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    Lav Diaz transforma Fernão de Magalhães em anti-herói no filme Magellan, estrelado por Gael García Bernal

    Matheus AmorimPor Matheus Amorimoutubro 27, 2025Nenhum comentário4 Minutos de leitura
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    Magellan, novo longa dirigido pelo filipino Lav Diaz, revisita a figura de Fernão de Magalhães a partir de um olhar contundentemente anticolonial. Gael García Bernal assume o papel do explorador português, expondo um personagem dominado pelo próprio ego e pelo impulso de conquista.

    O filme, de 160 minutos, foi exibido pela primeira vez no AFI Fest 2025 e chega aos cinemas em 10 de setembro do mesmo ano. Com fotografia de Artur Tort, Magellan prefere imagens contemplativas à narrativa tradicional, reforçando o tom crítico sobre a herança colonial nas Filipinas e em todo o Sul Global.

    Uma lenda desconstruída no cinema

    Lav Diaz desafia o mito ocidental de Magalhães ao contrapor o navegador à figura de Lapulapu, líder de Mactan. Embora Lapulapu seja celebrado nas Filipinas como herói nacional, o diretor apresenta o guerreiro como possível invenção estratégica de Rajah Humabon (Ronnie Lazaro) para atrair as tropas espanholas ao campo de batalha.

    A estratégia narrativa evidencia a tese central de Diaz: histórias também podem ser armas. Ao questionar a existência de Lapulapu, o cineasta sugere que mitos de resistência são capazes de enfrentar, no plano simbólico, a hegemonia europeia, minando o orgulho de conquistadores como Magalhães.

    Estilo visual marcado pelo 4:3

    Filmado com uma câmera Panasonic J7 no formato quadrado 4:3, o longa evoca a pintura holandesa do século XVI. Cada quadro, fixo em tripé, apresenta riqueza de detalhes que transformam cenários naturais em testemunhas silenciosas de invasões, batalhas e cadáveres.

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    Esse tratamento de imagem ecoa influências de cineastas como James Benning, acentuando a ideia de que a natureza permanece imutável diante da fúria humana. Nas telas do 365 Filmes, a experiência promete conquistar quem busca um cinema mais contemplativo, sem pressa de explicar cada evento.

    A força da fotografia

    Artur Tort, colaborador frequente de Albert Serra, constrói cenas em que a luz suave contrasta com a violência histórica. Um exemplo marcante mostra Magalhães, diminuto, encarando um castelo colado à praia: metáfora visual do desejo desmedido de dominar territórios muito maiores que ele próprio.

    Da conquista de Malaca ao fim em Mactan

    Magellan cobre o período entre 1511, quando o português capturou a cidade de Malaca para a coroa espanhola, e 1521, ano em que foi decapitado. A trama avança sem pressa, pontuada por datas e lugares que surgem na tela como lembretes objetivos, quase notas de rodapé.

    Nesse intervalo, vemos a crueldade do protagonista, sua flexibilidade moral e a facilidade em abandonar valores cristãos quando eles atrapalham suas ambições. O resultado é o retrato de um anti-herói cuja queda decorre, sobretudo, da própria arrogância.

    Enrique, o contraponto humano

    Logo na abertura, Magalhães compra seu escravo cebuano, batizado de Enrique (Amado Arjay Babon). O roteiro acompanha o olhar apavorado desse personagem até o plano final, em que suas mãos ensanguentadas sinalizam o preço violento da busca por liberdade. Enrique funciona como espelho das contradições coloniais: ele só conquista autonomia por meio da guerra.

    Lav Diaz transforma Fernão de Magalhães em anti-herói no filme Magellan, estrelado por Gael García Bernal - Imagem do artigo original

    Imagem: Imagem: Divulgação

    Amor distante, dor constante

    Para humanizar o navegador sem absolvê-lo, Diaz introduz Beatriz (Ângela Ramos) por meio de aparições etéreas. O explorador sonha com o nascimento e a morte do filho, além da possível perda da esposa. Esses vislumbres, envoltos em filtros suaves, pontuam a narrativa com uma melancolia que contrasta com o sangue derramado nas batalhas.

    A presença quase fantasmal de Beatriz reforça a solidão de Magalhães nas rotas marítimas e sublinha o abismo entre seu desejo íntimo e seus atos impiedosos.

    Produção robusta, duração “curta” para Lav Diaz

    Conhecido por obras que ultrapassam facilmente as seis horas, Diaz entrega aqui um filme relativamente breve, mas não menos ambicioso. A reconstrução completa da nau Victoria, figurinos de época e cenários minuciosos evidenciam um orçamento superior ao da maioria de seus trabalhos anteriores, tradicionalmente mais enxutos.

    Mesmo assim, o diretor permanece fiel à própria estética: longos planos fixos, diálogos econômicos e confiança absoluta no poder de sugestão das imagens.

    Elenco e bastidores

    Além de Bernal, o elenco traz Ângela Ramos, Ronnie Lazaro e Amado Arjay Babon. A produção é assinada por Joaquim Sapinho, Montse Triola, Albert Serra, Bianca Balbuena, Paul Soriano e Bradley Liew, garantindo suporte internacional ao projeto.

    Estreia e recepção

    Com exibição de gala no AFI Fest 2025, Magellan chamou atenção pela mistura de espetáculo histórico e crítica feroz ao colonialismo. A recepção inicial destaca a beleza das imagens e o caráter provocativo do roteiro.

    Para quem acompanha lançamentos, o drama histórico chega aos cinemas no início de setembro. Interessados em épicos reflexivos, anticoloniais e visuais de tirar o fôlego encontram em Magellan filme obrigatório.

    Magellan, dirigido por Lav Diaz, estreia em 10 de setembro de 2025. Distribuição no Brasil ainda não foi confirmada.

    Este conteúdo foi publicado originalmente no 365Filmes. A reprodução total ou parcial é permitida apenas mediante a citação da fonte, com link direto (dofollow) para o artigo original, garantindo a correta atribuição de autoria e a credibilidade da informação.

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    Matheus Amorim
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    Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes (CNPJ: 48.363.896/0001-08). Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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