John Wayne, um dos maiores ícones do faroeste, nutria forte antipatia por alguns colegas de profissão. A revelação mais recente mostra que Gene Hackman estava no topo dessa lista nada honrosa.
Aissa Wayne, filha do ator, contou que o pai repetia a crítica sempre que via Hackman em cena. A declaração chama a atenção, já que Hackman viria a se tornar vencedor do Oscar em um faroeste dirigido justamente por Clint Eastwood, outro desafeto de Wayne.
Revelação de Aissa Wayne sobre a opinião do pai
No livro “John Wayne: My Father”, publicado anos após a morte do astro, Aissa Wayne afirma que o pai chamava Gene Hackman de “o pior ator da cidade” e “horrível”. Ela relata que a frase era recorrente sempre que um filme ou programa de TV trazia Hackman no elenco.
Segundo Aissa, John Wayne não explicava as razões da aversão. Ele simplesmente via o colega em cena e tecia comentários negativos com tom de “real veneno”, nas palavras dela. Nenhum outro contemporâneo recebeu críticas tão duras do “Duke”.
Possíveis motivos para o desagrado
Aissa especula que a preferência de Wayne por heróis morais e pouca violência possa ter influenciado essa opinião. No início de carreira, Hackman estrelou produções marcadas pelo realismo bruto, como “Bonnie and Clyde” (1967) e “Operação França” (1971). Ambas trazem violência explícita e protagonistas moralmente ambíguos, algo que Wayne costumava rejeitar.
Os primeiros sucessos de Gene Hackman
Enquanto John Wayne acumulava clássicos, mas poucas indicações ao Oscar, Gene Hackman tornou-se presença constante na premiação. Ele recebeu a primeira indicação logo no quinto longa-metragem, “Bonnie and Clyde”. Três anos depois, voltou a disputar a estatueta com “Nunca Te Amei” (1970).
O reconhecimento veio em 1972, quando conquistou o Oscar de Melhor Ator por “Operação França”. No intervalo de quatro anos, Hackman somou três indicações e um prêmio, consolidando-se em Hollywood mesmo sem o aval do veterano astro do faroeste.
Impacto na indústria
“Operação França” tornou-se referência no gênero policial e, em 2005, entrou para o Registro Nacional de Filmes dos Estados Unidos. A consagração reforçou a ideia de que Hackman dominava papéis complexos e realistas, contrastando com o estilo clássico defendido por Wayne.
Ironia: Oscar em faroeste de Clint Eastwood
A maior ironia para os fãs aconteceu em 1993. Gene Hackman aceitou viver o xerife Little Bill Daggett em “Os Imperdoáveis”, western dirigido e protagonizado por Clint Eastwood — outro nome que John Wayne considerava “um sucessor que desvirtuava o gênero”.
O filme marcou época. Eastwood venceu os Oscars de Melhor Filme e Melhor Diretor, além de ser indicado a Melhor Ator. Já Hackman levou para casa a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante. A produção é considerada um dos faroestes mais importantes do cinema moderno e costuma figurar em listas de referência ao lado de clássicos de Wayne.
Imagem: Everett Collecti
Repercussão pós-premiação
Com a vitória, Hackman encerrou sua trajetória no Oscar — foi sua quinta indicação e o segundo prêmio. Para muitos críticos, “Os Imperdoáveis” representou a reinvenção do faroeste, mesclando violência crua e questionamentos morais, características que Wayne rejeitava.
Outras críticas do “Duke” a colegas de tela
Gene Hackman não foi o único a escutar palavras duras de John Wayne. Sobre a atriz Kim Darby, parceira de cena em “Bravura Indômita” (1969), Wayne disparou: “Jesus, me dei melhor com Kirk Douglas”.
Já Clark Gable, ícone de “…E o Vento Levou”, também virou alvo de ironias. Wayne dizia que Gable escolheu a atuação porque “era a única coisa para a qual tinha inteligência suficiente”. Esses comentários reforçam a personalidade direta — e por vezes impiedosa — do astro.
Avaliação póstuma
Aissa Wayne acredita que o pai poderia ter suavizado a opinião com o passar do tempo. Ela escreveu que, se ele tivesse vivido para acompanhar a evolução de Hackman, talvez revisse o julgamento. Contudo, esse encontro de visões nunca ocorreu, já que John Wayne morreu em 1979, aos 72 anos.
Legado de John Wayne e Gene Hackman
John Wayne permanece como símbolo de um faroeste mais tradicional, centrado em heróis retos e códigos de honra. Seus filmes alcançam novas gerações, inclusive os leitores do 365 Filmes, que buscam lembrar ou descobrir clássicos do gênero nas plataformas de streaming.
Gene Hackman, aposentado desde 2004, deixou um legado de personagens complexos em dramas, thrillers e westerns. O contraste entre os dois artistas mostra como o cinema dos Estados Unidos se transformou entre as décadas de 1960 e 1990, abrindo espaço para visões menos idealizadas do Velho Oeste.
Do conflito à história do cinema
Hoje, a discórdia entre Wayne e Hackman é vista como uma curiosidade que exemplifica choques de gerações em Hollywood. Apesar da desaprovação do “Duke”, Hackman conquistou respeito da crítica e do público, enquanto Wayne segue reverenciado pelo trabalho que moldou o imaginário do faroeste clássico.
