Prime Video lançou Steal e logo reacendeu o apetite do público por tramas cheias de reviravoltas, dilemas morais e batimentos cardíacos acelerados. Quem maratonou os seis episódios em um fim de semana talvez já procure outra dose de adrenalina.
Para ajudar nessa busca, o 365 Filmes reuniu dez produções que exploram crimes complexos, personagens ambíguos e tensões que não dão trégua. A lista destaca o trabalho dos elencos, o pulso firme de diretores e as escolhas de roteiro que fazem cada título merecer atenção.
The Blacklist: James Spader carrega o jogo duplo nas costas
Durante dez temporadas, James Spader transformou Raymond Reddington em um dos anti-heróis mais magnéticos da TV. Seu desempenho equilibra charme, ironia e ameaças veladas, sustentando o suspense enquanto o FBI corre para deter cada novo nome da célebre “lista negra”.
A direção alterna episódios mais contidos com set pieces de ação, permitindo que as nuances do protagonista se sobreponham aos tiroteios. Criada por Jon Bokenkamp, a série aposta em fotografia sombria e trilha pulsante para sublinhar o clima conspiratório. Resultado: um thriller de rede aberta que parece produção de streaming.
The Asset: sutileza dinamarquesa e conflito interno
Na ficção da Netflix, a cadete Clara Dessau (Ted Lind) mergulha no submundo das drogas fingindo amizade com a esposa de um chefão. O tom contido, quase frio, destaca a pressão psicológica que corrói a protagonista a cada mentira contada.
Os diretores dinamarqueses privilegiam planos fechados e silenciosos, reforçando o efeito claustrofóbico do disfarce. Cada mínima expressão facial vale mais que uma explosão, lembrando o poder de uma atuação precisa sobre a simples espetacularização do crime.
Good Girls: humor ácido e tensão doméstica
Christina Hendricks, Mae Whitman e Retta fazem de três donas de casa endividadas anti-heroínas improváveis. A química entre elas sustenta a série, que usa piadas rápidas para mascarar riscos reais — sequestros, facções e lavagem de dinheiro.
A criadora Jenna Bans alterna tons: situações cotidianas ganham tratamento de filme noir, enquanto diálogos afiados iluminam a profundidade emocional das personagens. O contraste rende um suspense criminal distinto, onde a gargalhada pode virar pavor em segundos.
Kaleidoscope: Giancarlo Esposito lidera quebra-cabeça narrativo
Cada espectador escolhe a ordem dos episódios, mas Giancarlo Esposito garante coerência ao papel de Leo Pap, mentor do roubo bilionário. Sua presença segura, quase paternal, guia o público em qualquer sequência cronológica.
O criador Robert Townsend dirige com estilo cinematográfico, investindo em design de produção que justifica o título: cores, códigos e capítulos que se complementam. A inovação estrutural amplia a tensão, provando que forma e conteúdo podem conspirar juntos.
Sneaky Pete: Giovanni Ribisi vive o impostor carismático
Produzida por Bryan Cranston, a trama coloca Ribisi na pele de um vigarista que rouba a identidade do ex-colega de cela. A graça está em vê-lo equilibrar afeto genuíno pela “nova família” e o medo constante de ser desmascarado.
Os diretores mantêm ritmo ágil, usando cliffhangers curtos e diálogos rápidos para refletir o pensamento acelerado do protagonista. O suspense deriva da mentira, não da violência, lembrando o recente drama italiano O Falsário, que também investiga o preço de enganar pela arte.
Cross: Aldis Hodge humaniza o detetive genial
Na adaptação dos livros de James Patterson, Hodge entrega um Alex Cross metódico, mas vulnerável. A dor pela morte da esposa atravessa cada caso, elevando o peso emocional do thriller.
Imagem: Jas Berlin
Ben Watkins, roteirista-chefe, privilegia investigações que expõem a lógica do protagonista, enquanto a direção de Nzingha Stewart trabalha cortes rápidos para simular o raciocínio quase fotográfico de Cross. O resultado lembra o realismo de O Patrão: Radiografia de um Crime, embora com escala maior.
Leverage: estratégia acima da força bruta
Timothy Hutton lidera grupo de ex-criminosos que virou agência de “Robin Hoods corporativos”. A série se apoia no timing cômico de Beth Riesgraf e Christian Kane, especialistas em golpes quase impossíveis.
Em vez de corridas armadas, a tensão nasce da preparação meticulosa — close em gadgets, plantas de prédios e disfarces. Na era das produções grandiosas, Leverage prova que um roteiro engenhoso gera suspense criminal tão convincente quanto explosões.
The Night Manager: Tom Hiddleston sob direção luxuosa
Baseado em John le Carré, o drama alinha espionagem e crime de forma elegante. Hiddleston, guiado por Susanne Bier, entrega charme contido enquanto infiltra o império de armas de Hugh Laurie. A minissérie equilibra tensão física — perseguições, torturas — e jogo psicológico.
A fotografia mediterrânea cria contraste entre paisagens paradisíacas e atos sombrios. Cada diálogo carrega subtexto, lembrando a densidade vista no longa Mickey 17, onde a atmosfera sustenta o drama.
His & Hers: fissuras conjugais ampliam o mistério
Tessa Thompson e Jon Bernthal protagonizam investigação que mistura trauma e segredos de casal. O roteiro de Tori Sampson constrói tensão com revelações graduais, enquanto a diretora Anja Marquardt usa planos subjetivos para entrar na mente dos personagens.
Aos poucos, a fronteira entre vida profissional e pessoal se desfaz, e o suspense criminal se transforma em estudo sobre culpa, tema também explorado em Pieces of a Woman.
Money Heist: Espanha exporta adrenalina global
Álvaro Morte encarna O Professor, cérebro frio que orquestra o assalto à Casa da Moeda. A série usa flashbacks para explicar cada passo, permitindo que o espectador participe da estratégia. Quando algo foge do script, a atuação do elenco — destaque para Úrsula Corberó (Tóquio) — mantém a urgência.
O criador Álex Pina dosa ação e debate político, questionando sistemas econômicos sem perder o ritmo. O resultado é um clássico moderno do suspense criminal, influenciando até produções futuras de Taylor Sheridan, como The Madison.
Vale a pena mergulhar nessas séries de suspense criminal?
Se Steal deixou vontade de ver mais planos minuciosos, reviravoltas morais e atuações que prendem o olhar, qualquer título desta lista entrega esses elementos. Do charme ameaçador de James Spader ao labirinto narrativo de Kaleidoscope, cada produção aprofunda o gênero com estilo próprio. Escolha a que melhor combina com seu humor e prepare-se para noites de maratona e teorias conspiratórias.
Este conteúdo foi publicado originalmente no 365Filmes. A reprodução total ou parcial é permitida apenas mediante a citação da fonte, com link direto (dofollow) para o artigo original, garantindo a correta atribuição de autoria e a credibilidade da informação.
Não perca as novidades do 365 Filmes no Google News!
