Um pai, um filho adolescente e uma pista quase inexistente: é assim que começa a jornada árida de Sirāt, longa espanhol dirigido por Oliver Laxe que acaba de ganhar trailer oficial. A prévia mostra Sergi López circulando por montanhas de cascalho e festas clandestinas, enquanto tenta descobrir o paradeiro da filha desaparecida.
A produção, que chega primeiro a Nova York e Los Angeles em 6 de fevereiro e depois se expande para outros mercados, já entra na temporada de premiações com moral elevada. Indicações ao Globo de Ouro e presença em cinco shortlists do Oscar de 2026 tornaram o filme Sirāt um dos títulos mais comentados entre os cinéfilos – inclusive aqui na 365 Filmes.
Sinopse de Sirāt: rave, deserto e tensão familiar
No centro do filme Sirāt está Luis (Sergi López), homem de meia-idade que decide cruzar o sul do Marrocos com o filho Esteban (Bruno Núñez) em busca da filha mais velha, dada como desaparecida após uma noitada em raves itinerantes. Os dois seguem pistas fornecidas por outros jovens que vagam entre dunas, música eletrônica e entorpecentes.
O trailer evidencia exatamente esse contraste: de um lado o transe musical, de outro a secura do deserto e a fria urgência de um pai. Logo, tudo degringola para um clima bélico – não à toa, vários planos sugerem confrontos armados, veículos em chamas e ameaças de grupos que patrulham a região. Essa colisão entre caos festivo e tensão quase militar dá o tom de aventura apocalíptica, comparada por críticos ao delírio de uma “bad trip”.
Atuações: Sergi López lidera um elenco imerso no perigo
Veterano do cinema europeu, Sergi López entrega um personagem que combina desespero contido e rigidez paterna. Em poucos minutos de material promocional, nota-se sua capacidade de oscilar entre a melancolia ao mostrar a foto da filha e a fúria latente quando surgem obstáculos. Essa dualidade sustenta o eixo emocional do filme Sirāt.
Ao lado dele, Bruno Núñez, rosto ainda pouco conhecido fora da Espanha, vive Esteban, responsável por puxar o espectador para dentro da ansiedade juvenil. O intérprete carrega expressões alarmadas, mas nunca cai no clichê do adolescente rebelde; em vez disso, assume a dor compartilhada de quem também quer respostas. Já Stefania Gadda e Jade Oukid aparecem como presenças-chave entre os ravers, servindo de ponte entre a família e o submundo festeiro. Embora tenham menos tempo de tela, as duas ajudam a expor que, por trás da batida eletrônica, há vidas em rota de colisão.
Direção e roteiro: Oliver Laxe consolida visão sensorial
Conhecido por Mimosas (2016) e Fire Will Come (2019), Oliver Laxe se firma, mais uma vez, no terreno do realismo místico. Trabalhando em parceria com o roteirista Santiago Fillol, o cineasta constrói uma narrativa em que cada obstáculo físico ecoa conflitos internos. As montanhas marroquinas não são apenas cenário; funcionam como personagem que testa limites de resistência, empatia e sanidade.
A condução de Laxe privilegia longos silêncios e planos abertos, estratégia que amplia a sensação de solidão em meio à imensidão desértica. A trilha sonora, progressiva e pulsante, cria contraste deliberado com esse vazio. O resultado é um filme Sirāt que empilha camadas sensoriais: ora entrega um road movie emocional, ora recorre a imagens quase alucinógenas para sublinhar a atmosfera de ameaça constante.

Imagem: Imagem: Divulgação
Fotografia, som e trilha: recursos que elevam a imersão
Concorrendo a Melhor Fotografia e Melhor Som na próxima edição do Oscar, Sirāt aposta forte na estética. A paleta amarelada, reforçada pela luz árida, deixa tudo com aspecto de sonho febril. Já o desenho de som coloca o espectador dentro da festa, mas também registra, com clareza incômoda, o eco de tiros e o ronco de motores.
Outro destaque é a música original, já indicada ao Globo de Ouro. A trilha migra do techno agressivo para trechos quase meditativos, refletindo a oscilação emocional dos personagens. Essa fluidez sonora ajuda a imprimir ritmo próprio às cenas, algo fundamental quando a narrativa alterna longas caminhadas e explosões repentinas de violência.
Caminho nas premiações: Sirāt cresce como azarão
Até agora, o filme Sirāt conquistou indicações ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Trilha Original. Além disso, aparece nas listas preliminares do Oscar em cinco frentes, incluindo a vaga de representante oficial da Espanha para Filme Internacional. Para um longa de estreia limitada em fevereiro, esse fôlego impressiona.
A concorrência, contudo, não será simples. O longa disputa espaço com títulos como The Secret Agent (já premiado no Critics’ Choice), Sentimental Value e It Was Just an Accident. Caso vença no Globo de Ouro, a obra de Oliver Laxe pode ganhar tração extra junto aos votantes da Academia, mas a janela curta entre estreia e envio de cédulas costuma dificultar campanhas tardias. Mesmo assim, especialistas já veem o filme como “sleeper” da temporada, isto é, aquele candidato que corre por fora e surpreende na reta final.
Vale a pena assistir o filme Sirāt?
Se o trailer sinaliza algo, é a promessa de uma experiência intensa, ancorada em atuações carregadas de urgência e numa direção que privilegia o choque de sensações. Para quem busca cinema que mistura drama familiar, linguagem quase épica e imersão audiovisual, Sirāt desponta como programa obrigatório. O lançamento em fevereiro deverá confirmar se todo esse burburinho se traduz em impacto duradouro nas telonas.
