Animal Kingdom voltou a bombar depois que entrou no catálogo da Netflix e muita gente descobriu a série como se fosse um lançamento. A sensação faz sentido: é um drama criminal que prende por ação e tensão, mas o que sustenta mesmo é a relação doentia entre os membros da família Cody. O ponto de partida já chega pesado: Joshua “J” vai morar com os parentes após a morte da mãe e, em pouco tempo, percebe que ali nada é simples, nem o carinho.
Alerta de Spoiler: as curiosidades abaixo citam eventos reais e também comentam detalhes do rumo da série, incluindo pistas do desfecho. Se você quer assistir sem nenhuma antecipação, vale salvar esse post do 365Fiilmes para ler depois.
A inspiração em história real vem de uma família criminosa famosa na Austrália
Animal Kingdom não reconta um caso específico ao pé da letra, mas foi inspirada na história da família Pettingill, de Melbourne, muito ligada a crimes como tráfico de drogas e roubos à mão armada nas décadas de 70 e 80. No centro desse clã estava Kathleen “Kath” Pettingill, conhecida pelo apelido de “Vovó Malvada”, uma figura temida e influente no submundo do crime.
Quando você entende isso, a dinâmica dos Cody fica ainda mais clara. A série transforma essa imagem em uma matriarca que controla tudo com afeto e ameaça na mesma medida. Não é “mãe protetora” e nem “chefe fria”. É alguém que organiza a família como se fosse uma empresa, só que uma empresa em que amor também vira ferramenta de poder.
Os tiroteios de Walsh Street em 1988 são o caso mais lembrado ligado a esse universo
Os tiroteios de Walsh Street, em 1988, viraram um dos episódios mais conhecidos associados ao círculo da família Pettingill. Na ocasião, dois policiais de Melbourne foram mortos a tiros enquanto investigavam um carro abandonado. O caso gerou enorme repercussão e foi dramatizado no filme australiano Animal Kingdom, que depois inspirou a série.
Dois nomes apareceram diretamente no caso: Trevor Pettingill e Victor Peirce, filhos de Kath. Ambos foram acusados pelos assassinatos, mas acabaram absolvidos. Mesmo assim, o episódio nunca deixou de render discussão, especialmente por causa do que veio depois.
Anos mais tarde, Wendy Peirce, viúva de Victor, afirmou publicamente que ele teria planejado e executado os assassinatos. Segundo ela, a fuga ligada ao episódio foi impulsiva, e Victor acreditava que a polícia queria matar ele. O detalhe mais assustador do relato é que ela também disse que ele não demonstrava remorso, como se aquilo fosse apenas mais um “custo” de viver naquele mundo.
Antes de ser série, Animal Kingdom foi um filme aclamado e o criador seguiu no projeto
Muita gente não sabe, mas Animal Kingdom nasceu como filme em 2010, na Austrália, dirigido por David Michôd. A adaptação para a TV não veio do nada: a série é construída como uma expansão daquele universo, com tempo para desenvolver melhor a teia de relacionamentos, a rotina criminosa e as rupturas internas que o cinema, por ser mais curto, precisa resolver mais rápido.
Um detalhe importante é que Michôd também esteve ligado à série como produtor executivo. Isso ajuda a explicar por que a versão televisiva mantém o mesmo “espírito”: menos glamourosa do que parece, mais sufocante do que o cenário ensolarado sugere.
A mudança para a Califórnia é uma escolha que cria contraste e ironia
Enquanto a história real e o filme se passam em Melbourne, a série americana que chegou na Netflix troca tudo por uma cidade de praia fictícia no sul da Califórnia. É uma mudança que funciona muito bem por contraste: sol, mar e clima de férias como pano de fundo para crimes, golpes e violência. Essa ironia ajuda Animal Kingdom a ter identidade própria, porque a série usa o “cartão-postal” para disfarçar o que é podre por dentro.

Por que o final é descrito como uma tragédia
Animal Kingdom terminou em 2022 com um desfecho descrito por muitos como uma tragédia no estilo shakespeariano. E isso combina com o que a série sempre prometeu: naquele tipo de família, ninguém sai limpo. Nem sempre a punição vem da lei. Às vezes, vem do próprio sangue, das escolhas acumuladas e da forma como a violência contamina tudo.
O final ecoa o tom do filme original e reforça que o grande tema não é “quem roubou o quê”, e sim o preço de viver em um lugar onde amor e controle são a mesma moeda. Mesmo quando a série entrega ação e golpes bem armados, o que fica é essa sensação amarga: a família Cody sempre pareceu invencível, mas, no fundo, era só uma bomba-relógio.
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