Kate Beckinsale retorna ao cinema de pancadaria no longa Wildcat, comandado por James Nunn, o mesmo de One Shot.
No novo filme, a atriz vive Ada, ex-soldada que precisa assaltar a rival de um chefão do crime para libertar a própria filha surda, tomada como garantia de dívida pelo irmão trapalhão.
Missão de alto risco coloca mãe e filha na mira do crime
A trama de Wildcat gira em torno de Ada, veterana de operações especiais que tenta levar uma vida pacata como mãe solo há oito anos. O sossego termina quando Edward, irmão mais novo e irresponsável, entrega o paradeiro dela a Frasier Mahoney, um dos grandes nomes do submundo de East London, ao contrair uma dívida de 500 mil libras.
Para recuperar Charlotte, a filha de Ada, Mahoney exige que a ex-soldada execute um roubo mirabolante: invadir o cofre de sua rival, Mrs. Vine, e plantar pistas falsas para iniciar uma guerra interna entre facções. O pequeno intervalo de horas para cumprir o trabalho adiciona urgência ao enredo.
Formação da equipe antiga traz caras conhecidas da ação
Pressionada pelo cronômetro, Ada convoca velhos companheiros: Roman, ex-namorado interpretado por Lewis Tan, e Curtis, o músculo do grupo vivido por Bailey Patrick. Cada integrante mostra habilidades específicas, lembrando montagens de videogame em que o jogador seleciona personagens com funções bem definidas.
A presença do trio confere dinamismo aos combates, enquanto o roteiro de Dee Dee oferece personalidades distintas para que o espectador escolha seu “favorito” ao longo das sequências de confronto.
Cronologia não linear cria ritmo frenético
Logo no início, a narrativa salta do presente para dez anos atrás, depois para dez dias e, em seguida, para dez horas antes do golpe. A estrutura, embora confusa em um primeiro momento, serve para intensificar a expectativa e destacar o contraste entre a vida doméstica de Ada e o caos que a cerca.
Esses cortes são apresentados com grafismos chamativos na tela, reforçando a sensação de jogo de tiro em primeira pessoa — marca registrada de James Nunn, que costuma colocar o espectador no centro dos embates com câmeras sobre o ombro e planos-sequência em corredores apertados.
Sequências de ação de Wildcat elevam a tensão
Os momentos de adrenalina são o coração do filme. Entre os destaques, estão:
- A fuga de Ada de um clube BDSM com as mãos presas por algemas de couro, usando o cenário para atacar seguranças.
- A luta de Roman em um ateliê de marcenaria, onde martelos, canos e facas enferrujadas viram armas improvisadas.
- O confronto em becos escuros com membros da gangue Mushka, reconhecíveis pelas bandanas de caveira, que acrescentam um toque quase cartunesco à violência.
Cada set piece sobe um degrau em complexidade, mantendo o espectador engajado enquanto o relógio corre para o resgate de Charlotte.
Kate Beckinsale combina vulnerabilidade e brutalidade
Conhecida por franquias de ação como Anjos da Noite, Beckinsale injeta emoção em uma história que poderia soar automática. Entre um golpe e outro, a atriz revela a fragilidade de uma mãe desesperada, equilibrando o lado “exterminadora” com momentos de pura angústia.
Imagem: Imagem: Divulgação
Quando a personagem deixa transparecer o medo de perder a filha, o longa ganha peso dramático, diferenciando-se de produções que se apoiam apenas em explosões. Essa mistura de dureza e empatia ajuda Wildcat a manter o interesse até o desfecho, qualidade já observada por quem acompanha 365 Filmes.
Direção de James Nunn compensa roteiro irregular
Apesar de diálogos ocasionais que beiram o clichê, Nunn compensa com coreografias limpas e fáceis de acompanhar. A câmera atravessa paredes, acompanha personagens em espaços claustrofóbicos e troca ângulos na hora exata para destacar golpes e disparos sem confundir o público.
O diretor também faz bom uso de recursos limitados, entregando cenas que não ficam devendo a produções de estúdios muito maiores. Para fãs do gênero, isso significa ver cada soco e cada bala com clareza, sem cortes excessivos.
Conflito de gangues intensifica a sensação de jogo
Enquanto Ada tenta permanecer um passo à frente de Mahoney e Vine, o roteirista adiciona a temida gangue Mushka à mistura. As três forças se chocam, gerando reviravoltas rápidas e trocas de lealdades.
Quem curte thrillers policiais britânicos nota um cenário pouco explorado em blockbusters: porões abandonados, passagens estreitas do metrô antigo e armazéns repletos de graffiti. Tudo isso reforça a identidade de East London, quase como um personagem extra.
Elenco secundário traz carisma ao caos
Charles Dance interpreta Mahoney com elegância ameaçadora, enquanto Alice Krige, como a calculista Mrs. Vine, impõe respeito sem levantar a voz. Já Rasmus Hardiker incorpora Edward como alívio cômico involuntário, servindo de gatilho para toda a confusão.
Isabelle Moxley, no papel de Charlotte, aparece pouco, mas a condição auditiva da personagem amplia a tensão: qualquer tiroteio próximo pode significar que Ada chegou tarde demais.
Saldo final para os fãs de ação
Wildcat evita reinventar o gênero, mas entrega o que promete: pancadaria bem filmada, ritmo acelerado e uma protagonista que equilibra força e coração. Para quem procura um filme direto ao ponto, repleto de lutas criativas, a produção cumpre a missão de divertir sem enrolação.
Com cenários claustrofóbicos, edição precisa e uma performance dedicada de Kate Beckinsale, Wildcat se consolida como mais um acerto de James Nunn, reforçando a reputação do diretor como especialista em transformar orçamentos enxutos em entretenimento de alto impacto.
