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    Hijack: segunda temporada mantém suspense, mas tropeça no ritmo episódico

    Matheus AmorimPor Matheus Amorimjaneiro 15, 2026Nenhum comentário4 Minutos de leitura
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    Sam Nelson voltou. Dois anos após usar a lábia para salvar um voo entre Dubai e Londres, o negociador corporativo interpretado por Idris Elba troca o ar rarefeito de um avião pelos túneis do metrô de Berlim. A inversão de papéis — agora ele parece do lado dos sequestradores — dá fôlego inicial ao novo ano de Hijack, série da Apple TV que chegou com um episódio a mais em relação à estreia.

    Com oito capítulos que desembarcam semanalmente, a produção entrega o mesmo cuidado visual e o mesmo jogo de gato-e-rato que marcou a temporada anterior. A diferença principal está na intensidade: o roteiro prefere um suspense em pílulas, o que pode frustrar quem espera por tensão contínua. Ainda assim, há pontos de brilho, sobretudo quando o elenco assume o controle da narrativa.

    Idris Elba sustenta a locomotiva dramática

    A força motriz de Hijack continua sendo Idris Elba. Seu Sam Nelson permanece elegante, racional e com frases curtas que funcionam quase como comandos. O ator consegue sugerir vulnerabilidade mesmo quando sua postura transparece segurança, colocando o público em dúvida sobre quais seriam, afinal, as verdadeiras intenções do personagem. Esse contraste segura os minutos mais parados da trama.

    Enquanto isso, coadjuvantes ganham espaço ao redor de Sam — destaque para Julia Deakin, que retorna como Claire Paxton, e para novos rostos da polícia alemã. Mesmo com diálogos expositivos, o elenco alemão injeta credibilidade, ajudando na sensação de urgência dentro da central de controle. O problema é que a série raramente aprofunda esses personagens, tratando boa parte deles como peças de xadrez que se movem apenas para alimentar reviravoltas.

    Roteiro equilibra complexidade e conveniências

    A sala de roteiristas comandada por George Kay repete a fórmula do “quase absurdo, mas plausível”. Cada informação é liberada a conta-gotas, o que, num primeiro momento, mantém o mistério sobre a motivação do sequestro. Contudo, há momentos em que a ausência deliberada de explicação soa como muleta narrativa. Alguns comportamentos dos reféns — e até de Sam — desafiam o bom senso, enfraquecendo a imersão.

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    Mesmo assim, a estrutura em oito episódios demonstra planejamento. O evento principal ocupa o centro da tela enquanto pequenas subtramas orbitam o trem: disputas internas na polícia alemã, tensões diplomáticas e referências ao trauma vivido no voo da primeira temporada. Nada disso é desenvolvido a fundo, mas serve de ponte para comentários sobre segurança pública na Europa e a mecânica de negociação em crises.

    Direção mantém brilho visual, mas falta urgência

    Jim Field Smith divide a direção com Mo Ali e repete a limpeza estética do ano anterior. A fotografia capta o vagão lotado com ângulos fechados que ressaltam o calor humano — mesmo quando a situação é fria, literalmente, no exterior nevado de Berlim. Planos longos acompanham Sam pelos corredores do trem, reforçando a sensação de claustrofobia.

    Hijack: segunda temporada mantém suspense, mas tropeça no ritmo episódico - Imagem do artigo original

    Imagem: Imagem: Divulgação

    Por outro lado, o ritmo sofre. Diferentemente de thrillers que apostam em tensão permanente, Hijack prefere picos de adrenalina seguidos de longas pausas explicativas. Essa alternância funciona bem quando maratonada, mas se torna cansativa no esquema semanal. Não à toa, produtores optaram por esticar a narrativa em oito partes, decisão que abre espaço para cliffhangers, mas também para a dispersão da atenção.

    Trilha e design sonoro valorizam cada respiração

    A equipe de som merece menção. O ranger dos trilhos, o eco dos alto-falantes na estação e o murmúrio dos reféns compõem um pano de fundo que amplifica a ansiedade. A trilha usa notas eletrônicas discretas, surgindo apenas para sublinhar viradas-chave, evitando exageros melodramáticos.

    Esse cuidado técnico reforça o ar premium que a Apple TV busca em suas produções. Entretanto, a elegância visual e sonora contrasta com a falta de profundidade emocional denunciada por vários críticos. Sem conhecer a vida pregressa dos passageiros, o espectador acaba se importando menos com seus destinos, confiando quase exclusivamente no carisma de Elba para se manter engajado.

    Vale a pena assistir à segunda temporada de Hijack?

    Para quem curte sequestros fictícios e aprecia maratonar produções de ação, a série entrega um pacote competente, embora previsível. Idris Elba continua hipnótico e o acabamento técnico impressiona, mas o roteiro ainda hesita em sair da rota segura. A recomendação do 365 Filmes é simples: aguarde o último episódio chegar e assista de uma vez; assim, os intervalos de calmaria não diluem o impacto das reviravoltas.

    Este conteúdo foi publicado originalmente no 365Filmes. A reprodução total ou parcial é permitida apenas mediante a citação da fonte, com link direto (dofollow) para o artigo original, garantindo a correta atribuição de autoria e a credibilidade da informação.

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    Matheus Amorim
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    Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes (CNPJ: 48.363.896/0001-08). Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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