A discussão sobre o destino de Frodo Baggins voltou a ganhar força entre leitores e cinéfilos. Parte do público acredita que, após destruir o Um Anel, o hobbit deveria ter sucumbido às chamas de Mordor, encerrando sua jornada de forma trágica.
O argumento aponta que a morte do protagonista em O Retorno do Rei ampliaria o peso emocional da saga, reforçando o tema de sacrifício que permeia a obra de J.R.R. Tolkien. A seguir, detalhamos os principais pontos levantados por quem defende a ideia.
Missão sem retorno e o possível adeus a Frodo
Conforme a narrativa avança, Frodo e Sam entendem que a viagem ao coração de Mordor pode não ter volta. Fome, exaustão e a influência corruptora do Um Anel tornam cada passo mais arriscado. Para muitos, esses indícios configuram um prenúncio de morte que não se concretiza no filme nem no livro.
Os defensores da teoria sustentam que, caso Frodo caísse na lava junto com o Anel — por escolha própria ou após um momento de lucidez sobre sua corrupção —, o sacrifício simbolizaria a diferença entre a aventura leve de O Hobbit e a guerra sombria de O Senhor dos Anéis. A presença solitária de Sam retornando ao exército perto do Portão Negro ilustraria a perda irreparável do grupo.
Impacto na narrativa e no retorno ao Condado
Outra peça-chave do debate é o retorno dos hobbits ao Condado. Sem Frodo, a limpeza da região dominada por Saruman — episódio conhecido como “Expurgo do Condado” — ganharia contornos de homenagem póstuma. Sam, Merry e Pippin poderiam ver na reconstrução do lar uma forma de eternizar a memória do amigo.
Além disso, ao poupar Frodo, a história inclui o voo das águias para resgatar os heróis. Para quem defende que Frodo deveria ter morrido em O Senhor dos Anéis, a ausência dele tornaria esse detalhe menos necessário, evitando discussões clássicas sobre por que as águias não foram usadas desde o início da missão.
Referências à Primeira Guerra e o motivo de Tolkien preservá-lo
Embora a hipótese trágica seja popular entre fãs, há quem ressalte que a decisão de manter Frodo vivo dialoga diretamente com a biografia de Tolkien. Veterano da Primeira Guerra Mundial, o autor conheceu de perto o trauma dos soldados que voltavam para casa moral e fisicamente marcados.
Ao permitir que Frodo sobreviva, mas carregue feridas incuráveis, Tolkien presta homenagem a esses combatentes. A viagem a Valinor seria, então, uma metáfora de esperança para quem convive com cicatrizes de guerra — algo que, segundo estudiosos, o próprio escritor valorizava.

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A influência dos Valar e o destino além-mar
Em textos posteriores, Tolkien menciona que entidades divinas, como Eru Ilúvatar e os Valar, guiariam indiretamente o desfecho no Monte da Perdição. Nesse contexto, mesmo se Frodo morresse, há quem afirme que os Valar poderiam ressuscitá-lo ou permitir sua presença em Valinor, esvaziando o impacto da tragédia.
Por essa lógica, a escolha de deixá-lo vivo e consciente de sua própria partida ao Oeste reforça o caráter agridoce de sua vitória e mantém intacta a mensagem de compaixão presente em toda a saga.
O papel de Frodo como protagonista trágico
Frodo não é rei, guerreiro ou mago; é um hobbit comum arrancado de sua zona de conforto para realizar um feito impossível. Nesse sentido, sua história já carrega traços de tragédia: ele é corrompido pelo Anel, não consegue destruí-lo por vontade própria e jamais se recupera completamente.
Quem afirma que Frodo deveria ter morrido em O Senhor dos Anéis argumenta que essa conclusão reforçaria o arco trágico, posicionando o personagem ao lado de heróis clássicos que sacrificam tudo por um bem maior. Entretanto, deixar que ele viva para enfrentar as sequelas aprofunda a complexidade do sacrifício, mostrando que nem toda vitória é acompanhada de júbilo.
Legado do debate para fãs e a cultura pop
Mais de duas décadas após o lançamento dos filmes de Peter Jackson, a hipótese continua a gerar discussões acaloradas em fóruns, redes sociais e sites especializados como o 365 Filmes. O fascínio pela ideia se deve, em parte, à riqueza temática da obra e ao desejo dos fãs de explorar realidades alternativas dentro da mitologia da Terra-média.
Enquanto não há previsão de revisitar a história principal em novas adaptações, o debate sobre o destino de Frodo reforça a vitalidade do universo criado por Tolkien — lembrando que, às vezes, imaginar caminhos não percorridos é tão cativante quanto a própria jornada canônica.
