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    Zodiac Killer Project: Charlie Shackleton transforma filme engavetado em crítica ao true crime

    Matheus AmorimPor Matheus Amorimnovembro 18, 2025Nenhum comentário4 Minutos de leitura
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    Charlie Shackleton volta aos holofotes com Zodiac Killer Project, longa que investiga não o assassino do Zodíaco em si, mas o fracasso de um filme sobre ele. O diretor britânico, conhecido pela performance-protesto Paint Drying, reaparece para questionar a febre de documentários criminais que domina o streaming.

    Nesta produção de 92 minutos, Shackleton narra em primeira pessoa os obstáculos que paralisaram sua adaptação do livro The Zodiac Killer Cover-Up: The Silenced Badge, do ex-policial Lyndon E. Lafferty. O resultado mistura confissão pessoal, ensaio audiovisual e autocrítica, aproximando criador e público numa experiência tão curiosa quanto reflexiva.

    Sinopse e origem do projeto

    Zodiac Killer Project nasceu como uma tentativa de dramatizar a investigação de Lafferty, patrulheiro da Califórnia que passou anos perseguindo o suspeito George Russell Tucker. Tudo caminhava para as filmagens até que, de repente, a família do autor retirou os direitos da obra. A interrupção forçou Shackleton a repensar o material acumulado e encontrar outra forma de aproveitá-lo.

    Da frustração surgiu a ideia de transformar os bastidores em tema principal. O cineasta gravou locuções detalhando cenas que nunca existiram, sobrevoou locais reais dos crimes e montou sequências estáticas de Vallejo e arredores, cenário preferido do Zodíaco nos anos 1960. Entre uma imagem e outra, sua voz pondera falhas éticas do true crime e ironiza clichês narrativos do gênero.

    Charlie Shackleton e a relação com o true crime

    O diretor, que também é crítico de cinema, utiliza a própria decepção como fio condutor para questionar a “indústria do medo”. Ele compara a avalanche de séries criminais às decisões de executivos que aprovam qualquer projeto, contanto que prenda assinantes. “Se você acredita que faz o bem maior, quase não há linha ética”, observa em certo momento.

    Ao mesmo tempo, admite ser impossível fugir de alguns truques de linguagem. Ele mesmo lança mão de encenações rápidas, enquadramentos em corte transversal e gráficos de investigação, tudo para expor como esse repertório virou receita pronta. A autossatirização lembra o clássico Los Angeles Plays Itself, de Thom Andersen, ao desconstruir símbolos e maneirismos do audiovisual.

    Paralelos com Paint Drying e outros trabalhos

    Shackleton havia provocado a censura britânica em 2016 com Paint Drying, filme de dez horas exibindo apenas tinta secando. A obra virou lenda no Letterboxd, onde usuários passaram a compartilhar memórias pessoais em vez de falar do longa. Esse “segundo ato” inesperado inspirou o cineasta a tomar controle do destino de seus projetos, aspecto que se repete em Zodiac Killer Project.

    Tal como Paint Drying, o novo documentário transborda metalinguagem. Aqui, porém, há um olhar confessional: Shackleton ri das próprias ambições enquanto lembra a obsessão de Lafferty por Tucker. Quando relata a tentativa frustrada do ex-policial de coletar digitais do suspeito, a frustração ecoa no diretor, evidenciando como artista e investigador partilham o mesmo abismo entre desejo e realidade.

    Duração, formato e tom narrativo

    Com 92 minutos de duração, o filme adota ritmo contemplativo. Imagens planas e silenciosas sustentam a spoken word de Shackleton, cuja entonação calorosa contrasta com o assunto sombrio. O resultado entrega uma experiência quase hipnótica: nada acontece em cena, mas o espectador é mantido em alerta pela expectativa do que poderia ocorrer.

    Zodiac Killer Project: Charlie Shackleton transforma filme engavetado em crítica ao true crime - Imagem do artigo

    Imagem: Imagem: Divulgação

    Essa escolha narrativa reforça a tese central: a promessa de revelação costuma atrair mais que a própria verdade. Ao convidar o público a imaginar o longa que nunca foi rodado, o diretor questiona nossa compulsão por respostas definitivas em casos não solucionados, como o do Zodíaco.

    Datas de estreia e ficha técnica

    Zodiac Killer Project chega primeiro aos Estados Unidos: dia 21 de novembro em Nova York e 25 de novembro em Los Angeles. O lançamento no Reino Unido acontece em 28 de novembro. Uma distribuição mais ampla está prevista para 27 de janeiro de 2025.

    A produção é assinada por Catherine Bray, parceira frequente de Shackleton, e mantém foco exclusivo no formato documental. O selo independente mantém a liberdade criativa que sustenta o discurso crítico do diretor, reforçando o caráter autoral já conhecido pelo público do 365 Filmes.

    Equipe principal

    Direção: Charlie Shackleton
    Produção: Catherine Bray
    Gênero: Documentário
    Tempo de projeção: 92 minutos

    Repercussão e avaliação inicial

    A imprensa internacional tem destacado a ousadia do projeto, que recebeu 8/10 em avaliação preliminar. Críticos apontam o equilíbrio entre humor, autorreflexão e investigação midiática como um passo além na carreira do cineasta. A recepção reforça o potencial do filme para dialogar tanto com entusiastas de true crime quanto com quem questiona os limites desse tipo de produção.

    Com estreia marcada para novembro, Zodiac Killer Project promete reacender o debate sobre ética documental e fazer o espectador ponderar se a curiosidade pelo crime não diz mais sobre nós do que sobre o criminoso em si.

    Este conteúdo foi publicado originalmente no 365Filmes. A reprodução total ou parcial é permitida apenas mediante a citação da fonte, com link direto (dofollow) para o artigo original, garantindo a correta atribuição de autoria e a credibilidade da informação.

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    Matheus Amorim
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    Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes (CNPJ: 48.363.896/0001-08). Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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