Um choque de interesses sacudiu o mercado exibidor depois que veio à tona o acordo da Netflix com IMAX para o novo filme de Greta Gerwig em “As Crônicas de Nárnia”. A parceria prevê duas semanas exclusivas nas telas gigantes antes da estreia no streaming.
Tim Richards, fundador e CEO da Vue Entertainment, maior rede de cinemas privada da Europa, não gostou nada da iniciativa. Em carta enviada à revista Variety, o executivo acusou IMAX e Netflix de “privar milhões de famílias” e ameaçar quem respeitar a janela tradicional de exibição.
Críticas diretas ao acordo da Netflix com IMAX
Na mensagem, Richards afirmou que “Nárnia” ficará fora de 99 % das salas do planeta. Segundo ele, apenas complexos dispostos a quebrar a janela padrão receberão o longa, e quem se recusar teria sido alertado sobre uma “opção nuclear” por parte da IMAX.
O CEO da Vue argumenta que o acordo da Netflix com IMAX traria ganhos imediatos para as duas empresas, mas deixaria prejuízo para espectadores e exibidores. “Milhões de famílias que adorariam ver ‘Nárnia’ no cinema serão desnecessariamente impedidas”, escreveu.
IMAX tem menos de 1 % das telas, diz Richards
Richards lembrou que a IMAX representa menos de 1 % dos auditórios mundiais e já não seria “líder tecnológica” no segmento de telas premium. Para ele, a companhia responde por uma fatia mínima do mercado PLF (Premium Large Format) e não deveria ditar o lançamento global de um blockbuster familiar.
Ele citou ainda exemplos de lançamentos recentes, como “Barbie”, sucesso de Greta Gerwig que não passou em IMAX, mas arrecadou 1,5 bilhão de dólares e ficou meses em cartaz. “A própria diretora disse que preferia Dolby Vision e Atmos”, destacou.
Detalhes da nova aventura em Nárnia
O longa de Gerwig adapta “O Sobrinho do Mago”, sexto livro publicado da série criada por C. S. Lewis em 1955. A produção conta com Emma Mackey, Daniel Craig e Carey Mulligan nos papéis principais.
Pelo cronograma atual, a estreia nos cinemas está marcada para 26 de novembro de 2026, enquanto a chegada ao catálogo da Netflix acontece em 25 de dezembro do mesmo ano. O modelo lembra outras estratégias híbridas do streaming, mas com o diferencial da janela exclusivíssima na IMAX.
Comparação com a trilogia original
A primeira adaptação cinematográfica, “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, de 2005, arrecadou 745 milhões de dólares e levou um Oscar. Richards sugere que um lançamento mais amplo para o novo filme poderia repetir – ou superar – esses números.
No passado, boa parte do público de “Nárnia” era composta por famílias e grupos escolares, perfil que, segundo o CEO, não costuma pagar o preço premium das salas IMAX nem esperar semanas pela liberação no streaming.
Por que a polêmica mexe com o setor
O acordo da Netflix com IMAX reacende discussões sobre janelas de exibição, tema sensível desde a pandemia. Redes tradicionais defendem intervalo de 45 a 90 dias entre cinema e streaming, enquanto plataformas testam formatos mais curtos para recuperar investimentos.
Para Tim Richards, acordos restritivos desvalorizam o circuito exibidor convencional e criam precedentes perigosos. Ele teme que futuros cineastas sejam incentivados a seguir o mesmo caminho, reduzindo a oferta de filmes em telas regulares.
Imagem: Imagem: Divulgação
Repercussão entre exibidores
Fontes da indústria apontam que outras redes de cinema compartilham do incômodo, mas poucos executivos se pronunciaram publicamente. A Vue, presente em mercados como Reino Unido, Alemanha e Itália, foi a primeira a divulgar posicionamento oficial.
Analistas lembram que IMAX costuma negociar exclusividade para grandes produções, porém raramente fecha janelas tão curtas ou envolve plataformas de streaming. A situação expõe uma disputa por receitas em um momento de recuperação pós-Covid.
Greta Gerwig no olho do furacão
Embora o desabafo de Richards seja focado na IMAX, o nome de Greta Gerwig aparece como elemento central. A diretora ganhou status de fenômeno após “Barbie” e agora carrega expectativas altas para o universo de “Nárnia”.
Gerwig, de Sacramento, completa 41 anos em 2026 e se firma como uma das cineastas mais prestigiadas de Hollywood. A parceria com a Netflix foi anunciada como “multi-projeto”, indicando novas adaptações caso o primeiro filme performe bem.
O que está em jogo para o público
Para fãs de fantasia – e até para quem acompanha novelas e doramas aqui no 365 Filmes – a discussão vai além do entretenimento. Ela define onde, quando e como cada espectador poderá assistir a uma obra aguardada há décadas.
Quem não tiver acesso a uma sala IMAX pode esperar quase um mês até a liberação na plataforma, enquanto exibidores tradicionais possivelmente ficarão de fora da festa. Essa lacuna reflete o dilema atual entre conveniência digital e a experiência coletiva da sala escura.
Próximos passos do acordo da Netflix com IMAX
Até o momento, nenhuma das empresas envolvidas respondeu publicamente às críticas. O cronograma de lançamento segue inalterado, mas bastidores indicam que negociações continuam para tentar ampliar a distribuição após a janela IMAX.
Exibidores especulam sobre eventuais boicotes ou ajustes finais. Caso a repercussão negativa cresça, Netflix e IMAX podem revisar termos para mitigar o desgaste com redes de cinema que compõem a base de receita global.
Mercado observa com atenção
O resultado desse embate servirá de referência para futuros acordos entre plataformas de streaming e formatos premium. Se a estratégia se mostrar lucrativa, novos títulos podem adotar modelo semelhante, pressionando ainda mais a janela tradicional.
Por ora, a estreia de “O Sobrinho do Mago” permanece agendada, e o público aguarda para saber se assistirá ao retorno a Nárnia em tela grande de acesso amplo ou em circuito limitado. Enquanto isso, o acordo da Netflix com IMAX segue no centro do debate sobre o futuro da exibição cinematográfica.
