Quando “Terminator: Dark Fate” chegou aos cinemas em 2019, o clima era de última chance para a franquia. James Cameron voltava à sala de roteiro e Linda Hamilton reassumia o papel de Sarah Connor, ingredientes que criaram expectativa de redenção.
Hoje, seis anos depois, uma nova olhada no longa mostra que havia, sim, um bom filme à espreita. Os motivos que impediram o sucesso, porém, permanecem claros e ainda dividem fãs e críticos.
Volta ao passado: como “Terminator: Dark Fate” chegou aos cinemas
Entre 2003 e 2015, a série lançou três capítulos considerados de medianos a fracos: “Rise of the Machines”, “Salvation” e “Genisys”. Diante disso, Terminator: Dark Fate nasceu com a proposta de retomar o fôlego original introduzido por James Cameron nos anos 80 e 90.
O estúdio escalou Tim Miller para a direção, enquanto Cameron cuidou da história. Linda Hamilton, ausente desde “O Exterminador do Futuro 2”, voltou ao set ao lado de Arnold Schwarzenegger. O elenco ainda trouxe Gabriel Luna como o novo exterminador Rev-9, Mackenzie Davis como a híbrida do futuro Grace e Natalia Reyes como a jovem Dani Ramos.
Reações no lançamento: críticas e frustrações
Apesar da campanha de marketing intensa, o filme dividiu opiniões assim que estreou. Parte do público reclamou de enredo repetitivo, foco excessivo em nostalgia e, sobretudo, do assassinato de John Connor logo na cena de abertura.
Entre os próprios envolvidos houve desentendimentos públicos. Tim Miller relatou divergências criativas com Cameron. Linda Hamilton admitiu não amar o resultado final. Cameron classificou a produção como “o Terminator do vovô”, enquanto Schwarzenegger apontou problemas de roteiro.
Seis anos depois: o que ainda funciona em “Terminator: Dark Fate”
Vista longe do hype, a espinha dorsal do longa mostra força surpreendente. A Sarah Connor envelhecida de Linda Hamilton, ainda mais cínica e endurecida, serve como elo perfeito entre passado e futuro da saga.
O antagonista Rev-9, vivido por Gabriel Luna, combina esqueleto sólido e liga líquida. Essa fusão permite cenas que homenageiam “O Exterminador do Futuro 2” e, graças ao CGI moderno, apresentam sequências antes impossíveis. O diferencial de se dividir em duas entidades também adiciona tensão inédita.
Dani Ramos à frente do destino
Natalia Reyes interpreta Dani como personagem ativa, que decide reagir em vez de apenas sobreviver. Esse detalhe antecipa o gancho de ela se tornar líder da resistência em vez de simples protegida, solução vista por analistas como mais carismática do que o John adolescente de 1991.
Ação e efeitos visuais
O histórico de Tim Miller em sequências dinâmicas transparece. Golpes hiper-violentos mantêm o tom “meio cartunesco” típico da franquia, mas ainda transmitem impacto físico. Na pré-era COVID, os efeitos digitais alcançaram nível que se sustenta bem até hoje.
Imagem: Imagem: Divulgação
Pontos que impedem um lugar entre os grandes
A decisão de eliminar John Connor já nos primeiros minutos é apontada como principal tropeço. Além de afastar fãs antigos, a solução apaga anos de construção de uma só vez e estabelece clima amargo logo de saída.
Especialistas sugerem que manter John vivo durante boa parte da trama, revelando seu destino apenas perto do clímax, teria preservado a emotividade de Sarah sem provocar choque imediato.
A entrada de Carl, o T-800 aposentado
Outro fator controverso surge na metade do filme, quando entra em cena Carl, um exterminador reformado que virou instalador de cortinas. O retorno de Schwarzenegger segura todos os holofotes e reduz o espaço para Grace e Dani evoluírem como protagonistas.
O tom cômico do personagem — piadas sobre relacionamento e estampas de poá — quebra a gravidade construída até ali, deixando a produção à beira da paródia segundo comentários recorrentes.
Consequências dessas escolhas
Com Carl roubando a cena e a morte precoce de John, “Terminator: Dark Fate” perde a chance de ser o primeiro capítulo verdadeiramente elogiado desde “O Exterminador do Futuro 2”. Ainda assim, o longa exibe um “núcleo” de ideias fortes, suficiente para muitos o considerarem o melhor desde 1991 — ainda que essa avaliação seja, ironicamente, modesta.
O legado revisto
Para os leitores do 365 Filmes, a revisão de Terminator: Dark Fate mostra que a produção não é mero repeteco. Há performances sólidas, vilão inventivo e ação eficiente escondidos sob decisões narrativas polêmicas.
Se o filme tivesse resistido ao fan service excessivo e protegido melhor seus personagens centrais, talvez ocupasse hoje um lugar de honra ao lado dos clássicos originais. Por enquanto, segue como capítulo divisivo, mas repleto de elementos que valem redescoberta.
Este conteúdo foi publicado originalmente no 365Filmes. A reprodução total ou parcial é permitida apenas mediante a citação da fonte, com link direto (dofollow) para o artigo original, garantindo a correta atribuição de autoria e a credibilidade da informação.
Não perca as novidades do 365 Filmes no Google News!



