Ridley Scott voltou a mexer com a comunidade cinéfila ao comparar dois de seus próprios trabalhos. Durante conversa publicada no Letterboxd, o cineasta garantiu que G.I. Jane, de 1997, é “o melhor filme pró-mulher já feito”, superando inclusive o cultuado Thelma & Louise, de 1991.
A declaração surpreende porque Thelma & Louise é celebrado há mais de três décadas como marco feminista, indicado a seis Oscars e preservado pelo National Film Registry. Já G.I. Jane recebeu acolhida morna da crítica e rendeu a Demi Moore até um Framboesa de Ouro.
O que Ridley Scott realmente disse
Na entrevista, Scott elogiou a ideia central de The Substance, terror estrelado por Demi Moore que chega aos cinemas em 2024, mas criticou o desfecho do longa. Em seguida, usou G.I. Jane como exemplo de narrativa que, segundo ele, coloca uma mulher no centro de um conflito duro sem perder o controle do tom.
“Acho que fizemos um filme muito, muito bom com G.I. Jane. Honestamente, é o melhor filme pró-mulher já realizado, melhor que Thelma & Louise”, resumiu o diretor. Ele também destacou a antagonista interpretada por Anne Bancroft como ponto forte da produção militar.
Por que a comparação chama atenção
Thelma & Louise, protagonizado por Geena Davis e Susan Sarandon, figura em listas de obras inspiradoras do American Film Institute e mantém 87% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes. A dupla de amigas decide cruzar os Estados Unidos e acaba virando foragida após enfrentar violência masculina.
No lado oposto, G.I. Jane acompanha a tenente Jordan O’Neil, primeira mulher a tentar ingressar nos Navy SEALs. A proposta de Scott é mostrar superação física e mental dentro de um sistema militar dominado por homens. O filme, porém, exibe 55% de aprovação crítica e não recebeu indicações ao Oscar.
Recepção do público
Mesmo décadas depois, as pontuações contrastantes continuam: Thelma & Louise ostenta 82% de aprovação popular, enquanto G.I. Jane permanece na casa dos 53%. Esses números ajudam a explicar o espanto com a autoproclamação de Scott.
Entenda o histórico dos dois longas
Thelma & Louise estreou em 24 de maio de 1991, com 130 minutos de duração. A roteirista Callie Khouri levou o Oscar de Melhor Roteiro Original, e o longa entrou em 2016 para o acervo histórico da Biblioteca do Congresso norte-americano.
G.I. Jane chegou aos cinemas em 22 de agosto de 1997, totalizando 125 minutos. Demi Moore interpretou Jordan O’Neil ao lado de Viggo Mortensen, que vive o comandante John James Urgayle. Na temporada de prêmios, o filme saiu de mãos vazias, exceto pelo indesejado Razzie entregue à atriz.
Diferenças de abordagem feminista
Enquanto Thelma & Louise retrata mulheres rompendo regras sociais e fugindo de punições patriarcais, G.I. Jane foca na tentativa de conquistar espaço dentro de uma instituição rígida. Para Scott, a vitória de O’Neil dentro do sistema representa mensagem ainda mais potente de igualdade.
Imagem: Imagem: Divulgação
Reação de fãs e críticos
Nas redes, usuários destacaram a ousadia do diretor em desvalorizar um filme que ele mesmo considera um dos melhores da carreira. Alguns cinéfilos lembraram que Thelma & Louise foi pioneiro ao colocar duas mulheres em papéis de complexidade moral dentro de um road movie policial.
Outros defenderam G.I. Jane como obra à frente de seu tempo ao discutir a presença feminina nas Forças Armadas. A fala de Scott reaqueceu o debate sobre feminismo no cinema e os critérios que definem o que seria um “filme pró-mulher”.
O impacto no legado do diretor
Conhecido por clássicos como Blade Runner e Gladiador, Ridley Scott construiu reputação de franqueza em entrevistas. Ainda assim, a comparação direta entre dois trabalhos próprios reforça a imagem de cineasta que não tem medo de reavaliar a própria filmografia.
Detalhes técnicos que sustentam a polêmica
Nos bastidores de G.I. Jane, Demi Moore raspou a cabeça e passou por treinamento físico intenso, algo raríssimo para atrizes na época. O realismo dessas sequências é constantemente citado por Scott como prova de comprometimento.
No entanto, críticos sugerem que a mensagem se perde em clichês de filmes de guerra. Já Thelma & Louise equilibra ação, drama criminal e sarcasmo, resultando em final icônico que virou símbolo de liberdade feminina.
Dados de bilheteria
Thelma & Louise arrecadou cerca de 45 milhões de dólares nos Estados Unidos, valor robusto para produção de médio orçamento. G.I. Jane somou 48 milhões, mas seu custo mais alto fez o resultado parecer modesto, influenciando a percepção negativa na época.
Novos capítulos podem vir aí
Embora Scott não tenha anunciado projetos semelhantes, ele segue divulgando Napoleão, previsto para 2024. A repercussão de suas palavras já impulsiona discussões sobre possível relançamento de G.I. Jane em streaming, estratégia que muitas plataformas adotam quando um título volta à pauta.
Para os leitores do 365 Filmes, a controvérsia serve como convite a revisitar ambos os longas e formar opinião própria sobre qual deles entrega mensagem feminista mais eficaz.
