Apresentado no Festival de Toronto, The Choral prometia combinar música, emoção e o peso da Primeira Guerra Mundial. A produção britânica, dirigida por Nicholas Hytner, realmente entrega momentos de potência sonora, porém esbarra em escolhas narrativas que limitam seu alcance.
Ao longo de 113 minutos, o longa alterna passagens inspiradoras com cenas desconexas, deixando a plateia dividida. A seguir, veja como o filme se estrutura, quais pontos se destacam e por que a crítica chegou a uma avaliação intermediária.
Enredo situa coral em vilarejo durante a guerra
The Choral se passa em uma pequena comunidade inglesa, em plena Primeira Guerra. O coral local perde seu regente, convocado para o front, e precisa de um substituto às pressas. Entra em cena o enigmático Dr. Guthrie, interpretado por Ralph Fiennes.
O grupo reúne veteranos interpretados por Mark Addy, Roger Allam, Alun Armstrong e Ron Cook, além de jovens que veem no coral uma chance de paquerar. A nova peça escolhida para ensaio é “The Dream of Gerontius”, de Edward Elgar, uma aposta ambiciosa para tempos tão sombrios.
Ralph Fiennes domina as cenas, mas some cedo
Desde a primeira aparição, Fiennes confere ao Dr. Guthrie um misto de intelectualidade e ironia. O personagem exibe simpatias alemãs e guarda segredos pessoais nunca revelados, elementos que causam desconfiança na vila.
Apesar do fascínio inicial, o roteiro rapidamente empurra Guthrie para o segundo plano. Ele passa a servir apenas como maestro, enquanto a narrativa se dispersa em outros núcleos, desperdiçando o carisma do protagonista.
Subtramas românticas desviam foco do conflito
Com a ameaça do alistamento batendo à porta, os jovens do coral enfrentam dilemas sobre amor e futuro. Surge então um triângulo amoroso inesperado, acompanhado por cenas íntimas que contrastam com o tom supostamente edificante da obra.
Esses desvios narrativos recebem pouco desenvolvimento e se chocam com a atmosfera de esperança que The Choral tenta sustentar. O excesso de personagens dilui o impacto emocional, segundo a crítica apresentada em Toronto.
Imagem: Imagem: Divulgação
Clímax musical quase redime a produção
Quando o coral finalmente executa “The Dream of Gerontius”, Nicholas Hytner alcança o ápice visual e sonoro. A fotografia ilumina os cantores com aura celestial, cada detalhe do palco é capturado e a música ganha vida.
Simon Russell Beale faz breve participação como Edward Elgar, gerando tensão de última hora que some tão rápido quanto chega. Mesmo assim, a cena do concerto entrega a catarse prometida, embora não seja suficiente para apagar tropeços prévios.
Estreia e ficha técnica
The Choral recebeu classificação indicativa para maiores (R) e chegará aos cinemas do Reino Unido em 7 de novembro. A distribuição em outros territórios ainda não foi anunciada.
Dirigido por Nicholas Hytner e escrito por Alan Bennett, o filme conta com produção de Damian Jones, Kevin Loader, Phil Hunt, Eva Yates, Charles Moore e Paul Grindey. O elenco inclui, além de Ralph Fiennes, Roger Allam, Nathan Hall, Oliver Briscombe e Simon Russell Beale.
Com duração de 113 minutos, o drama mistura comédia leve, música e reflexões de guerra, resultando em avaliação 5/10 na média dos críticos em Toronto. No 365 Filmes, seguimos acompanhando novidades sobre The Choral e outras estreias que movimentam o calendário internacional.
Este conteúdo foi publicado originalmente no 365Filmes. A reprodução total ou parcial é permitida apenas mediante a citação da fonte, com link direto (dofollow) para o artigo original, garantindo a correta atribuição de autoria e a credibilidade da informação.
Não perca as novidades do 365 Filmes no Google News!



