Tem filme que sobe no top 10 e você entende na hora o motivo… e tem filme que sobe e você fica meio desconfiado. Stratton é exatamente esse segundo caso. Ele chegou forte no topo da Netflix, mas quando você dá play, a sensação é outra.
E olha que o começo engana bem. A primeira missão já entrega tudo que um bom filme de espionagem precisa: infiltração, tensão e risco real. A sequência no Irã, com o personagem de Dominic Cooper tentando interceptar armas químicas, funciona e cria expectativa. Quando a operação dá errado e o parceiro morre, pensei na hora que o filme ia construir algo mais pesado a partir disso, porém nada acontece.
O filme cria um conflito forte, mas abandona rápido demais
A morte de Marty, vivido por Tyler Hoechlin, deveria ser o motor emocional da história. E tem uma cena que deixa isso claro: o momento em que Stratton retorna após a missão fracassada e recebe a notícia de que tudo saiu do controle. Ali existia espaço para aprofundar o impacto, trabalhar culpa e até motivação.
Mas o roteiro não para.
Em poucos minutos, o filme já empurra o personagem para outra missão, agora envolvendo o vilão de Thomas Kretschmann. E isso quebra a estrutura narrativa. Porque o conflito central muda rápido demais, sem dar tempo de maturar.
Quando assisti essa transição, pensei que o filme estava tentando seguir algo mais próximo de Missão Impossível, com várias camadas e reviravoltas. Mas ele acaba funcionando mais como um episódio de Jack Ryan, só que sem o desenvolvimento que uma série teria tempo de construir.
Porque a base está ali. O trauma, o erro, a missão mal resolvida… tudo aponta para um thriller mais intenso. Só que o filme prefere acelerar em vez de aprofundar.
A ação mantém o ritmo, mas falta identidade e impacto real
Se tem algo que segura o filme, é o ritmo. Ele não para, não enrola e não se perde em explicações desnecessárias. As cenas de ação são constantes, e a narrativa sempre anda para frente. Mas aí entra o problema mais claro. Nada realmente marca.

Tem uma sequência de perseguição que deveria ser um ponto alto, mas quando assisti, a sensação foi de déjà vu. Parece algo que você já viu em dezenas de outros filmes. Diferente de John Wick, onde cada ação tem estilo próprio, aqui tudo é funcional, mas genérico.
A presença de nomes como Gemma Chan e Tom Felton ajuda a dar corpo ao elenco, mas nenhum personagem realmente ganha profundidade suficiente para se destacar.
E isso reforça a principal sensação do filme. Ele parece uma base de algo maior, mas que nunca se desenvolve completamente. Como se fosse um piloto de série que acabou virando longa.
No catálogo de streaming, ele funciona como entretenimento rápido. Você assiste, acompanha sem esforço e até se envolve em alguns momentos. Mas dificilmente vai lembrar dele depois. E talvez seja exatamente por isso que a nota baixa no IMDb faz sentido. Stratton não é ruim. Ele só não entrega o que promete quando começa.
No catálogo de streaming, ele funciona como entretenimento rápido. Você assiste, acompanha sem esforço e até se envolve em alguns momentos. Mas dificilmente vai lembrar dele depois. E talvez seja exatamente por isso que a nota baixa no IMDb faz sentido. Stratton não é ruim. Ele só não entrega o que promete quando começa.
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