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Nove séries de mitologia grega que valem o play enquanto Percy Jackson não volta

Por Thaís Amorim6 Minutos de leitura

O intervalo entre uma temporada e outra de Percy Jackson & The Olympians costuma parecer interminável. Para driblar a ansiedade, vale explorar produções que tratam os deuses do Olimpo com o mesmo frescor, seja em live-action, animação ou minissérie.

Selecionamos nove séries de mitologia grega que dialogam diretamente com a aventura da Disney+. O recorte observa sobretudo as atuações, as escolhas de direção e o trabalho dos roteiristas, mantendo o foco em como cada equipe transforma lendas milenares em entretenimento contemporâneo.

Kaos traz Jeff Goldblum como um Zeus neurótico

Primeiro grande trunfo de Kaos é o elenco. Jeff Goldblum assume Zeus com carisma excêntrico, entregando um deus paranoico que oscila entre grandiosidade e fragilidade. A presença magnética do ator sustenta a narrativa, equilibrando humor ácido e crise existencial.

A condução de Georgi Banks-Davies injeta ritmo de thriller na fantasia, enquanto os roteiros de Charlie Covell reimaginam mitos clássicos em plena modernidade. Os mortais Eurydice, Caeneus e Ariadne ganham camadas dramáticas graças ao trio Debi Mazar, Nabhaan Rizwan e Aurora Perrineau, cujas performances ancoram o realismo dentro do absurdo divino. O resultado tem produção de alto nível, lembrando como Magnum despontou nos rankings globais pela mesma combinação de arrojo visual e elenco afiado.

Blood of Zeus aposta no peso dramático de seu elenco de voz

A animação adulta da Powerhouse Animation recruta Derek Phillips para dublar Heron, um protagonista que transita com naturalidade entre vulnerabilidade e determinação. Jessica Henwick, interpretando Alexia, adiciona força feminina ao panteão, enquanto Jason O’Mara confere imponência vocal a Zeus.

Os diretores Shaunt Nigoghossian e Adam Deats optam por paleta sombria e violência estilizada, criando contraste com a jornada de amadurecimento do herói. Já os roteiros de Charley e Vlas Parlapanides costuram drama familiar com batalhas épicas, atualizando a tragédia grega para um público que busca densidade psicológica.

Jason and the Argonauts (2000) valoriza fidelidade mitológica e atuações teatrais

Na minissérie da Hallmark, Jason London encarna o líder dos Argonautas com idealismo palpável, enquanto Frank Langella rouba cenas como o astuto Rei Pelias. A direção de Nick Willing privilegia cenários naturais, conferindo escala sem recorrer excessivamente a CGI.

Destaque para Natasha Henstridge, que transforma Medeia em figura complexa, indo além do estereótipo de feiticeira fatal. O roteiro de Matthew Faulk ajusta passagens do mito original sem perder coerência histórica, aproximando a saga do tom de aventura que Percy Jackson popularizou entre o público jovem.

Olympus abraça o camp para criar charme próprio

Com orçamento modesto, a série da Syfy aposta em cenários digitais estilizados. Daegan Merrill, no papel do protagonista Hero, compensa limitações técnicas com entrega emocional que mistura incredulidade e bravura. Sonya Cassidy, como Oráculo, adiciona mística, enquanto Tom York interpreta Oráculo Masculino num registro mais soturno.

Os showrunners Nick Willing e Simon Davis Barry adotam narrativa quase novelesca, recheada de reviravoltas e diálogos floridos. A falta de requinte visual vira assinatura: o exagero confere identidade pop, fazendo da produção uma opção despretensiosa para maratonar.

Great Greek Myths eleva a narração documental com animação de arte

Com três temporadas, a produção francesa alterna entre documentário e drama encenado. O narrador François-Éric Gendron empresta gravidade às histórias, enquanto animações em estilo aquarela criam experiência quase museológica.

Os diretores Sylvain Bergère e Joachim Doudoux apostam na didática sem soar professoral. Cada episódio contextualiza personagens que aparecem ou são citados em Percy Jackson, ampliando repertório do espectador sobre o panteão helênico.

