Quentin Tarantino voltou a causar burburinho ao afirmar que “It”, clássico de Stephen King, seria um simples plágio de “A Hora do Pesadelo”.
A declaração repercutiu rápido, mas um exame minucioso nas datas de criação e nas diferenças entre as obras indica que o diretor exagerou — e muito.
O que Quentin Tarantino disse sobre “It”
Em 2019, durante participação no podcast de Eli Roth, Tarantino disparou que Stephen King teria “pegado a ideia” de Wes Craven e feito sua própria versão. Segundo o cineasta, o palhaço Pennywise seria apenas um Freddy Krueger repaginado.
Ele resumiu o romance de King a “560 páginas” e o classificou como um derivado de “A Hora do Pesadelo”, sucesso slasher de 1984. A fala ecoou nas redes sociais e reavivou o debate sobre possíveis influências entre literatura e cinema de terror.
As diferenças entre Pennywise e Freddy Krueger
Apesar da provocação, “Quentin Tarantino diz que It é plágio” não resiste quando se comparam os vilões. Pennywise é uma entidade interdimensional que se alimenta de medo e assume múltiplas formas para caçar crianças na pacata Derry. Já Freddy Krueger é o espírito vingativo de um assassino infantil que ataca adolescentes durante o sono, usando a fronteira do sonho como arma.
Além disso, a estrutura narrativa de King alterna passado e presente, construindo um extenso painel sobre amizade e traumas de infância. Craven, por sua vez, concentra a história no suspense psicológico e nos sustos imediatos, típicos do slasher oitentista.
Linha do tempo desmonta a acusação
A cronologia é o principal ponto que contradiz a frase “Quentin Tarantino diz que It é plágio”. Stephen King teve a primeira ideia para “It” em 1978 e começou a escrevê-la em 1980. O romance foi publicado em 1986, com mais de 1.000 páginas, o dobro do total citado por Tarantino.
Já “A Hora do Pesadelo” chegou aos cinemas em 1984. Isso significa que boa parte do texto de King já estava rascunhada antes mesmo de Wes Craven rodar seu filme. Portanto, não há evidência de que o escritor tenha se inspirado no assassino dos sonhos para criar seu palhaço cósmico.
Tarantino e o debate sobre influência
Curiosamente, o próprio Tarantino é conhecido por homenagear — alguns diriam copiar — obras que admira. “Kill Bill”, por exemplo, bebe na fonte dos chambara japoneses, dos westerns spaghetti e até de desenhos animados. No entanto, a mistura de referências é vista como assinatura do diretor, não como plágio.
Imagem: Imagem: Divulgação
Por isso, quando “Quentin Tarantino diz que It é plágio”, críticos apontam certa ironia: o cineasta sempre defendeu que inspiração e reinvenção fazem parte da arte. Seus filmes, incluindo “Pulp Fiction” e “Django Livre”, estão repletos de detalhes pinçados de produções anteriores.
Repercussão entre fãs e especialistas
A fala incendiária acendeu debates em fóruns de terror, grupos de leitura e no universo dos cinéfilos. Muitos fãs defenderam King, lembrando que “It” explora temas como bullying, amizade e trauma infantil, distantes do foco vingativo de Freddy Krueger. Outros enxergam apenas a coincidência de ambos os vilões atacarem jovens.
Especialistas literários ressaltam que obras de horror frequentemente compartilham arquétipos: criatura maléfica, medo coletivo e ambientação suburbana. Contudo, compartilhamento de elementos não implica cópia direta, argumento que desmonta a ideia de que “Quentin Tarantino diz que It é plágio”.
Por que a discussão não deve acabar tão cedo
Stephen King continua a vender milhões de livros e a ter suas histórias adaptadas, enquanto Tarantino segue reverenciado como um dos autores mais influentes do cinema moderno. Qualquer choque de opiniões entre esses dois gigantes tende a ganhar manchetes e alimentar o ciclo midiático.
Enquanto isso, leitores e espectadores seguem revisitando “It” e “A Hora do Pesadelo” para tirar suas próprias conclusões. Aqui no 365 Filmes, a polêmica reforça como o terror ainda gera discussões apaixonadas — e, às vezes, controvérsias tão intensas quanto os sustos que proporciona.
No fim das contas, os fatos cronológicos e as diferenças temáticas enfraquecem a acusação de plágio. Mas, como todo bom debate pop, o assunto permanece vivo, alimentado por fãs, críticos e, claro, pelas declarações sempre contundentes de Quentin Tarantino.
