Entrevista com o Demônio chega amanhã, 20/02, à HBO Max com a força de um conceito que parece simples, mas é executado com precisão: um programa de TV dos anos 70, transmitido como se fosse “ao vivo”, vira palco para algo que ninguém consegue controlar. O filme se apoia no formato found footage para criar uma sensação de realidade inquietante, como se o espectador estivesse assistindo a uma gravação proibida que jamais deveria ter ido ao ar.
Dirigido e roteirizado por Colin Cairnes e Cameron Cairnes, o longa não depende de sustos fáceis para funcionar. Ele prende antes mesmo do horror começar, usando ritmo de televisão, bastidores e a pressão por audiência como combustível dramático. Quando o sobrenatural entra em cena, o medo já está instalado, e a queda parece inevitável.
O talk show de 1977 que vira armadilha para o próprio apresentador
A história acompanha Jack Delroy, apresentador de um programa noturno que tenta recuperar a audiência após um período de desmotivação e luto pela morte da esposa. Para reverter o declínio, ele planeja um especial de Halloween de 1977 com promessa de “noite inesquecível”. A ideia é clara: chamar atenção, fazer barulho e voltar ao topo.
O filme cresce quando mostra o custo dessa obsessão. Jack não é um herói clássico. Ele é um homem pressionado, calculista, disposto a ultrapassar limites para recuperar status. O resultado é um terror que conversa com vaidade e desespero: o protagonista acredita que pode conduzir a narrativa, mas a noite se torna um pesadelo ao vivo e tira dele o controle de cada segundo.
O formato found footage como truque que vira vantagem real
Entrevista com o Demônio acerta ao usar o found footage com propósito. Em vez de câmera trêmula aleatória, a linguagem é a de televisão: cortes, entradas de quadro, clima de estúdio, humor de plateia e aquela tensão dos bastidores que o público raramente vê. Essa estrutura cria uma sensação quase documental e dá credibilidade ao absurdo.
É por isso que o filme “segura” o espectador mesmo antes das cenas mais pesadas. A dinâmica do programa, a necessidade de manter a pose e os pequenos sinais de que algo está errado criam suspense sem pressa. Quando o terror finalmente explode, ele não parece gratuito: parece consequência.
Parapsicologia, culto e a jovem sobrevivente que muda tudo
O ponto de virada vem com a visita de uma parapsicóloga para divulgar um livro e apresentar uma garota, Lilly D’Abo, descrita como a única jovem sobrevivente de um suicídio em massa ligado a uma igreja satânica. É o tipo de “segmento” pensado para chocar e gerar conversa, exatamente o que Jack quer para recuperar relevância.
Só que o filme trabalha a escalada com inteligência: o que começa como curiosidade televisiva vai se contaminando por elementos que fogem do controle humano. A presença de Lilly, a exposição em rede, a insistência do programa em “ir até o fim” e a necessidade de render audiência criam um ambiente perfeito para que o sobrenatural entre como falha irreversível.
Elenco e atmosfera: David Dastmalchian sustenta o peso do filme
David Dastmalchian é o eixo do longa. Ele constrói Jack Delroy como alguém carismático na superfície, mas internamente corroído. A atuação funciona porque não pede pena do personagem o tempo todo: mostra um homem em conflito, e esse conflito é o que abre espaço para decisões ruins. Ian Bliss e Laura Gordon completam o núcleo principal, reforçando o jogo entre espetáculo e perigo, entre o “vamos continuar” e o “isso passou do limite”.
O filme também acerta na atmosfera de época. A estética setentista não é só figurino e cenário: ela ajuda a estabelecer a lógica do show business daquele período, quando o impacto importava mais do que o cuidado, e quando a TV tinha poder de moldar crenças em massa. No 365 Filmes, esse tipo de terror costuma se destacar por unir conceito forte e execução segura, sem subestimar quem assiste.
Vale a pena assistir Entrevista com o Demônio na HBO Max?

Vale, especialmente para quem gosta de terror com formato diferente e construção de suspense bem amarrada. O filme pode não reinventar tudo o que existe no gênero, mas entrega originalidade no jeito de contar, com um ritmo que prende desde o começo e um clima de “transmissão amaldiçoada” difícil de largar.
Também vale pela mistura de temas: fama, culto à personalidade e a forma como a tecnologia e a mídia transformam qualquer coisa em espetáculo.
Com 1h29 e nota 7 no IMDb, é um filme direto, eficiente e com identidade. Amanhã, 20/02, ele chega ao catálogo da HBO Max com cara de título perfeito para quem quer um terror que começa como entretenimento e termina como pesadelo.
Este conteúdo foi publicado originalmente no 365Filmes. A reprodução total ou parcial é permitida apenas mediante a citação da fonte, com link direto (dofollow) para o artigo original, garantindo a correta atribuição de autoria e a credibilidade da informação.
Não perca as novidades do 365 Filmes no Google News!



