificiais demais.
O filme copia Duro de Matar
O longa não tenta esconder suas inspirações. Toda a estrutura narrativa remete diretamente ao clássico estrelado por Bruce Willis: prédio isolado, grupo criminoso organizado, reféns e uma protagonista tentando impedir uma tragédia praticamente sozinha.
A diferença é que, em vez de dutos de ventilação e corredores internos, Joey passa boa parte do filme do lado de fora do prédio, usando andaimes, cordas e equipamentos de limpeza.
Existe um certo charme em ver um filme tão honesto sobre sua proposta de entretenimento descartável. Ele sabe exatamente o tipo de produto que quer entregar e não perde tempo tentando parecer mais profundo do que realmente é.
Ao mesmo tempo, essa falta de ambição também impede qualquer sensação de novidade. O roteiro raramente apresenta algo que realmente surpreenda o espectador mais acostumado com thrillers de ação.
Clive Owen, por exemplo, surge como líder do grupo invasor e parece ter potencial para se tornar um antagonista memorável. No entanto, o personagem é pouco explorado.
Quem acaba roubando a cena é Taz Skylar como Noah, um vilão caótico e impulsivo que traz a energia que o filme precisava desde o início.

A ação demora demais para acontecer
Esse talvez seja o maior problema de Resgate em Grande Altitude. Apesar da curta duração, o filme demora demais para engrenar.
Joey passa tempo demais presa do lado externo do prédio enquanto a narrativa estica situações que deveriam ser mais intensas e urgentes. O que deveria gerar ansiedade acaba ficando repetitivo.
Quando Martin Campbell finalmente libera as cenas de ação mais pesadas, o filme melhora bastante. As lutas em ambientes apertados são bem coreografadas e lembram confrontos mais físicos e brutais.
Ainda assim, o longa também sofre com falhas de lógica bastante visíveis, principalmente em momentos que ignoram completamente o caos acontecendo nas ruas abaixo do prédio.
No fim, Resgate em Grande Altitude funciona como entretenimento descartável de fim de semana. Não reinventa o gênero, copia descaradamente seus maiores clássicos e tem problemas claros de ritmo, mas Daisy Ridley entrega carisma suficiente para impedir um desastre maior.
Veredito final: um clone assumido de Duro de Matar que diverte em seus melhores momentos, mas nunca alcança a tensão que promete.
Um clone assumido de Duro de Matar que diverte em seus melhores momentos, mas nunca alcança a tensão que promete.
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