Você confiaria sua vida a um algoritmo? Em Justiça Artificial, destaque recente do Prime Video, o astro Chris Pratt enfrenta exatamente isso: provar sua inocência em apenas 90 minutos antes que uma inteligência artificial determine sua execução. Ao lado de Rebecca Ferguson, o filme já começa com uma premissa que, hoje, parece menos ficção e mais possibilidade.
E aqui está o ponto que chama atenção. Diferente do que vimos em Ex Machina ou na tensão de Minority Report com Tom Cruise, aqui a IA não quer entender o comportamento humano. Ela quer substituí-lo completamente na decisão final. O problema é que, apesar da ideia forte, o filme não sustenta esse peso até o fim.
O conceito é atual e urgente, mas o conflito é simplificado rápido demais
O chamado “Tribunal da Misericórdia” funciona como base narrativa. Um sistema que analisa dados, calcula probabilidades e define o destino de alguém sem emoção, sem hesitação. O protagonista precisa reduzir seu índice de culpa em tempo real, com cada ação impactando diretamente o resultado.
Existe uma cena que traduz bem esse potencial. Quando o sistema começa a exibir o percentual de culpa ao vivo, transformando cada informação em sentença quase imediata, o filme encontra sua melhor ideia. Ali, o suspense ganha forma concreta.
Mas o roteiro de Justiça Artificial não explora isso com profundidade.
Em vez de transformar o julgamento em um jogo tenso, cheio de decisões difíceis, a narrativa acelera as soluções. As pistas surgem com facilidade, as conexões se resolvem rápido e o protagonista raramente encontra um obstáculo que realmente o coloque contra a parede.
Isso reduz o peso do conflito. Um conceito que deveria gerar dúvida constante acaba sendo conduzido de forma mais linear do que o esperado.
As viradas existem, mas não têm força para sustentar o impacto
O filme tenta compensar essa simplicidade com reviravoltas. Existe um momento central em que a narrativa sugere uma mudança importante na leitura do caso, algo que deveria reconfigurar toda a investigação.

No entanto, essa virada chega sem construção sólida. A informação aparece antes que o suspense amadureça, o que enfraquece o impacto e transforma o que deveria ser um ponto alto em mais um passo da trama.
A presença de Rebecca Ferguson como a juíza Maddox ajuda a manter o clima. Sua atuação reforça a frieza do sistema e dá credibilidade à ideia de uma justiça sem emoção. Ainda assim, a relação entre humano e inteligência artificial, que poderia ser o eixo mais forte da narrativa, permanece superficial.
Esse é o ponto que diferencia Justiça Artificial de obras como Black Mirror, que costumam explorar as consequências da tecnologia até o limite. Aqui, o filme apresenta a ideia, mas não mergulha nela.
No catálogo de streaming, funciona como um suspense direto, com ritmo e uma premissa que chama atenção. Mas também deixa claro que havia espaço para algo mais profundo, mais tenso e mais memorável.
Em vez de transformar o julgamento em um jogo tenso, cheio de decisões difíceis, a narrativa acelera as soluções. As pistas surgem com facilidade, as conexões se resolvem rápido e o protagonista raramente encontra um obstáculo que realmente o coloque contra a parede.
Isso reduz o peso do conflito. Um conceito que deveria gerar dúvida constante acaba sendo conduzido de forma mais linear do que o esperado.
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