A possível fusão entre Netflix e Warner Bros. Discovery acendeu o alerta em Hollywood. Um dos nomes mais influentes do setor, o diretor James Cameron, veio a público para manifestar preocupação com o futuro das salas de cinema.
Em entrevista recente, o cineasta vencedor do Oscar destacou que, caso o acordo avance, a indústria pode sofrer uma nova guinada rumo ao streaming, reduzindo ainda mais o espaço da exibição tradicional. Cameron deixou claro que pretende lutar para que o cinema presencial não seja “atropelado”.
James Cameron questiona futuro das salas de cinema
Conhecido por megassucessos como Avatar e Titanic, Cameron disse ver “algo sagrado” na experiência de assistir a um filme em tela grande. Para ele, nenhuma plataforma digital é capaz de replicar a emoção coletiva de uma sala escura, som de alta potência e projeção de última geração.
O diretor reconheceu que a Netflix já fez concessões, como lançamentos pontuais nos cinemas — citou Frankenstein, de Guillermo del Toro, e Entre Facas e Segredos, de Rian Johnson. Contudo, na visão de Cameron, a estratégia principal do serviço continua sendo substituir por completo a janela teatral.
“Talvez eu seja um dinossauro”, afirmou, lembrando que a conveniência do streaming não cobre todos os aspectos culturais da ida ao cinema. Ainda assim, declarou estar “quadrado” na defesa desse modelo e disposto a se opor a qualquer iniciativa que tente eliminá-lo.
O que muda caso a fusão entre Netflix e Warner Bros. avance
Se o negócio for aprovado, a Netflix passará a ter responsabilidade direta sobre parte do catálogo da Warner Bros. Discovery. Para Cameron, isso tornaria o serviço um “major”, reduzindo pela metade o número de grandes estúdios ativos em comparação com a época em que iniciou a carreira.
Imagem: Axelle Woussen
Em meio às negociações, Ted Sarandos, copresidente da Netflix, recuou de declarações anteriores e disse apoiar estreias no circuito comercial. Nos bastidores, porém, fontes ouvidas pela imprensa apontam que Sarandos preferiria uma janela exclusiva de 17 dias, bem abaixo dos 45 dias desejados pelos exibidores.
Janela de 17 dias gera desconfiança
Para boa parte do setor, a diferença de 28 dias pode fazer toda a diferença na receita de bilheteria. Executivos temem que, com tão pouco tempo, o público espere pelo lançamento online, esvaziando as cadeiras das salas. Cameron acredita que, caso a fusão seja concretizada, a Netflix teria de “ajustar o jogo” para assegurar a sobrevivência do formato que ainda sustenta boa parte de suas superproduções.
O diretor reforçou que a maior parte de sua filmografia foi pensada especificamente para a tela gigante. Ele pontuou que, com menos players tradicionais no mercado, preservar o cinema presencial torna-se ainda mais crucial. “Não dá para simplesmente passar o trator”, disse, reiterando seu compromisso de manter a chama acesa.
No momento, o acordo entre Netflix e Warner Bros. Discovery permanece em análise. Enquanto isso, nomes influentes seguem pressionando por garantias de que o público continuará tendo acesso à experiência cinematográfica completa. O 365 Filmes acompanha de perto cada atualização para manter você informado sobre os próximos capítulos dessa novela industrial.
