O tradicional estúdio Warner Bros. Discovery (WBD) virou alvo de uma disputa histórica. De um lado, a Netflix anunciou acordo para comprar o estúdio de mais de 100 anos. De outro, a Paramount, recém-fundida à Skydance, partiu para um lance hostil que promete esquentar o mercado.
Mesmo com o acerto inicial da Netflix, a novela está longe do fim: a nova proposta da Paramount acrescenta bilhões de dólares à mesa e leva a decisão diretamente aos acionistas. A seguir, veja como cada oferta foi estruturada, quem banca o negócio e quais são os próximos passos.
Detalhes da oferta da Paramount
Após concluir a fusão Paramount + Skydance, o CEO David Ellison voltou as atenções para a Warner Bros. Discovery. A corporação apresentou aos acionistas um lance totalmente em dinheiro, oferecendo US$ 30 por ação. O pacote avalia a companhia em US$ 108,4 bilhões, já contando dívidas.
Diferente do acordo tratado pela Netflix, a proposta da Paramount abrange toda a WBD: estúdio de cinema, serviço HBO Max e canais a cabo como CNN, Cartoon Network e Food Network. O interesse por todos os ativos deixa claro o objetivo de encorpar um conglomerado de mídia integrado.
Financiamento bilionário
O salto de valor – a Paramount oferecera cerca de US$ 20 por ação em outubro, sem sucesso – só foi possível graças a novos financiadores. Entre os apoios confirmados estão a Affinity Partners, de Jared Kushner, e fundos do Oriente Médio, como o Public Investment Fund da Arábia Saudita e a Qatar Investment Authority.
Com o incremento, Ellison optou por levar a proposta diretamente ao mercado, caracterizando um movimento de takeover hostil. O conselho da WBD reconheceu o recebimento e prometeu responder em até dez dias úteis, orientando os acionistas a não tomarem decisões precipitadas.
Proposta da Netflix já aprovada
Em 5 de dezembro, a Netflix e a WBD fecharam acordo definitivo avaliado em US$ 82,7 bilhões, combinando pagamento em dinheiro e ações equivalentes a US$ 27,75 por papel. Nesse cenário de Netflix compra Warner Bros, a gigante do streaming ficará com o estúdio cinematográfico e o HBO Max, enquanto os canais de TV a cabo serão separados em nova empresa.
Os conselhos de administração das duas companhias aprovaram a transação por unanimidade. Convicta de que o negócio sairá, a Netflix fixou multa de rescisão de US$ 5,8 bilhões a favor da WBD caso o contrato seja rompido. Se, por outro lado, os acionistas aceitarem a oferta da Paramount, a própria WBD teria de pagar US$ 2,8 bilhões à Netflix.

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Argumento antitruste
Para enfrentar o escrutínio regulatório, estimado em 12 a 18 meses, o co-CEO Ted Sarandos vem defendendo que o acordo não criaria monopólio. Segundo ele, o foco é ampliar formatos de distribuição – sobretudo cinema – e não consolidar empresas que atuam nos mesmos segmentos de TV a cabo e streaming.
Sarandos também afirmou que os lançamentos da Warner Bros. continuarão chegando às salas de exibição, movimento que reforça a incursão da Netflix no mercado teatral. A estratégia, se mantida, pode diversificar a presença da plataforma, normalmente associada ao vídeo sob demanda.
Comparativo dos lances
• Valor total: Paramount – US$ 108,4 bi (à vista); Netflix – US$ 82,7 bi (misto de caixa e ações).
• Preço por ação: Paramount – US$ 30; Netflix – US$ 27,75.
• Ativos incluídos: Paramount quer 100 % da WBD; Netflix ficará com estúdio e HBO Max, separando os canais a cabo.
• Multa de quebra: Netflix receberá US$ 5,8 bi se o acordo cair; WBD pagará US$ 2,8 bi se trocar de comprador.
• Prazo regulatório estimado: 12 – 18 meses para o acordo da Netflix; o cronograma da Paramount dependerá da aceitação pelos acionistas.
Próximos passos
O conselho da WBD tem até a segunda semana de dezembro para responder formalmente à proposta da Paramount. Caso aceite abrir negociações, acionistas precisarão votar sobre qual acordo preferem. Se optarem pela oferta hostil, iniciam-se novas diligências regulatórias e o pagamento à Netflix pela mudança de planos.
Enquanto isso, a Netflix segue ajustando detalhes internos para integrar o estúdio e o HBO Max, reforçando a narrativa de que Netflix compra Warner Bros para ampliar seus modelos de lançamento, não apenas empilhar conteúdo. O mercado, por sua vez, aguarda definições que podem redesenhar a indústria do entretenimento mundial.
Para leitores do 365 Filmes, o resultado desse embate bilionário determinará onde e como futuros filmes da Warner serão vistos. A pergunta que fica é: qual oferta convencerá os acionistas – e os órgãos reguladores – a dar o sinal verde final?