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Imagem: Imagem: Divulgação

Class of the Titans reúne ar típico dos anos 2000 e energia adolescente

A animação canadense apresenta herdeiros de heróis clássicos enfrentando Chronos. O design de personagens carrega estética “radical” da década, mas as dublagens convincentes de Kirby Morrow e Brian Drummond sustentam o carisma dos protagonistas.

Roteiros de Chris Bartleman equilibram ação escolar e drama mitológico, antecipando questões identitárias exploradas pela franquia Percy Jackson. Ainda que a série tenha sido cancelada sem final conclusivo, a primeira temporada oferece doses generosas de aventura.

Atlantis reinventa Jason em versão sci-fi medieval

No drama da BBC, Jack Donnelly assume um Jason deslocado no tempo, trazendo fisicalidade ao herói. Mark Addy encarna um Hércules bonachão, enquanto Robert Emms faz um Pythagoras obsessivo. O trio exibe química cômica sob a batuta de Johnny Capps e Julian Murphy, criadores de Merlin.

As locações em cavernas espanholas somadas a efeitos práticos reforçam sensação de lenda viva. Os roteiristas mesclam várias fábulas — de Minotauro a Medusa — em episódios independentes que mantêm ritmo leve, ideal para quem busca escapismo sem compromisso.

Helen of Troy oferece olhar feminino sobre a guerra

Sienna Guillory protagoniza minissérie de John Kent Harrison humanizando a chamada “mulher mais bela do mundo”. Seu desempenho captura a ambivalência entre desejo pessoal e peso político da própria existência. Matthew Marsden, como Paris, apoia a tragédia amorosa, enquanto Rufus Sewell empresta intensidade a Agamenon.

O roteiro de Ronni Kern inclui a interferência direta dos deuses, recurso muitas vezes ignorado nas superproduções hollywoodianas. Esse detalhe aproxima o espectador da poesia original de Homero e evidencia como decisões divinas moldam destinos humanos.

Xena: Warrior Princess continua referência de protagonismo feminino

Lucy Lawless personifica Xena com presença física única: cada expressão, golpe de espada ou entonação vocal reforça a complexidade de uma anti-heroína em busca de redenção. Renee O’Connor, como Gabrielle, funciona como consciência moral e coração da série, garantindo equilíbrio emocional.

A direção de John Fawcett e TJ Scott opta por montagem ágil, repleta de humor autorreferencial. Já os roteiristas R.J. Stewart e Steven L. Sears costuram mitologia, cultura pop e debates de gênero antes mesmo que o termo representatividade entrasse na pauta mainstream. Não por acaso, Xena influenciou diretamente personagens femininas fortes em Percy Jackson & The Olympians.

Vale a pena assistir?

Se a expectativa pelos novos capítulos de Percy Jackson parece grande demais, qualquer uma dessas produções supre a sede de monstros, deuses e dilemas heroicos. Cada título explora a mitologia grega por ângulos distintos, seja através de um Zeus neurótico, de animações sangrentas ou de heroínas icônicas. As séries não apenas ampliam o universo helênico, mas oferecem vitrines para performances memoráveis, direções inventivas e roteiros que dialogam com a cultura pop atual. Para o leitor do 365 Filmes, é a oportunidade perfeita de mergulhar em narrativas míticas enquanto o semideus mais famoso da Disney+ não retorna ao acabamento das próximas aventuras.

Thaís Amorim

Sou Thais dos Santos Amorim, redatora profissional e co-fundadora do portal 365 Filmes. Formada em Marketing, especializei-me na criação de conteúdos estratégicos e curadoria de entretenimento, unindo a análise crítica de séries e filmes às melhores práticas de comunicação digital. Com uma trajetória de mais de 5 anos no mercado, consolidei minha experiência editorial no portal MasterDica, onde desenvolvi um olhar apurado para as tendências do streaming e comportamento da audiência. No 365 Filmes, atuo na intersecção entre a técnica narrativa e a experiência do usuário, garantindo informações de alta relevância e credibilidade para o público cinéfilo.

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