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Os Escolhidos da Beleza mostra a queda de um supermodelo em culto perturbador

A estreia de Os Escolhidos da Beleza apresenta Hoyt Richards, o guru Frederick von Mierers e a forma como glamour, espiritualidade e controle psicológico se misturaram no Eternal Values.

Por Thaís Amorim4 Minutos de leitura
Os escolhidos da Beleza
Imagem: Divulgação

Os Escolhidos da Beleza, título brasileiro de Bring Me the Beauties: A Model Cult, chegou à HBO Max em junho de 2026 como uma docussérie de três episódios dirigida por Chris Smith. O projeto investiga a história real de Hoyt Richards, um dos primeiros grandes supermodelos masculinos, e sua ligação com o grupo espiritual Eternal Values, liderado por Frederick von Mierers.

O episódio 1, chamado “A Promessa” no Brasil e “The Promise” no original, funciona como porta de entrada para esse universo de glamour, carisma e manipulação. O capítulo é especialmente eficiente porque não começa pelo choque, mas pela sedução. Em vez de apresentar o Eternal Values já como um culto sombrio e obviamente ameaçador, a série mostra como aquele ambiente podia parecer sofisticado, desejável e até inspirador para jovens em busca de pertencimento.

Resumo do episódio 1 de Os Escolhidos da Beleza

O primeiro episódio apresenta Hoyt Richards como alguém que parecia ter tudo para encarnar o ideal de sucesso dos anos 1980 e 1990. Bonito, carismático e cada vez mais bem-sucedido na carreira de modelo, ele circulava por um mundo de desejo, visibilidade e glamour. Só que a docussérie insiste em mostrar o outro lado dessa imagem: Hoyt também era um jovem em busca de direção, identidade e um tipo de resposta espiritual que a fama sozinha não oferecia.

É nesse contexto que surge Frederick von Mierers. O episódio reconstrói o encontro entre os dois em 1978, quando Hoyt tinha 16 anos e conhece Frederick em uma praia de Nantucket. A partir dali, Frederick passa a ocupar um espaço cada vez maior em sua vida, oferecendo uma mistura de filosofia oriental, astrologia, misticismo New Age e uma ideia muito sedutora de iluminação e propósito.

O mais importante é que o episódio mostra como essa influência cresce de modo gradual, quase elegante, sem a brutalidade explícita que muita gente associa imediatamente a histórias de seita.

A série também deixa claro que o Eternal Values sabia se vender. Não parecia um grupo marginal ou grotesco. Parecia exclusivo. Jovem. Bonito. Espiritualmente elevado. Essa imagem importava muito, porque ajudava Frederick a atrair pessoas vulneráveis, mas socialmente desejáveis, especialmente modelos e aspirantes a um tipo de vida mais significativa. Hoyt, com sua ascensão na moda, vira quase o rosto ideal para legitimar esse universo.

Sua presença ajuda a dar prestígio ao grupo, enquanto o grupo, por sua vez, oferece a ele uma sensação de pertencimento que sua carreira não entregava.

Conforme o episódio avança, a contradição central da vida de Hoyt começa a aparecer com mais força. Publicamente, ele é um modelo em ascensão. Privadamente, vive de forma disciplinada, quase ascética, obedecendo às orientações de Frederick e entregando boa parte de seus ganhos para sustentar o guru e o funcionamento do grupo.

O episódio também introduz crenças mais extremas de Frederick, incluindo a ideia de que ele seria uma espécie de entidade “walk-in” ocupando um corpo humano, algo que a série usa menos como curiosidade excêntrica e mais como exemplo de até onde o discurso podia ir quando já havia controle emocional instalado.

O que “A Promessa” realmente quer mostrar

O final do episódio 1 não fecha uma tragédia; ele fecha uma adesão. Esse é o ponto principal. “A Promessa” termina deixando claro que Hoyt já não está apenas observando aquele universo de fora. Ele começa a incorporá-lo, defendê-lo e organizar sua vida em torno dele. O capítulo, portanto, não é sobre queda ainda. É sobre captura.

O título do episódio faz muito sentido justamente por isso. A promessa vendida por Frederick não era apenas espiritual. Era existencial. Ele oferecia sentido, disciplina, elevação e uma leitura especial do mundo para jovens que, apesar do brilho exterior, muitas vezes estavam emocionalmente à deriva.

Os escolhidos da Beleza
Imagem: Divulgação

No caso de Hoyt, essa promessa também se cruza com a própria lógica da indústria da moda: juventude, beleza, desejo e a ilusão de que alguém belo e escolhido também está, de alguma forma, mais perto de algo maior.

O episódio também prepara bem o conflito maior da docussérie. A história não será apenas sobre “como alguém entrou em uma seita”, mas sobre como uma pessoa pode permanecer presa a um sistema de manipulação mesmo quando, do lado de fora, parece livre, bem-sucedida e invejável.

Essa é a grande virada emocional de “A Promessa”: Hoyt Richards parecia viver uma vida de poder e mobilidade, mas já estava começando a ser moldado por um homem que entendia perfeitamente como transformar carência em submissão.

Thaís Amorim

Sou Thais dos Santos Amorim, redatora profissional e co-fundadora do portal 365 Filmes. Formada em Marketing, especializei-me na criação de conteúdos estratégicos e curadoria de entretenimento, unindo a análise crítica de séries e filmes às melhores práticas de comunicação digital. Com uma trajetória de mais de 5 anos no mercado, consolidei minha experiência editorial no portal MasterDica, onde desenvolvi um olhar apurado para as tendências do streaming e comportamento da audiência. No 365 Filmes, atuo na intersecção entre a técnica narrativa e a experiência do usuário, garantindo informações de alta relevância e credibilidade para o público cinéfilo.

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