A Universal Pictures comemora resultados recordes com “Wicked: For Good”, segundo capítulo da adaptação do musical da Broadway. O estúdio, porém, já se vê diante de um dilema: como manter o encanto em um possível “Wicked 3”?
Executivos confirmaram que várias ideias de continuidade estão “em andamento”. Ao mesmo tempo, questionamentos sobre trilha sonora, coerência de enredo e expectativa dos fãs apontam para um caminho menos simples do que os números de bilheteria sugerem.
Universal analisa próximos passos para a franquia Wicked
Michael Moses, diretor de marketing da Universal, revelou que diferentes rumos estão sendo mapeados para expandir a saga de Elphaba e Glinda. O executivo afirmou que, “pelo sucesso e pela devoção do público”, o estúdio sente “quase uma responsabilidade” de encontrar formas de seguir em Oz.
O desafio é que não existe uma continuação oficial do musical nos palcos. Enquanto a produção original adapta o romance “Wicked”, de Gregory Maguire, a peça nunca ganhou sequência teatral. Há, no entanto, livros adicionais de Maguire e as obras clássicas de L. Frank Baum, que podem servir de inspiração.
Números de bilheteria reforçam apetite do estúdio
“Wicked: For Good” abriu no fim de semana passado com US$ 150 milhões nos Estados Unidos e US$ 226 milhões no acumulado global. O resultado estabeleceu um novo recorde para adaptações da Broadway e tornou-se a segunda maior estreia doméstica da história da Universal, perdendo apenas para “Jurassic World”.
Mesmo com críticas ligeiramente menos calorosas do que as do primeiro filme, o longa recebeu nota A no CinemaScore, sinal de que o boca a boca deve ser positivo. Em 2024, quando “Wicked” original chegou aos cinemas, o efeito foi semelhante, culminando em uma sustentação forte até o feriado de Ação de Graças.
Obstáculos criativos para um eventual Wicked 3
A discussão sobre um “universo Wicked” ganha força, mas esbarra na própria natureza da obra. Ao contrário de franquias como “Duna”, que possui material posterior claro, o musical não oferece roteiro pronto para avançar. Levar os personagens além do que já se viu exigirá expandir o palco antes de voltar às telas, defendem especialistas.
Relação confusa com O Mágico de Oz
Boa parte do debate nas redes sociais envolve a forma como “Wicked” se conecta ao filme de 1939. A revelação de Fiyero como Espantalho, por exemplo, gera estranhezas porque, no clássico com Judy Garland, a Bruxa Má costuma incendiar o personagem. O choque acontece porque o longa adapta, na verdade, a peça da Broadway, não o roteiro original de Baum ou o filme antigo.
Como a trilha sonora impacta o futuro de Wicked 3
Para “Wicked: For Good”, a Universal pediu ao compositor Stephen Schwartz duas canções inéditas – uma para Elphaba, outra para Glinda. A estratégia ampliou o tempo de tela do Ato II e deixou a produção elegível ao Oscar de Melhor Canção Original, categoria que escapou do primeiro filme.
Imagem: Imagem: Divulgação
O resultado, entretanto, não empolgou parte do público: críticos apontaram quebra de ritmo e músicas que pareceram deslocadas. A decepção alimenta dúvidas sobre a capacidade do time criativo de entregar um repertório inédito à altura dos clássicos “Defying Gravity” e “Popular”.
Recepção em premiações
Antes do lançamento, analistas de temporada de prêmios apostavam que “Wicked: For Good” chegaria como favorita entre as canções originais. Agora, com competidores como “K-Pop Demon Hunters” despontando, a percepção mudou. Se o retorno musical não convencer, a sustentação de um terceiro filme fica menos garantida.
Responsabilidade com os fãs e o legado de Wicked
O vínculo afetivo que o público mantém com a montagem da Broadway é apontado pelo executivo da Universal como o motor para qualquer expansão. Para atender a expectativa, um “Wicked 3” precisaria replicar o prazer de ouvir grandes números musicais e, ao mesmo tempo, oferecer novidade.
Nos bastidores, a urgência comercial de capitalizar o sucesso atual pode conflitar com o tempo necessário para desenvolver canções e roteiro inéditos. A experiência de “For Good” comprova que o fator musical é decisivo: sem novas faixas marcantes, corre-se o risco de não repetir o feito de bilheteria — mesmo com um elenco estrelado como Cynthia Erivo e Ariana Grande.
O que se sabe, por enquanto
• “Wicked 3” ainda não recebeu sinal verde oficial, mas múltiplas propostas estão em avaliação.
• Novos filmes podem explorar livros adicionais de Gregory Maguire ou romances de L. Frank Baum.
• O estúdio considera indispensável envolver compositores e roteiristas capazes de criar músicas impactantes.
• Parte da equipe de “Wicked: For Good”, incluindo o diretor Jon M. Chu, não comentou publicamente sobre retorno.
Para o site 365 Filmes, que acompanha de perto adaptações musicais, o interesse do público por universos fantásticos como Oz segue evidente. Resta saber se a Universal conseguirá traduzir essa demanda em um “Wicked 3” que alinhe roteiro coerente, novas canções memoráveis e a mesma força de bilheteria registrada até aqui.
