Estar no Top 10 do Prime Video não significa muita coisa quando o filme entrega tão pouco. Lindas e Letais até chamou atenção no catálogo, mas a recepção já mostrava que havia algo errado: 5.8 no IMDb e 64% de aprovação no Rotten Tomatoes. E dá para entender rápido de onde vem essa frieza.
A proposta parece boa no papel. Cinco bailarinas ficam presas em uma hospedaria isolada depois que o ônibus quebra no meio do caminho para uma competição em Budapeste. Lá, elas descobrem que o lugar esconde uma estrutura criminosa liderada por uma ex-dançarina tão refinada quanto perigosa. Tinha tudo para ser um thriller sujo, elegante e nervoso. Mas o que aparece em cena é outra coisa.
Lindas e Letais começa promissor, mas perde a mão muito cedo
O primeiro ato de Lindas e Letais é, sem dúvida, a parte mais funcional do filme. A apresentação das bailarinas cria um mínimo de interesse porque existe ali uma rivalidade interna que poderia render bem. Cada personagem entra em cena com algum atrito, algum ego ferido, alguma disputa mal resolvida. Isso ajuda o filme a andar no início.
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Bones (Maddie Ziegler), Princess (Lana Condor), Zoe (Iris Apatow), Chloe (Millicent Simmonds) e Grace (Avantika) formam uma trupe que já vive em tensão antes mesmo do perigo real aparecer.
A chegada ao hotel isolado comandado por Devora Kasimer (Uma Thurman) joga esse grupo em um cenário ainda mais sufocante. E aí o filme parecia que ia engrenar.
Quando a professora Thorna Davenport é assassinada, a trama assume de vez seu lado mais violento. A partir desse momento, as bailarinas deixam de ser só vítimas em potencial e passam a reagir usando o corpo como arma, numa tentativa de transformar o treinamento clássico em ferramenta de sobrevivência.
A ideia é boa. O problema é a execução.

O longa quer beber de referências como John Wick, Abigail e até daquele suspense estilizado que aposta mais em atmosfera do que em lógica. Só que Lindas e Letais não tem firmeza para sustentar esse tipo de proposta. Tudo parece meio solto.
A estética tenta compensar a falta de estrutura, mas não consegue. O clima exagerado até chama atenção em alguns momentos, só que a sensação é de que o filme não acredita totalmente no mundo que construiu.
O elenco se esforça, mas o roteiro afunda qualquer chance de impacto
Boa parte da frustração vem justamente do texto. O roteiro de Kate Freund não dá conta da premissa que tem nas mãos. O que deveria ser um thriller de sobrevivência com personalidade vira uma sequência de decisões tortas, diálogos frágeis e cenas que nem sempre conversam entre si. É aí que o filme começa a cansar.
Maddie Ziegler e Lana Condor acabam ficando no centro da narrativa, mas recebem falas tão ruins que fica difícil comprar o conflito entre as duas. O mesmo vale para o restante do grupo. Iris Apatow, Millicent Simmonds e Avantika tentam dar alguma energia ao caos, mas o texto não oferece material suficiente para isso. E pesa bastante.
Uma Thurman até impõe presença como vilã, o que era esperado. Ela tem postura, tem imagem, tem força para dominar a tela. Só que nem isso salva uma personagem que parece mais ideia do que figura dramática de verdade. Confesso que o que mais incomoda é a mudança de tom.
Tem hora que o filme quer ser brutal. Depois tenta ser irônico. Em seguida aposta num humor deslocado. Logo volta a posar de suspense elegante. Essa confusão tira o peso de quase tudo e transforma 90 minutos em uma experiência mais longa do que deveria.
O lado físico das atrizes merece elogio. Isso é justo. Existe entrega corporal, existe esforço nas sequências de ação e existe uma tentativa real de fazer a dança entrar como linguagem de combate. Só que a coreografia sozinha não segura um filme que tropeça tanto na escrita.
No fim, Lindas e Letais parece uma colagem de boas intenções com resultado frouxo. Quer ser cultuado pela estética, quer ser lembrado pela ousadia, quer ser um thriller de personalidade. Mas nunca chega lá.

Nota 5/10, porque a ideia é melhor que o filme
Lindas e Letais leva nota 5/10 porque tem uma premissa curiosa, um elenco comprometido e alguns minutos iniciais que realmente sugerem algo acima da média. O problema é que quase tudo desmancha quando o roteiro precisa sustentar a própria ambição.
A ação não tem o impacto que promete. O suspense perde força rápido. Os diálogos sabotam as atuações. E o ritmo vai ficando cada vez mais irregular até transformar a experiência em algo cansativo.
No fim das contas, não é um desastre completo porque existe conceito, existe estilo e existe esforço visual. Mas falta o principal: um filme que saiba exatamente o que quer ser. E quando isso falta, não tem Top 10 que faça milagre.
Lindas e Letais tem boa ideia e visual chamativo, mas falha no roteiro, no ritmo e no impacto que promete.
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