A próxima adaptação de The Running Man, dirigida por Edgar Wright, não se limitará à narrativa distópica já conhecida. O roteiro encontrou espaço para uma homenagem a um dos cenários mais icônicos de Stephen King: a enigmática cidade de Derry, palco de It – A Coisa.
Ao cruzar esses dois universos, o longa amplia o mapa compartilhado das obras do autor sem recorrer a sustos sobrenaturais. A combinação promete agradar fãs de longa data e reforça que, mesmo num futuro opressivo, Derry continua resistindo ao tempo — e aos horrores que a cercam.
Derry, Maine, surge como escala decisiva
No segundo ato, o protagonista Ben Richards foge de Boston depois de receber ajuda de Bradley Throckmorton. Orientado a seguir para o norte, ele busca proteção junto ao aliado Elton Parrakis, que vive em Derry com a mãe. O município, famoso entre leitores por ser o lar do palhaço Pennywise, surge aqui como um refúgio temporário.
O filme mostra que o pai de Elton integrava a força policial local antes de ser incorporado pelo exército da FreeVee, corporação responsável pelo violento reality show que dá nome ao longa. Embora a estada em Derry seja breve, a menção evidencia que a cidade sobreviveu, ainda que abalada por tempos difíceis.
Desaparecimento dos Barrens reforça clima distópico
Enquanto Richards busca abrigo, ele descobre que as florestas ao redor de Derry — conhecidas nos livros como os Barrens — foram derrubadas para dar lugar a novos conjuntos habitacionais. O desmatamento simboliza o apagamento de memórias e lendas antigas, alinhando-se à crítica social que The Running Man propõe.
Elton acaba se sacrificando para atrasar os caçadores que perseguem Richards, encaminhando o protagonista a um bunker escondido. Esse curto, porém marcante, retorno a Derry funciona como um aceno para quem acompanha o multiverso de Stephen King, segundo apurou o 365 Filmes.
Por que não há espaço para o sobrenatural
Diferente de boa parte dos textos de King, The Running Man se ancora em ficção científica e distopia, focando na manipulação das massas por governos e conglomerados de mídia. Ao estabelecer que a trama ocorre muito tempo depois dos confrontos entre Pennywise e o Clube dos Otários, a produção sugere que possíveis forças sobrenaturais já não influenciam mais a cidade.
Imagem: MovieStillsDB
A destruição dos Barrens e a transformação de Derry em zona urbana reforçam a ideia de que o perigo, agora, é 100% humano. Sem entidades cósmicas à espreita, o longa enfatiza que a crueldade social basta para instaurar o medo.
Vínculos literários e tradição de easter eggs
Referências cruzadas são comuns no catálogo de Stephen King, seja em histórias intimamente conectadas, como O Iluminado e Doutor Sono, ou em acenos mais sutis. No romance original de 1982, publicado sob o pseudônimo Richard Bachman, já existia uma breve menção a Derry e até a um pequeno campo de pouso local.
A nova adaptação de Wright amplia o easter egg, levando o personagem a percorrer ruas da cidade. A estratégia atende aos fãs que gostam de identificar pontos em comum entre livros, filmes e séries, sem comprometer a linha narrativa principal.
Elenco, equipe e data de lançamento
Com estreia marcada para 14 de novembro de 2025, The Running Man terá Glen Powell no papel de Ben Richards e Josh Brolin como Dan Killian, produtor do mortal programa de TV. Edgar Wright divide o roteiro com Michael Bacall, enquanto Nira Park, George Linder e Simon Kinberg assinam a produção.
Mesmo sem monstros sobrenaturais, a inclusão de Derry coloca a distopia de Richards lado a lado com um dos lugares mais temidos da literatura de King. Para o público, resta aguardar se o simples nome da cidade será suficiente para despertar lembranças — ou arrepios.
