Uma pequena cidade dominada pela religiosidade serve de palco para o enigma mais sombrio da franquia de Rian Johnson. É ali que Benoit Blanc se vê frente a uma cadeia de mortes, reviravoltas e reflexões sobre fé, culpa e empatia.
Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery chega aos cinemas em 26 de novembro de 2025 com 140 minutos de intrigas, quatro mortes presentes, duas no passado e um diamante que desperta ganância. A seguir, detalhamos, sem rodeios, quem morre, quem é o assassino e por que tudo aconteceu.
O mistério central: a morte do Monsenhor Jefferson Wicks
O caso começa com o assassinato do Monsenhor Jefferson Wicks, líder espiritual conhecido por sermões impiedosos. O primeiro suspeito é o reverendo Jud Duplenticy, que discordava abertamente do estilo agressivo do padre. Também pesam contra Jud desavenças antigas envolvendo segredos da congregação.
No entanto, investigações de Blanc revelam uma conspiração maior. Wicks foi morto para proteger um diamante herdado do avô, objeto que ele planejava retirar do túmulo da família. Martha Delacroix, paroquiana fiel, sentiu-se responsável por manter a pedra longe de mãos ambiciosas e recrutou o médico Nicks e o companheiro Samson para executar o crime. Martha costurou uma faca falsa na batina de Wicks, drogou o recipiente de bebida do padre e deixou que Nicks aplicasse o golpe fatal com a lâmina verdadeira.
Quantas mortes acontecem no filme
Além de Wicks, outras três pessoas morrem no presente. Samson, disfarçado como o padre no suposto “milagre” da ressurreição, é eliminado por Nicks quando tenta proteger a joia. A própria Martha envenena Nicks após descobrir a traição dele. Por fim, tomada pelo remorso, Martha ingere a mesma dose letal de medicamento que usou no médico, dirige-se à igreja para confessar tudo e morre depois de receber os últimos ritos de Jud.
Os falecimentos do avô de Wicks e de Grace Wicks, mãe do padre, também têm peso narrativo, assim como a revelação de que Jud já tirou uma vida antes de se tornar religioso. Ao todo, o longa mostra uma contagem de mortes superior às de Entre Facas e Segredos e Glass Onion, ampliando o impacto dramático da série.
O que o longa revela sobre Benoit Blanc
Durante as apurações, Daniel Craig interpreta um Blanc ainda mais humano. Ele admite ser ateu e relata um passado conflituoso com a própria mãe, religiosa fervorosa. A informação surge de forma breve, porém sugere que sua aversão à fé organizada está ligada a desavenças familiares.
Blanc conclui o caso antes do público, mas decide não expor Martha em praça pública. Em vez disso, finge não conseguir solucionar o crime para garantir que a mulher morra em paz. Tal atitude faz parte da empatia que o personagem demonstrou em toda a trilogia, ressaltando seu apreço pela verdade, mas também pela dignidade humana.

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Quem é a “Mulher Escarlate”
Grace Wicks, mãe do padre, é chamada de “Mulher Escarlate” nos sermões, retratada como alguém que destruiu a igreja em busca das riquezas do pai. Testemunhos de Blanc, Jud e Vera, porém, sugerem que Grace era oprimida pela própria família e virou bode expiatório após a morte.
Martha, em seu leito de morte, percebe que seu ódio pela “herege” foi manipulado por Jefferson Wicks. A cena evidencia o tema do perdão: ao libertar-se do rancor, Martha encontra alívio nos instantes finais, reforçando a ideia de que fé sem empatia é vazia.
Consequências para próximos casos
Quando Blanc declara publicamente que não decifrou o mistério, Cy e Lee Draven utilizam a fala para reforçar a narrativa de milagre. Embora a verdade venha à tona depois, parte da população mantém a crença de que “o melhor detetive do mundo” falhou diante do divino.
Esse detalhe pode complicar futuras investigações na franquia, pois coloca em xeque a reputação de Blanc. Em 365 Filmes, o debate já gira em torno de como a fé cega de alguns personagens poderá interferir em casos posteriores.
Temas de fé e redenção permeiam Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery
O roteiro contrapõe diferentes usos da religião. Wicks e Cy empregam a fé para manipular; Martha a utiliza como justificativa para atos extremos; já Jud enxerga a crença como fonte de perdão. Essa disputa moral conduz todas as viradas, incluindo o deslocamento do diamante e a decisão de Blanc de silenciar parcialmente os fatos.
Mesmo sem acreditar em milagres, o detetive reconhece o valor do lado humano por trás da fé. A conclusão do filme coloca a empatia como força capaz de desafiar crimes meticulosamente planejados, mantendo viva a essência que conquistou o público desde o primeiro Knives Out.
