A primeira prévia de Masters of the Universe, marcada para chegar aos cinemas em 5 de junho de 2026, trouxe surpresa extra além do visual de Eternia. O vídeo apresenta Nicholas Galitzine como “Adam Glenn”, identidade civil que liga o herói à mãe, Marlena, e faz eco a um episódio pouco lembrado do desenho dos anos 1980.
Ao transformar o príncipe em jovem aparentemente comum da Terra, o longa abre caminho para novas leituras dramáticas e coloca a química do elenco no centro das expectativas. A seguir, destrinchamos o impacto desse retcon, avaliamos as escolhas de escalação e observamos o que esperar da dupla Travis Knight (direção) e Chris Butler (roteiro).
Easter egg conecta Adam Glenn às origens terrenas de Marlena
O trailer destaca uma placa na mesa do protagonista com o sobrenome Glenn. Nos bastidores, o detalhe funciona como piscadela para “Visitors from Earth”, 119º episódio da série animada que revelou o passado da então astronauta Marlena Glenn antes de se tornar rainha de Eternia. A lembrança não é trivial: raramente o material live action mergulhou nessa relação entre mundos.
A decisão de batizar o herói como Adam Glenn, portanto, amarra duas pontas narrativas. De um lado, mantém viva a tradição de que Marlena pertenceu à Terra; de outro, justifica porque o jovem ainda não domina a Espada de Grayskull. A equipe de arte deixa o recado de maneira sutil, indicando que a linha dramática pode explorar temas de adoção, pertencimento e herança cultural sem descaracterizar o clássico “Eu tenho a força!”.
Elenco mistura juventude e veteranos
Nicholas Galitzine, que vem ganhando espaço em romances adolescentes, carrega agora o peso de interpretar duas personas: o rapaz deslocado na escola e o guerreiro musculoso na corte de Randor. A prévia sugere bom timing cômico, mas sua transição para o modo He-Man exigirá credibilidade física semelhante à vista em outras adaptações da franquia.
Camila Mendes assume Teela, braço direito de Adam e, ao que tudo indica, consciente do passado do príncipe. A atriz já provou versatilidade em Riverdale; aqui, seu maior desafio será equilibrar ironia e senso de dever militar. Entre os veteranos, Idris Elba surge como Duncan/Man-At-Arms, potencial mentor com autoridade natural. Alison Brie, por sua vez, abraça a vilã Evil-Lyn, papel que pede charme e ameaça em doses idênticas. Juntos, eles formam um painel que deve sustentar tanto as cenas de ação quanto as disputas palacianas.
Direção de Travis Knight aponta para tom de aventura e coração
Travis Knight, responsável pelo elogiado Bumblebee, retorna ao live action com reputação de imprimir humanidade a franquias nostálgicas. Em vez de apenas replicar o desenho, o diretor parece apostar em sensações de descoberta semelhantes às de Steven Spielberg nos anos 1980: câmera baixa seguindo o herói, uso de cores quentes em cenas terrenas e paleta fantástica ao cruzar o portal para Eternia.
A escolha por enquadrar Adam em corredores de escola antes de revelar escudos e magos cria contraste essencial. Assim, a jornada do protagonista espelha tanto a jornada de público novo, que entra sem bagagem, quanto a de fãs que procuram pistas do cânone. Knight ganha pontos ao indicar que sequências de batalha não serão mero caos digital, mas coreografadas para reforçar personalidade de cada personagem.
Imagem: Imagem: Divulgação
Roteiro de Chris Butler promete equilibrar épico e cotidiano
Chris Butler, vindo da animação Kubo and the Two Strings, traz experiência em mitos de espada e magia aliados a conflitos familiares. A premissa de esconder o príncipe na Terra para mantê-lo seguro ecoa tropos de contos de fadas e abre espaço para humor de peixe-fora-d’água. Se bem executado, o argumento permitirá que o espectador descubra Eternia aos olhos de Adam, tornando o worldbuilding orgânico.
Ao incluir a mãe como agente ativa — ela mesma enviou o filho para outro planeta —, o roteiro amplia a presença feminina na mitologia e evita relegar Marlena a figura decorativa. Vale notar que essa reinvenção não descarta conexões tecnológicas: seja via viagens espaciais, seja por portais dimensionais, a lógica interna precisa ser coesa para que o público aceite saltos de realidade. Butler tem o desafio de entregar diálogos que expliquem isso sem virar exposição excessiva, algo que pesou em produções como A Torre Negra, cuja análise disponível no 365 Filmes expõe consequências de roteiro tímido.
Vale a pena ficar de olho em Masters of the Universe?
A prévia de menos de dois minutos destaca pontos estratégicos: herói deslocado, pista sobre linhagem real e vislumbre de Eternia. Embora ainda não se vejam grandes batalhas, fica claro o esforço em valorizar atores antes da computação gráfica. Galitzine demonstra carisma suficiente para sustentar um arco de amadurecimento, enquanto Mendes, Elba e Brie fornecem contrapesos dramáticos.
Do ponto de vista técnico, a fotografia de Knight faz bom uso de iluminação quente para a Terra e tons vibrantes para o castelo de Grayskull. A trilha, ainda em segredo, deverá mesclar sintetizadores retrô e orquestra, reforçando a nostalgia sem parecer datada. Resta saber se o roteiro sustenta duas horas de filme sem se perder entre a escola de Adam e a guerra contra Esqueleto, vilão que ainda não deu as caras no material promocional.
Para quem acompanha o gênero de fantasia e busca equilíbrio entre espetáculo e construção de personagens, o novo Masters of the Universe surge como aposta interessante. A menção a “Adam Glenn” sugere atenção aos detalhes e respeito àqueles que cresceram com o desenho. Caso a obra mantenha essa linha cuidadosa, pode conquistar espaço no calendário lotado de 2026 e até repetir a trajetória de surpresas recentes que migraram do hype para aclamação, como Parasita, cuja despedida da Netflix reacendeu discussões sobre direção e roteiro bem amarrados.
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