Anunciado em janeiro de 2020 como a próxima grande aposta da Disney em fotorealismo, o remake live-action de Bambi acaba de ganhar mais um sinal de alerta. Em entrevista recente, a roteirista Geneva Robertson-Dworet revelou que não recebe qualquer atualização do estúdio há meia década.
A confissão indica que o longa segue sem roteiro final, sem diretora e, principalmente, sem previsão de sair do papel — um baque considerável para a estratégia de revisitar clássicos animados. A seguir, destrinchamos o que aconteceu nos bastidores e o que isso significa para o futuro dos remakes da Disney.
Rumores, anúncio e o silêncio que se prolonga
Quando o projeto foi divulgado, a Disney repetiu a fórmula utilizada em Mogli e O Rei Leão: animação original de 1942, nostalgia e CGI fotorealista. Sarah Polley, vencedora do Oscar de roteiro por Women Talking, foi anunciada como diretora, enquanto Robertson-Dworet (Capitã Marvel) e Lindsey Beer (Sierra Burgess Is a Loser) dividiriam o texto.
Cinco anos depois, nenhum teaser, elenco ou cronograma foi confirmado. Segundo Robertson-Dworet, desde que assumiu a série Fallout, da Prime Video, não houve sequer um e-mail do estúdio sobre Bambi. O silêncio reforça a percepção de que o filme perdeu prioridade dentro da agenda da Disney.
Saída da diretora e dos roteiristas esvazia a equipe
A desistência de Sarah Polley não chega a surpreender. A cineasta vem sendo cortejada por projetos autorais e, sem garantia de que Bambi avançaria, optou por seguir outros caminhos. O mesmo vale para Lindsey Beer, que atualmente gerencia uma sala de roteiristas voltada para franquias juvenis.
Geneva Robertson-Dworet, por sua vez, tornou-se co-criadora de Fallout e somou indicações ao Emmy. Em declaração direta, admitiu que não é “a pessoa certa” para retomar Bambi, dado o compromisso integral com a série. Com a trinca original fora, o longa hoje não possui mapa criativo nem showrunner, etapa decisiva antes da busca por elenco.
Consequências para a linha de remakes da Disney
O hiato de Bambi acontece em paralelo a resultados irregulares. Enquanto A Pequena Sereia e Aladdin faturaram alto, Dumbo (2019) e a futura Branca de Neve (2025) indicam que a nostalgia nem sempre garante bilheteria. Analistas de mercado — e fãs — questionam se títulos muito antigos ainda geram curiosidade em gerações que cresceram no streaming.
Imagem: Imagem: Divulgação
Essa instabilidade já levou o estúdio a pausar Tangled temporariamente e a concentrar recursos em Lilo & Stitch, que ultrapassou US$ 1 bilhão. O sucesso, porém, veio de uma animação dos anos 2000. O padrão reforça a tese de que produções lançadas neste século, como Moana, têm apelo maior junto ao público atual.
Contexto de Hollywood e mudanças de prioridades
Hollywood vive um momento de alternância entre nostalgia e propostas originais. Acordos recentes, como o firmado por Dan Trachtenberg com a Paramount após Predator: Badlands, mostram que estúdios disputam diretores capazes de equilibrar reinvenção e fidelidade a marcas conhecidas. Sem talentos disponíveis, projetos estagnam.
No caso da Disney, a agenda lotada de live-actions e séries para streaming — além de reestruturações internas — dificulta manter todos os anúncios ativos. A própria Robertson-Dworet cita a “carga de trabalho intensa” em Fallout como obstáculo. Em paralelo, obras de suspense, como o thriller que recolocou Homefront entre os tópicos mais comentados, comprovam que o público segue ávido por narrativas fortes, originais ou não.
Vale a pena esperar por Bambi?
A Disney não descarta reacender o projeto, mas qualquer retomada exigiria nova diretora, roteiristas, conceito visual atualizado e um calendário que acomode todas as peças. Por enquanto, Bambi permanece em estado de hibernação, sem elenco fechado e sem data de estreia.
Para quem acompanha 365 Filmes, o conselho é simples: mantenha o clássico de 1942 na memória afetiva e monitore comunicados oficiais. Até lá, o mercado oferece alternativas de sobra, de releituras ousadas — caso de Bambi: The Reckoning, lançado em 2025 — a franquias que expandem universos consagrados, como The Batman 2. Enquanto o cervo não volta a correr pelas telonas, Hollywood segue em movimento.
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