Quem acompanha a carreira do diretor Oz Perkins sabe que ele detesta o caminho mais fácil. Ele costuma pegar elementos clássicos do terror e subvertê-los através de uma atmosfera sufocante e bizarra. O estrondoso sucesso de Longlegs: Vínculo Mortal colocou o cineasta no centro dos holofotes de Hollywood. Essa atenção gerou uma expectativa imensa para os seus dois projetos seguintes: o comercial O Macaco e o enigmático Para Sempre Medo (Keeper).
A sensação que fica é que este último é o típico título encomendado pelos estúdios, feito às pressas para surfar na onda lucrativa que Perkins atingiu recentemente. Diferente das suas obras anteriores, não encontramos aqui aquela obstrução narrativa que exige atenção do público. O roteiro prefere escancarar a sua previsibilidade desde o primeiro minuto, em uma tentativa frustrada de usar o óbvio para gerar suspense.
A previsibilidade como uma armadilha narrativa
Escrito por Nick Lepard, o roteiro não sabe o que fazer com a própria premissa. A história joga a protagonista sob o mesmo teto de um estranho ameaçador, reciclando um molde cansado que lembra os suspenses da madrugada na TV. A narrativa gira em círculos, incapaz de construir uma tensão genuína em torno de um mistério que é raso e desinteressante.
Nós do 365 Filmes percebemos que o texto não tem a menor intenção de ir além do que aparenta. A previsibilidade não é usada como uma ferramenta de subversão inteligente. Ela é apenas o reflexo de um enredo preguiçoso, que não faz o menor esforço para tirar a premissa da trilha da obviedade em seus 99 minutos de duração.
Falta força de vontade para transformar os personagens em algo além de caricaturas do gênero. A vítima e o algoz cumprem seus papéis burocráticos sem nunca surpreender o espectador. A trama mastiga cada reviravolta de forma tão clara que qualquer pessoa na sala de cinema consegue adivinhar o final no primeiro ato.
O triunfo visual contra o vazio do roteiro
Se o roteiro afunda, a direção de Oz Perkins tenta segurar o filme através da estética pura. O verdadeiro e único acerto de Para Sempre Medo está na sua tensão atmosférica e no impacto visual das cenas. Perkins sabe posicionar a câmera como poucos, criando quadros que causam desconforto e admiração ao mesmo tempo.
Há momentos memoráveis espalhados pela projeção que se aproximam fortemente de um terror psicológico surrealista. O uso das sombras, do design de som e da fotografia constrói uma sensação de isolamento opressiva. É uma embalagem deslumbrante que promete uma profundidade que a história simplesmente não possui.
Infelizmente, todas essas qualidades técnicas se perdem rapidamente no meio de uma narrativa sem sentido. Um enquadramento belíssimo não consegue consertar diálogos vazios ou atitudes ilógicas dos protagonistas. A beleza visual serve apenas como uma maquiagem cara para esconder a falta de substância do projeto como um todo.
Tatiana Maslany e o peso de um suspense insosso
O elenco, encabeçado por Tatiana Maslany e Rossif Sutherland, faz o que pode com o material que tem nas mãos. Maslany entrega uma performance dedicada, tentando injetar urgência e pavor real na sua personagem encurralada. Contudo, o texto limita seu alcance dramático, transformando-a em apenas mais uma vítima gritando no escuro.
A dinâmica entre ela e Sutherland falha em criar o atrito necessário para que o espectador se importe com o desfecho. O medo precisa nascer da imprevisibilidade da ameaça, algo que inexiste aqui. O estranho sob o mesmo teto não soa como uma força incontrolável da natureza, mas como um obstáculo narrativo facilmente superável.
Eu, editor-chefe do portal, encarei a projeção esperando o toque de mestre que Perkins costuma dar ao terceiro ato. Essa virada não acontece. O filme caminha a passos lentos para um clímax apático, confirmando que a direção estava no piloto automático e focada apenas em entregar o produto encomendado pela produtora dentro do prazo.

Veredito: Uma beleza incrivelmente genérica
No fim das contas, Para Sempre Medo é um tropeço doloroso após a ascensão meteórica de seu diretor. O filme não consegue disfarçar que é um produto caça-níquel, desprovido da alma bizarra e provocativa que transformou Oz Perkins em um nome cultuado pelos fãs do gênero.
O resultado é um thriller apático, insosso e incrivelmente genérico. Ele prova que não basta colocar personagens em uma casa isolada e filmar tudo de forma bonita para criar um suspense eficiente. Falta a malícia, o perigo e a criatividade para fazer o coração bater mais rápido.
Para quem busca apenas imagens bem compostas, pode até servir como uma distração passageira. Mas para quem esperava o terror perturbador que a assinatura do diretor promete, a decepção é garantida e frustrante.
Para Sempre Medo
No fim das contas, Para Sempre Medo é um tropeço doloroso após a ascensão meteórica de seu diretor. O filme não consegue disfarçar que é um produto caça-níquel, desprovido da alma bizarra e provocativa que transformou Oz Perkins em um nome cultuado pelos fãs do gênero.
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