Faltam exatas oito semanas para o anúncio dos indicados ao Oscar e, nos bastidores, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas ainda busca um novo parceiro de transmissão. Em meio a essa corrida, a Netflix, que parecia favorita, acabou ficando de fora.
A saída repentina do streaming da disputa está diretamente ligada ao acordo de US$ 83 bilhões que prevê a aquisição da Warner Bros. Discovery. Enquanto investidores fazem contas, a Academia corre contra o tempo para definir quem exibirá a cerimônia a partir de 2028.
Netflix fora da disputa pelos direitos de transmissão do Oscar
De acordo com fontes próximas às negociações, a Netflix chegou a avaliar seriamente a compra dos direitos no meio do ano. Entretanto, após avançar no processo de aquisição da Warner Bros., a plataforma interrompeu qualquer tratativa. Uma das fontes classificou a decisão como definitiva, deixando claro que a empresa não pretende retomar conversas.
A notícia derruba as expectativas de parte da indústria, que já via na união entre Netflix e Oscar uma oportunidade de turbinar audiência e relevância digital da premiação. A desistência reforça que, neste momento, toda a atenção da companhia está concentrada na fusão com o estúdio centenário.
NBCUniversal e YouTube ganham força na negociação
Com a saída da Netflix, a NBCUniversal subiu algumas posições no ranking de favoritos. A gigante do entretenimento teve bom desempenho em transmissões recentes, como os Jogos Olímpicos de Verão de 2024 e a Parada de Ação de Graças da Macy’s, que chegou a 43,3 milhões de espectadores.
O YouTube também segue firme na corrida. A plataforma, segundo executivos, gera audiência expressiva com clipes e discursos de edições passadas do Oscar, superando até mesmo os números obtidos durante o evento ao vivo pelos atuais detentores dos direitos.
Quanto custa transmitir o Oscar?
Dados obtidos junto a três fontes independentes apontam que a ABC desembolsa cerca de US$ 120 milhões por edição para manter o Oscar em sua grade. O contrato, válido até 2028, garantirá à emissora 50 cerimônias consecutivas — incluindo a simbólica centésima edição.
Histórico de emissoras e a importância do contrato
O Oscar estreou na TV em 1953, nas telas e ondas de rádio da antiga NBC. Em 1961, migrou para a ABC, retornou à NBC de 1971 a 1975 e, desde então, permanece com a Disney. Em 2028, portanto, a ABC completará meio século ininterrupto no comando do evento.
Com o término do acordo se aproximando, a Academia vem tentando, há cerca de cinco anos, encontrar um novo modelo de licenciamento. A ideia é ampliar receita e, ao mesmo tempo, modernizar a forma de consumo, abrindo espaço para o digital.
A megafusão Netflix-Warner Bros. Discovery
Anunciado em 6 de dezembro, o acordo que unirá Netflix e Warner Bros. Discovery deve levar entre 12 e 18 meses para ser concluído. Por ora, a empresa garante que “nada muda hoje” e que a HBO Max continuará operando de forma independente até a consolidação da fusão.
Imagem: Imagem: Divulgação
Quando a operação for concluída, o novo conglomerado passará a abrigar franquias de peso, séries consagradas e um extenso catálogo de filmes. Para o público, isso pode significar um único serviço com títulos de Stranger Things a Game of Thrones, além dos clássicos da Warner.
Impacto no bolso do assinante
Especialistas do mercado estimam que a integração do acervo de ambos os estúdios deva pressionar a Netflix a rever planos de assinatura. A companhia já elevou preços no início deste ano, e a tendência é de novo ajuste assim que a fusão for oficializada e o catálogo expandido.
Por que a Netflix desistiu do Oscar?
No cenário atual, assumir a transmissão do Oscar implicaria investimentos elevados em marketing, infraestrutura e negociações globais de distribuição. Com a compra da Warner Bros., a Netflix precisa direcionar recursos a integrações técnicas, licenças e eventuais reorganizações internas.
Assim, ficar de fora dos direitos do Oscar reduz riscos financeiros imediatos e evita sobrecarregar equipes que já estão trabalhando para unir dois ecossistemas complexos. Para a Academia, resta encontrar um parceiro capaz de equilibrar TV aberta, streaming e distribuição online.
O que esperar para os próximos anos
Até 2028, a ABC mantém a exclusividade sobre a maior festa do cinema. Nos bastidores, NBCUniversal, YouTube e outros players avaliam propostas que contemplem transmissão multiplataforma e novas fontes de receita, como clipes sob demanda e interatividade ao vivo.
Para os fãs de cinema que acompanham o 365 Filmes, a movimentação indica que a experiência de assistir à premiação poderá mudar bastante. Se a NBC vencer, há chances de um modelo híbrido entre TV e Peacock; se o YouTube fechar negócio, o evento pode ganhar formato mais digital, com grande ênfase em redes sociais.
Enquanto isso, a Netflix concentra esforços na megafusão, prometendo comunicar novidades ao longo de 2024. Resta acompanhar os próximos capítulos dessa disputa que envolve bilhões de dólares, a audiência global do Oscar e o futuro do streaming de entretenimento.
