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    “How to Make a Killing”: Glen Powell tenta, mas filme de John Patton Ford não decola

    Matheus AmorimPor Matheus Amorimfevereiro 18, 2026Nenhum comentário5 Minutos de leitura
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    O filme How to Make a Killing chega aos cinemas em 20 de fevereiro de 2026 trazendo uma comédia negra que falha em impressionar. Dirigido e escrito por John Patton Ford, o longa tenta atualizar o estilo de sátira social presente em clássicos do cinema, mas acaba entregando uma obra morna e previsível. A atuação de Glen Powell, no papel central, é um dos poucos pontos que fogem do tom apagado do filme.

    Apesar de abordar um tema contemporâneo, que envolve a escalada da desigualdade social e a disputa por heranças milionárias, o filme não traz frescor à narrativa. Powell vivencia Beckett Redfellow como um protagonista sem a complexidade e o vigor necessários para manter o interesse, enquanto o roteiro e a direção deixam a ambição da trama naufragar em clichês e ritmo lento.

    Glen Powell e o desafio de interpretar Beckett Redfellow

    Glen Powell assume o personagem Beckett Redfellow, um herdeiro rejeitado pela própria família que busca retomar o que considera seu por direito. Powell, conhecido por sua presença charmosa e naturalidade diante das câmeras, enfrenta um roteiro que não explora plenamente seu potencial. Beckett, que deveria ser um anti-herói calculista e intrigante, se revela um protagonista desprovido de nuances, o que compromete o peso dramático da trama.

    O confronto do personagem com a alta sociedade nova-iorquina é importante para a história, mas Powell não consegue transmitir a ambição fria e o desequilíbrio mental necessários para compará-lo a outras figuras icônicas do gênero, como Patrick Bateman em American Psycho. A interpretação flutua entre o carisma superficial e esforços para convencer como um anti-herói sombrio, mas resulta em um personagem pouco crível.

    Direção e roteiro: trama previsível e humor escasso

    John Patton Ford assina não só a direção, mas também o roteiro, o que faz o filme repetir uma dinâmica convencional e segura, mas desprovida de energia. O enredo se estrutura basicamente como um grande flashback, em que Beckett, já no corredor da morte, narra sua ascensão e queda para um padre. Essa escolha narrativa elimina quase toda a tensão dramática logo de início, confundindo a expectativa do espectador.

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    Apesar de explorar uma sátira social sobre herança, poder e dinheiro, a produção não consegue inovar nas críticas ao capitalismo ou à elite. Suas mensagens, ainda que pontuais, soam como lugares-comuns já bastante explorados. O humor, uma parte essencial em comédias negras, fracassa em sua execução. As poucas tentativas de comicidade, como a atuação de Zach Woods, que interpreta um personagem inspirado em artistas pop, parecem forçadas e pouco orgânicas.

    Personagens coadjuvantes e relações superficiais

    O roteiro investe uma parte considerável do tempo na relação entre Beckett e Ruth, papel de Jessica Henwick, uma estilista que sonha em ser professora. A construção desse romance, porém, carece de profundidade e verossimilhança. Henwick faz o possível para conferir humanidade a uma personagem muito mal desenhada, cujas motivações e personalidade são pouco exploradas.

    Além disso, a presença de Julia, interpretada por Margaret Qualley, é reduzida e pouco significativa no desenvolvimento da trama. O personagem que deveria motivar a jornada assassina de Beckett surge mais como uma figura distante, com uma atuação desconectada do conjunto. A falta de ritmo e de construção adequada dos laços entre os personagens contribui para que o filme pareça desconexo.

    “How to Make a Killing”: Glen Powell tenta, mas filme de John Patton Ford não decola - Imagem do artigo

    Imagem: Imagem: Divulgação

    Temas e ritmo prejudicam a experiência do espectador

    How to Make a Killing pretende ser uma crítica irônica sobre dinâmicas familiares, herança milionária e as consequências da desigualdade social, porém não consegue alcançar o peso desejado. A narrativa é arrastada e qualquer tentativa de provocar o público por meio do sarcasmo se dissolve diante da previsibilidade.

    Além do ritmo lento, a evolução do protagonista não é convincente, principalmente no que tange sua transformação em assassino. A rapidez com que Beckett se torna perito em envenenamento e outras técnicas letais não é justificada pelo roteiro, deixando a história superficial e repleta de buracos.

    Vale a pena assistir How to Make a Killing?

    O longa de John Patton Ford carece de envolvimento e inovação tanto na direção quanto no roteiro. Apesar da boa intenção de contar uma trama satírica, a narrativa não consegue deslanchar, tornando-se um filme previsível e sem a tensão necessária para conquistar o público. A performance de Glen Powell é o melhor do trabalho, mas infelizmente não suficiente para sustentar o longa.

    Who busca uma comédia negra com mais mordacidade ou um thriller mais envolvente pode acabar frustrado. Por outro lado, fãs do gênero talvez encontrem algum interesse na ambientação e na crítica social tímida que permeia o filme, ainda que sem o frescor e a complexidade de obras referência.

    Para quem está no clima de histórias que tratam das desigualdades e conflitos de famílias ricas, o Soul, da Pixar, oferece uma narrativa mais profunda e envolvente sobre diferentes olhares da vida — ainda que não seja do mesmo estilo que How to Make a Killing. Já para quem gosta de tramas com suspense e humor mais equilibrados, vale conferir outras opções que abordam dinâmicas sociais e heranças, como o filme Operation Fortune: Ruse de Guerre.

    Este conteúdo foi publicado originalmente no 365Filmes. A reprodução total ou parcial é permitida apenas mediante a citação da fonte, com link direto (dofollow) para o artigo original, garantindo a correta atribuição de autoria e a credibilidade da informação.

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    Matheus Amorim
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    Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes (CNPJ: 48.363.896/0001-08). Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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