O retorno de Oscar Martínez ao cinema argentino já está no catálogo da Netflix. Em O Último Gigante, o ator vive um pai que reaparece depois de 28 anos de ausência. A premissa até poderia escorregar para a velha reconciliação de manual. Mas o filme de Marcos Carnevale tenta ir por outro caminho: prefere o incômodo das feridas abertas ao conforto do perdão automático.
No centro da história está Boris, vivido por Matías Mayer, que não reencontra apenas um pai. Ele reencontra tudo o que a ausência deixou para trás. E isso muda o peso do filme. Não é sobre recuperar tempo perdido. É sobre encarar o estrago. Confira no trailer:
A armadilha do perdão fácil em O Último Gigante
O que dá alguma força a O Último Gigante é justamente a recusa inicial em dourar esse reencontro. Boris não parece interessado em gesto bonito.
O que existe ali é um acerto de contas emocional, marcado por ressentimento, silêncio e atraso demais. Essa escolha ajuda o longa a fugir, pelo menos por um tempo, da cara de drama genérico de streaming.
Também pesa o cenário. As Cataratas do Iguaçu e a região de Misiones ajudam a dar identidade ao filme e ampliam essa sensação de contraste entre grandiosidade visual e ruína íntima. Não é só pano de fundo. É parte da atmosfera. Para um catálogo cheio de títulos que somem rápido, isso já conta muito.
Mas o longa também parece correr um risco conhecido. Quando uma história constrói mágoa demais, ela precisa merecer qualquer movimento de aproximação.

Se acelera esse processo, perde força. E esse é justamente o ponto em que o filme pode dividir o público: até que ponto essa dor é trabalhada com verdade, e até que ponto ela é empurrada para uma solução mais conveniente?
O Último Gigante chega à Netflix com um trunfo real: Oscar Martínez ainda tem presença para transformar silêncio em tensão. O filme encontra força quando evita a reconciliação fácil e aposta no desconforto.
Quando suaviza demais, perde parte do impacto. Ainda assim, vira um dos lançamentos mais interessantes da semana para quem quer escapar do piloto automático dos grandes títulos de cinema e streaming.
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