“Trap”, suspense dirigido e roteirizado por M. Night Shyamalan, ressurgiu com força no streaming. Dois anos após sua estreia nos cinemas, o longa alcançou o Top 10 global da Netflix em 26 de janeiro de 2026 e segue na liderança de países como Canadá.
O feito chama atenção porque o filme não está disponível no catálogo norte-americano da plataforma — lá, a exibição é exclusiva da HBO Max. Mesmo assim, a produção de 105 minutos já supera títulos badalados e volta a colocar Shyamalan no centro das discussões cinéfilas.
Como Trap conquistou o Top 10 mundial
A corrida internacional começou com a inclusão do thriller em vários catálogos locais no início de janeiro. Rapidamente, o algoritmo da Netflix impulsionou o longa, que saltou para a décima posição mundial e ocupa o primeiro lugar no Canadá, além de vice-liderança nas Bahamas e em Trinidad e Tobago.
Os números complementam o desempenho sólido dos cinemas. Lançado em 2 de agosto de 2024, “Trap” faturou US$ 83,6 milhões contra um orçamento de US$ 30 milhões, garantindo lucro confortável sem depender de megaestruturas de marketing. O alcance global no streaming reforça o apelo do diretor em mercados fora dos Estados Unidos.
Parte desse interesse vem da premissa intrigante: Cooper, vivido por Josh Hartnett, leva a filha a um show pop sem saber que o local foi cercado pelo FBI em busca de um serial killer. Shyamalan usa o espaço confinado do estádio para construir tensão crescente, fórmula que o cineasta já explorou em “Sinais” e “Fragmentado”.
Não é raro ver thrillers despontarem na Netflix. Em 2023, “Black Phone 2” também viralizou, colocando Ethan Hawke novamente no radar do público de terror. O caso de “Trap” confirma que roteiros cheios de reviravoltas seguem atraindo assinantes curiosos.
Atuações: Josh Hartnett lidera um elenco afiado
Josh Hartnett volta ao protagonismo após temporadas dedicadas a projetos independentes. Como Cooper, ele equilibra afeto paterno e frieza assassina com nuances que seguram o espectador. A sequência em que o personagem percebe a emboscada e precisa manter a calma diante da filha é um dos pontos altos do filme.
Ariel Donoghue interpreta Riley, adolescente ansiosa pelo show de Lady Raven. A jovem atriz traz leveza e inocência que contrastam com a personalidade dupla do pai. Sua química com Hartnett sustenta momentos decisivos, sobretudo quando a garota começa a desconfiar do comportamento de Cooper.
Saleka Night Shyamalan, filha do diretor, assume o papel da diva pop Lady Raven. Embora sua participação em cena seja breve, a cantora encarna a aura de idolatria que justifica o público gigantesco no estádio e cria uma atmosfera de espetáculo em contraste com a caçada policial.
Os coadjuvantes, compostos por agentes federais e funcionários da arena, atuam mais como gatilhos de suspense do que como personagens complexos. Ainda assim, o elenco de apoio evita caricaturas excessivas, garantindo que o foco permaneça no embate psicológico entre Cooper e as autoridades.
Direção e roteiro: os truques de Shyamalan em evidência
M. Night Shyamalan assina tanto a direção quanto o roteiro, repetindo o modelo autoral que marcou sua carreira. Em “Trap”, o cineasta investe em cenários fechados, tempo real e sinais visuais que antecipam reviravoltas. O uso de câmeras de segurança e smartphones adiciona camadas de tensão sem recorrer a sustos baratos.
Críticos dividiram opiniões sobre a coerência do enredo. Há quem aponte furos na logística do cerco policial e mudanças bruscas de tom. Ainda assim, muitos reconheceram a habilidade do diretor em manipular expectativas, efeito que se tornou sua marca registrada desde “O Sexto Sentido”.
Imagem: Imagem: Divulgação
O roteiro também explora o desconforto de assistir a um pai criminoso tentando proteger a filha enquanto os espectadores sabem mais do que a maioria dos personagens em cena. Essa escolha moral ambígua aumenta o suspense e reforça a assinatura de Shyamalan, sempre interessado em dilemas familiares sob circunstâncias extremas.
Mesmo com um orçamento enxuto, a direção de arte cria contrastes nítidos entre bastidores claustrofóbicos e o palco iluminado pelo pop. A trilha sonora alterna batidas eletrônicas e acordes sombrios, reforçando a sensação de que algo está fora de lugar no glamour do show.
Recepção e números: bilheteria vs. streaming
No Rotten Tomatoes, “Trap” mantém 56 % de aprovação da crítica e 64 % do público com mais de 2.500 avaliações verificadas. Esses índices refletem a divisão comum na filmografia de Shyamalan, que oscila entre aplausos, como em “Fragmentado”, e desapontamentos, caso de “Fim dos Tempos”.
O lucro nos cinemas, aliado ao atual desempenho na Netflix, consolida o longa como aposta financeiramente bem-sucedida. O interesse renovado ainda aquece as expectativas para “Remain”, próximo filme do diretor, previsto para 23 de outubro de 2026 e estrelado por Jake Gyllenhaal e Phoebe Dynevor.
A tendência também reforça a força do catálogo de suspenses na plataforma. Para o 365 Filmes, casos como “Trap” demonstram que a audiência global valoriza narrativas com atmosfera densa e reviravoltas, mesmo quando a crítica se mostra dividida.
Vale lembrar que o filme permanece fora do catálogo norte-americano da Netflix. Essa exclusão alimenta a curiosidade dos assinantes de outras regiões e amplia o debate sobre janelas de exibição, licenciamento e impacto no desempenho de produções de médio orçamento.
Vale a pena assistir Trap hoje?
Se você busca um thriller de M. Night Shyamalan com atmosfera claustrofóbica, “Trap” entrega tensão constante e um protagonista ambíguo, sustentado pela performance sólida de Josh Hartnett. As reviravoltas seguem a tradição do cineasta, ainda que o roteiro apresente exageros pontuais.
O filme mantém ritmo ágil, duração enxuta e ambientação que mistura show pop e cerco policial, elementos suficientes para prender a atenção até o desfecho. Mesmo quem já conhece a principal virada pode se divertir identificando pistas plantadas desde o primeiro ato.
Para fãs de suspense psicológico e para quem acompanha a carreira de Shyamalan, “Trap” vale o play — seja para confirmar o retorno de Hartnett ou para discutir como o diretor equilibra drama familiar e horror criminal em um espaço tão restrito quanto um estádio lotado.
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