O cinema nacional tem um talento imenso para tocar em feridas muito reais. Recém-chegado ao catálogo da Netflix Brasil, o suspense Salve Rosa escalou rapidamente para o topo dos mais assistidos. A obra de 1 hora e 35 minutos choca o público ao expor o lado adoecido da fama digital na infância.
A direção de Susanna Lira foca nos bastidores nada bonitos da internet de forma corajosa. A trama acompanha Rosa, uma garota de 13 anos com milhões de seguidores que sofre nas mãos de uma mãe controladora. Como sempre notamos em nossa seção de críticas, o tema principal não poderia ser mais coerente e triste com a nossa atual realidade.
Klara Castanho e Karine Teles brilham em #Salve Rosa
O peso do drama funciona graças ao grande talento da dupla principal de atrizes. Klara Castanho, que já mostrou imensa força na pesada e tensa série Bom Dia, Verônica, entrega uma atuação cheia de dor. Ela vive Rosa, uma adolescente exausta que desmaia na escola devido à intensa rotina de trabalho escravo mascarado de brincadeira.
Do outro lado, Karine Teles constrói uma vilã controladora que soa muito assustadora. A atriz, eternizada pela sua patroa preconceituosa no aclamado sucesso Que Horas Ela Volta?, vive a mãe Dora. Ela gerencia a dieta, o celular e os passos da filha, revelando uma obsessão tóxica e onipresente que esconde segredos muito estranhos.
O ritmo acelera e a direção perde o controle no final
O roteiro de Salve Rosa, escrito por Ângela Hirata Fabri e Mara Lobão constrói a paranoia de forma envolvente no início. Rosa começa a investigar o seu próprio passado após o desmaio e percebe que sua vida é uma mentira perigosa. A angústia de morar presa com o inimigo prende a atenção de quem está no sofá assistindo ao drama.
No entanto, a produção sofre muito com a falta de profundidade e escorrega na sua execução. Nos momentos finais da projeção, os eventos e as grandes respostas se desdobram de uma forma rápida e superficial demais. A direção não consegue amarrar as pontas investigativas com a clareza necessária, deixando muito a desejar no desfecho.
A fuga covarde da vilã e o destino trágico da jovem
A resolução da história de Salve Rosa é um verdadeiro soco no estômago de quem acompanha o caso. Pressionada pelas autoridades e sem nenhuma saída lógica, a mãe abusiva toma a pior decisão possível para escapar da prisão. Dora simplesmente droga a própria filha até a overdose e a abandona sozinha na casa para fugir do país.
O som perturbador do monitor cardíaco apitando sem parar na ambulância sela o destino cruel da jovem protagonista. A obra encerra com Dora já em outro país da América Latina, grávida novamente, provando que o seu plano cruel deu certo. A frase final estampada na tela, “Salvem as rosas”, deixa muito claro o tom de alerta da película.

Crítica: A mensagem social supera as falhas de roteiro
Apesar do tropeço evidente na pressa do terceiro ato, o título nacional surpreende o assinante positivamente. O alerta contra a exploração financeira e mental de crianças na internet é feito com um sucesso inegável pelos criadores. É uma forte denúncia social fantasiada de entretenimento que precisa ser assistida e debatida por todos os pais.
Salve Rosa passa longe de ser um suspense tecnicamente impecável e poderia ter aprofundado as investigações. Porém, a coragem de jogar a sujeira e a exaustão das redes sociais no ventilador justifica totalmente o seu enorme sucesso de visualizações. O gosto amargo deixado pela cena de encerramento cumpre muito bem o seu propósito de incomodar.
Apesar do tropeço evidente na pressa do terceiro ato, o título nacional surpreende o assinante positivamente. O alerta contra a exploração financeira e mental de crianças na internet é feito com um sucesso inegável pelos criadores. É uma forte denúncia social fantasiada de entretenimento que precisa ser assistida e debatida por todos os pais.
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