Para nós, no portal 365Filmes, produções britânicas sempre escondem um humor cortante e irresistível. A série Sweetpea chegou de fininho ao catálogo do Prime Video e rapidamente se tornou o assunto das redes sociais. A criadora Kirstie Swain aposta em uma premissa provocativa: o que acontece quando a pessoa mais ignorada da sala decide que já chega de sofrer calada?
A trama acompanha a apagada Rhiannon Lewis, uma jovem que engole humilhações diárias no trabalho e na vida pessoal sem reclamar. Quando o seu pai falece e o luto bate à porta de forma devastadora, o último fio de sanidade se rompe. Como sempre pontuamos na nossa seção de críticas, a transformação mental de vítima em carrasco é um gatilho que prende o público instantaneamente.
Ella Purnell brilha entre a fragilidade e o banho de sangue de Sweetpea
O maior trunfo narrativo de Sweetpea é a escolha cirúrgica de sua protagonista. A atriz Ella Purnell, que roubou a cena como a inocente e letal Lucy no fenômeno mundial Fallout, entrega uma performance assustadoramente magnética. Ela carrega o peso de viver uma mulher completamente invisível que descobre o poder viciante e perigoso do assassinato à sangue frio.
Purnell transita maravilhosamente entre a timidez patológica e a fúria cega de uma vigilante noturna. Quem a viu como a valente Jinx na aclamada animação Arcane sabe que ela domina personagens psicologicamente fraturadas. O roteiro exige que ela cometa crimes brutais e, no minuto seguinte, responda mensagens triviais no celular, criando um contraste muito bizarro e cômico.
Os atores coadjuvantes servem como âncoras para manter o universo da protagonista perfeitamente banal. O veterano Jeremy Swift, eternizado como o adorável e leal Higgins na premiada comédia Ted Lasso, ajuda a contrastar a loucura escondida de Rhiannon. Jonathan Pointing também compõe bem o núcleo da amizade, garantindo que o mundo ao redor ignore o monstro em formação.
O humor ácido e o caos após puxar o gatilho da fúria
Sweetpea foge daquela velha glamourização plástica que Hollywood costuma dar aos temidos assassinos em série. Em vez de uma mente criminosa brilhante e inatingível, vemos uma garota comum lidando com a sujeira real de esconder um cadáver. O humor ácido britânico nasce justamente dessas situações absurdas e de puro constrangimento prático após a execução da sonhada vingança.
Cada episódio carrega a sombra sufocante de que um mínimo detalhe fora do lugar vai arruinar a liberdade da protagonista. Rhiannon não mata vilões caricatos com planos malignos, ela elimina pessoas que simplesmente cruzaram o seu limite de paciência no dia a dia. Esse flerte perigoso com a moralidade corrompida transforma a maratona em um enorme e delicioso sentimento de culpa.
Furos de roteiro e o grave apagão da lógica digital
Apesar do ritmo frenético e divertido, a direção peca gravemente ao subestimar a inteligência do seu espectador contemporâneo. O roteiro exige uma suspensão de descrença gigantesca em relação ao nosso mundo digitalmente vigiado. Câmeras de segurança em vias públicas, rastreamento de celulares e históricos de pesquisa simplesmente somem da equação criminal quando convém aos escritores.
Em um suspense psicológico moderno, ignorar o óbvio rastro tecnológico que deixamos diariamente é um tropeço muito imperdoável. A produção até tenta inventar desculpas esfarrapadas para contornar a tecnologia, mas as justificativas são preguiçosas e não convencem ninguém. Quem busca um thriller realista e com investigações policiais minuciosas, certamente vai se irritar com esses atalhos.

A vingança imperfeita vale o seu tempo livre?
Mesmo com derrapagens lógicas evidentes, a jornada caótica de Rhiannon Lewis funciona como um entretenimento rápido e viciante na televisão. Os capítulos enxutos de 45 minutos nunca deixam a peteca do ritmo cair na monotonia do tédio. A série diverte justamente por abraçar o desconforto de uma fantasia obscura de fazer justiça social com as próprias mãos calejadas.
Sweetpea não tem a menor intenção de entregar o plano do crime cinematográfico perfeito, mas sim o colapso irreversível de alguém que cansou de ser um fantasma. Se você conseguir ignorar a facilidade com que a protagonista burla o sistema de segurança da cidade, a diversão estará garantida. É a prova clara de que a invisibilidade social pode ser a maior arma de todas.
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