O universo Star Trek ganhou novos contornos desde que passou a receber séries e filmes originais no Paramount+. Cada estreia busca equilibrar nostalgia e inovação, mesclando formatos que vão do live-action ao desenho animado. A aceitação tem variado, muito em função das escolhas de direção, roteiro e do trabalho do elenco.
Com foco na performance dos atores e no pulso criativo por trás das câmeras, o 365 Filmes revisita oito episódios ou filmes de estreia, ranqueando do resultado menos impactante ao mais elogiado. A seguir, veja como cada produção se saiu em termos de interpretação, ritmo narrativo e fidelidade à essência da franquia.
Star Trek: Section 31 – ação competente, mas elenco subaproveitado
Dirigido por Olatunde Osunsanmi e escrito por Craig Sweeny, Section 31 chegou como longa-metragem derivado de uma série que nunca se concretizou. A aventura de 90 minutos traz Michelle Yeoh na pele da imperatriz Philippa Georgiou, mas, apesar do carisma natural da atriz, o roteiro não oferece espaço suficiente para explorar nuances de espionagem.
Críticos apontaram que Yeoh mantém a energia de cenas de combate, porém o texto a isola em sequências de ação genéricas. A falta de tempo para desenvolver coadjuvantes compromete a química em tela, tornando a produção pouco envolvente. Como estreia em formato de filme para streaming, Section 31 cumpre o dever de entreter, mas desperdiça um elenco capaz de resultados bem mais complexos.
Short Treks – “Runaway” e o charme pontual de Mary Wiseman
Escrito por Jenny Lumet e Alex Kurtzman, o curta “Runaway” inaugura a antologia Short Treks com direção de Maja Vrvilo. A proposta é simples: apresentar uma mini-história que expande Star Trek: Discovery. Mary Wiseman, como a ensaísta Ensign Tilly, domina os poucos minutos disponíveis, entregando timing cômico e empatia instantânea.
Embora seja facilmente descartável no grande arco da franquia, o episódio confirma a versatilidade de Wiseman, que alterna humor e sensibilidade sem esforço. A limitação de duração, contudo, impede maior aprofundamento dramático. Ainda assim, “Runaway” demonstra como atuações sólidas podem carregar tramas enxutas, reforçando a eficácia de pequenas doses de Star Trek no Paramount+.
Discovery, Picard e Prodigy: três estilos, três desafios de atuação
“The Vulcan Hello”, estreia de Star Trek: Discovery, dirige os holofotes para Sonequa Martin-Green. Sob condução de David Semel e roteiro de Bryan Fuller com Akiva Goldsman, a atriz exibe intensidade ao viver Michael Burnham, oficial dividida entre lógica vulcana e impulsos humanos. A reformulação estética dos klingons e a ausência inicial da USS Discovery, entretanto, distraem parte da audiência, diluindo o impacto emocional.
Imagem: Imagem: Divulgação
Em “Remembrance”, abertura de Star Trek: Picard, Patrick Stewart retorna ao papel-título com melancolia contida, acompanhado por Isa Briones e Alison Pill. A direção de Hanelle M. Culpepper aposta em closes que valorizam expressões faciais, destacando o desgaste do personagem após anos longe da Frota Estelar. O roteiro de Akiva Goldsman e James Duff adiciona mistério sem sacrificar a carga afetiva, garantindo que as atuações bastem para manter o espectador engajado.
Já “Lost & Found”, estreia de Star Trek: Prodigy, escrito por Kevin e Dan Hageman, traz dublagens cheias de vitalidade. O elenco juvenil encarna alienígenas decididos a fugir de um regime opressor, e Kate Mulgrew reveste a Hologram Janeway com autoridade gentil. A animação vibrante, dirigida por Ben Hibon, permite exageros gestuais que combinam com a proposta infanto-juvenil, enquanto o texto planta sementes de valores trekkers para novos públicos.
Lower Decks e Strange New Worlds: humor e clássico de volta à mesa
“Second Contact”, ponto de partida de Star Trek: Lower Decks, mostra a mão certeira do criador Mike McMahan. A direção de Barry J. Kelly mantém ritmo alucinante, e o elenco de voz, liderado por Tawny Newsome e Jack Quaid, dispara piadas sem atrapalhar a coerência interna. A química entre Mariner e Boimler é imediata, fortalecendo o fator rewatch da série. Para muitos críticos, essa estreia resgata a leveza de A Nova Geração, ao mesmo tempo em que satiriza seus clichês.
Em contrapartida, “Strange New Worlds” devolve o tom exploratório clássico à franquia. Akiva Goldsman, acumulando roteiro e direção, explora com elegância o carisma de Anson Mount como Capitão Pike. Ethan Peck imprime juventude ao Spock pré-Kirk, e Christina Chong, como La’an Noonien-Singh, injeta drama pessoal. A fotografia limpa, combinada ao design de produção que remete aos anos 1960, faz a estreia parecer familiar e fresca ao mesmo tempo, reforçando a força de suas atuações.
Vale a pena assistir às estreias de Star Trek no Paramount+?
Analisando a recepção crítica, as estreias de Star Trek no Paramount+ variam de experiências apenas corretas a exibições notáveis de atuação e direção. Section 31 entretém, mas não aprofunda; Short Treks diverte de forma rápida; Discovery, Picard e Prodigy oferecem performances sólidas com desafios de tom; Lower Decks e Strange New Worlds se destacam como combinações eficazes de elenco afiado e roteiros bem ajustados. Para quem busca entender a evolução contemporânea da franquia, conferir esses episódios de abertura continua sendo recomendação recorrente entre especialistas.
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