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    Anaconda troca o terror por crise de meia-idade no HBO Max

    Filme com Jack Black, Paul Rudd e Selton Mello entende que nostalgia pode ser divertida, mas também pode ser a pior ideia possível.
    Matheus AmorimPor Matheus Amorimmarço 28, 2026Nenhum comentário4 Minutos de leitura
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    "Paul Rudd e Jack Black em cena de Anaconda, comédia de aventura disponível no Max Brasil
    Imagem: Divulgação
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    Selton Mello no meio de Jack Black, Paul Rudd e uma cobra gigante já seria motivo suficiente para chamar atenção. Só que o novo Anaconda, que estreou na HBO Max em 27 de março, quer mais do que isso. Ele pega a franquia de 1997, joga fora a obrigação de repetir o terror e abraça o caos como linguagem. E isso vai irritar muita gente.

    Quem entrar esperando um sucessor direto do original filme da década de 90 pode se frustrar rápido. O filme de Tom Gormican não quer te dar medo o tempo inteiro. Quer rir da obsessão por reviver o passado, da crise de meia-idade masculina e do desespero de gente que acha que nostalgia ainda resolve alguma coisa.

    A nota 5,6 no IMDb pode assustar num primeiro olhar, mas ela também esconde um detalhe importante: o longa sabe exatamente que tipo de bagunça quer ser.

    "Paul Rudd e Jack Black em cena de Anaconda, comédia de aventura disponível no Max Brasil
    Divulgação

    O novo Anaconda troca o susto pela humilhação, e isso tem seu valor

    A premissa já entrega o espírito da coisa. Um grupo de amigos decide refazer o filme favorito da juventude e trata essa ideia como homenagem, reencontro e chance de voltar a se sentir vivo. Parece simpático.

    Também parece uma péssima ideia. E o roteiro entende isso desde o início. Em vez de romantizar o retorno ao passado, ele transforma essa nostalgia em armadilha. A selva entra justamente para destruir essa fantasia.

    O que era para ser um “remake entre amigos” vira teste de realidade. A floresta tropical não serve de pano de fundo bonito. Serve de corretivo. O ambiente hostil, os fenômenos extremos, os criminosos violentos e, claro, as cobras gigantes empurram o filme para um terreno em que o humor nasce do fracasso e do pânico, não da fofura.

    • Veja também: Anaconda chegou ao HBO Max e transforma nostalgia de meia-idade em aventura caótica na selva

    Esse é o ponto em que Anaconda começa a funcionar de verdade. Quando ele para de se vender como releitura espirituosa e assume que quer ver adultos em colapso tentando negociar com um passado que não volta. O original de 1997 tinha medo, exagero e cara de filme B assumido. Esse aqui prefere a vergonha, o autoengano e a piada amarga. Não é a mesma experiência. Nem tenta ser.

    Confesso que essa mudança de tom parecia mais esperta no papel do que nos primeiros minutos de tela. Mas o filme cresce quando entende que a graça não está em homenagear a franquia com reverência. Está em desmontar a reverência no meio do mato.

    Selton Mello, Jack Black e Paul Rudd entendem melhor a piada do que muita gente vai admitir

    O elenco é metade da piada e quase toda a energia do longa. Jack Black e Paul Rudd carregam muito bem essa ideia de homens que já passaram da idade de certas decisões, mas continuam insistindo nelas como se o tempo fosse elástico.

    Steve Zahn entra na mesma frequência, e o grupo ganha uma cara de desastre anunciado que combina com a proposta. Mas, no Brasil, o nome que muda o jogo é Selton Mello.

    E não só porque ele é um gatilho óbvio de clique. A presença dele ajuda a dar outra textura ao filme. Segundo a cobertura brasileira sobre a estreia no streaming, Selton interpreta Santiago Braga, um biólogo e guia da equipe improvisada, o que reforça a ligação do filme com o cenário da Amazônia e dá ao elenco um ponto de apoio menos caricato no meio do caos.

    "Paul Rudd e Jack Black em cena de Anaconda, comédia de aventura disponível no Max Brasil
    Imagem: Divulgação

    O resultado é um filme que provavelmente vai dividir o público. Quem queria terror puro pode achar leve demais. Quem topar a proposta encontra uma aventura que prefere o ridículo ao susto e a crise ao heroísmo.

    E, sinceramente, isso tem mais personalidade do que tentar copiar o original plano por plano e fingir que a franquia ainda vive no mesmo tempo. A própria imprensa internacional já destacou esse Anaconda como uma releitura metalinguística e cômica da marca, ainda que nem todo mundo tenha comprado a execução.

    Para quem acompanha nossa editoria de streaming, esse é o tipo de lançamento que merece atenção justamente porque não joga no seguro.

    Ele erra aqui e ali, claro. Mas erra tentando fazer alguma coisa diferente.

    E isso já coloca o longa acima de muita produção automática que passa pelo catálogo sem deixar rastro. Também é um prato cheio para quem gosta de acompanhar cinema, nossas críticas e até pautas de curiosidades quando um reboot resolve brincar com a própria ruína.

    7.0 Bom

    Anaconda não revive a franquia pelo susto.
    Revive pela ironia de ver adultos brincando de passado até a selva cobrar o preço.
    Não é um grande filme.
    Mas sabe se divertir com a própria loucura, e isso já vale bastante.

    • NOTA 7
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    Anaconda crítica de filme HBO Max
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    Matheus Amorim
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    Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes (CNPJ: 48.363.896/0001-08). Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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