A disputa bilionária entre gigantes do entretenimento ganhou novos capítulos em Bruxelas e Londres. Depois de perder a corrida para adquirir a Warner Bros. Discovery, a Paramount decidiu exportar a batalha contra o acordo Netflix-Warner Bros. Discovery para os bastidores da política europeia.
Fontes próximas às negociações revelaram ao 365 Filmes que o CEO David Ellison percorreu gabinetes influentes para defender a manutenção de janelas de exibição tradicionais e tentar minar a transação avaliada em US$ 83 bilhões.
Conversas com autoridades europeias reforçam ofensiva
Segundo pessoas que acompanham o caso, Ellison desembarcou em Londres no início da semana. Lá se encontrou com a secretária de Cultura britânica, Lisa Nandy, e um time de roteiristas e produtores locais. O executivo apresentou números que, na visão da Paramount, evidenciam riscos de concentração de poder caso o acordo seja sacramentado.
Em Paris, a intensa agenda incluiu reunião com o presidente Emmanuel Macron e encontros reservados com reguladores da União Europeia. A estratégia é simples: convencer Bruxelas a submeter o negócio a um escrutínio extenso, com possíveis restrições à futura gestão de licenças de conteúdo. Especialistas em concorrência afirmam que a Comissão Europeia tende a abrir uma investigação aprofundada, em vez de reprovar sumariamente a fusão.
Proteção às salas de cinema vira argumento central
Num momento em que os cinemas europeus ainda se recuperam dos anos pandêmicos, Ellison recorreu ao discurso da preservação da experiência coletiva. Ele lembrou que a França possui regras rígidas sobre prazos entre estreia no cinema e disponibilização em streaming, e citou o veto do Festival de Cannes a produções bancadas pela Netflix como exemplo de resistência cultural.
Nos bastidores, o CEO também destacou que a Paramount continuaria investindo em lançamentos exclusivos nas telonas, algo que, segundo ele, ficaria comprometido se a Netflix assumisse o controle total do catálogo da Warner Bros. Discovery. Para diretores independentes europeus, qualquer mudança na cadeia de distribuição que reduza a exibição em salas pode representar perda de receita e menor diversidade de títulos nas programações.
Mercado de Hollywood teme impacto na distribuição
Do outro lado do Atlântico, estúdios rivais observam o movimento com apreensão. Embora a Netflix declare disposição para cumprir contratos vigentes de janelas cinematográficas, não há garantia de manutenção desses termos após o vencimento dos acordos. Executivos de estúdios tradicionais receiam que uma possível integração vertical permita ao serviço de streaming reforçar seu modelo de lançamento direto, encurtando ou até eliminando exibições em cinema.
Imagem: Karlis Dzjamko
Esse temor se intensificou depois que a Warner Bros. Discovery colocou-se oficialmente à venda em outubro de 2025 e aceitou a oferta da Netflix dois meses depois, recusando proposta da Paramount de US$ 30 por ação. Desde então, Ellison busca apoio de acionistas minoritários para reabrir negociações e chegou a ingressar na Justiça para obter dados financeiros detalhados da venda, mas o tribunal negou urgência ao pedido.
Próximos passos e avaliação da Comissão Europeia
Para analistas que acompanham casos de concorrência em Bruxelas, o histórico do bloco indica que acordos de grande porte raramente são barrados de imediato. Em vez disso, as autoridades costumam exigir concessões, como manutenção de licenças para terceiros e limites sobre a exclusividade de conteúdo. Ainda assim, o processo tende a se estender por meses, o que pode abrir espaço para novos lances ou mudanças nas condições de mercado.
Enquanto isso, a Paramount pretende intensificar a narrativa de que o acordo Netflix-Warner Bros. Discovery fere a pluralidade cultural europeia. A empresa aposta em coalizões com cineastas, sindicatos de exibição e distribuidores locais para pressionar comissões parlamentares e ministérios da cultura. O resultado desse lobby determinará se a disputa corporativa permanecerá nos tribunais de mercado ou será travada também nas urnas políticas.
Vale a pena acompanhar esse embate?
Para fãs de cinema e séries, os desdobramentos podem definir onde e como veremos grandes franquias nos próximos anos. A união entre Netflix e Warner Bros. Discovery promete um catálogo robusto, mas traz dúvidas sobre o futuro das salas de exibição. Já a ofensiva da Paramount sinaliza a defesa de um ecossistema mais diverso, ainda que motivada por interesses estratégicos. Em meio a argumentos sobre preservação cultural e concentração de mercado, acompanhar cada capítulo desse acordo se torna tão intrigante quanto um bom suspense hollywoodiano.
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