Guillermo del Toro apresentou sua visão para Frankenstein, e a produção, mesmo antes do lançamento comercial completo, já movimenta debates acalorados. Ao mesmo tempo em que impressiona pela atmosfera gótica característica do diretor, o longa alimenta discussões sobre fidelidade excessiva ao texto original de Mary Shelley.
Enquanto especialistas projetam várias indicações ao Oscar, parte da crítica aponta que a narrativa pouco arrisca além da fonte literária. Entre elogios a Jacob Elordi e ressalvas à falta de sutileza, Frankenstein se torna, ele próprio, tema de um curioso espelho do monstro que retrata.
Adaptação fiel, mas direta demais
A nova versão acompanha Victor Frankenstein, cientista obcecado por superar a morte, que coleta partes de cadáveres para criar uma criatura dotada de vida eterna. Segundo relatos de quem já conferiu sessões antecipadas, Guillermo del Toro mantém a espinha dorsal do romance de 1818 quase intacta, alterando apenas alguns personagens secundários.
Essa escolha agrada fãs da obra original, mas gera a sensação de leitura ilustrada: o enredo segue tão de perto a literatura que, para alguns críticos, falta o elemento de reinvenção típico de del Toro. A ausência de camadas poéticas mais sutis, presentes no livro, também foi notada.
Elogios à parte técnica impulsionam apostas no Oscar
Apesar das ressalvas narrativas, a produção impressiona pelo design de produção, figurinos e maquiagem. Analistas já preveem indicações nas categorias de Melhor Maquiagem e Penteado, Figurino, Fotografia, Efeitos Visuais e Direção de Arte.
O aspecto visual, marca registrada do cineasta mexicano, é destacado como um dos pontos fortes. Ambientes sombrios, laboratórios cheios de fios e parafusos e vilarejos enevoados reforçam o clima gótico que atrai plateias há décadas.
Elenco liderado por Jacob Elordi e Oscar Isaac
Jacob Elordi, escalado para viver a criatura, recebe os maiores elogios. Seu desempenho é descrito como o mais impactante da carreira até agora, equilibrando imponência física e vulnerabilidade emocional. O ator aparece sob diferentes ângulos e iluminações, sempre enfatizando a dualidade entre monstruosidade e empatia.
Oscar Isaac interpreta Victor Frankenstein. Comentários iniciais elogiam seu retrato de um homem dividido entre genialidade e obsessão, ainda que o roteiro sublinhe demais suas falhas morais. No elenco, também estão Mia Goth, Christoph Waltz, Felix Kammerer, David Bradley e Lars Mikkelsen.
Comparações inevitáveis com o romance de Mary Shelley
No livro, a tragédia reside no contraste entre a conquista científica e a incapacidade de lidar com as consequências. O filme aborda o mesmo dilema, porém, segundo críticas, explicita demais a mensagem ao afirmar em diálogos que “o verdadeiro monstro é Victor”.
Imagem: Imagem: Divulgação
Essa exposição clara, quase didática, faz alguns avaliadores considerarem a experiência menos envolvente, pois o público não tem espaço para formar interpretações próprias. Ainda assim, a essência trágica permanece e garante familiaridade para quem conhece a obra literária.
Pontos que geram controvérsia
Entre os principais questionamentos está o ritmo. Com 149 minutos de duração, Frankenstein percorre longos trechos até chegar ao clímax emocional, o que pode deixar parte da audiência inquieta. Há também quem aponte falta de equilíbrio: a criatura desperta compaixão constante, enquanto sua natureza destrutiva não ganha tanto foco.
Outro aspecto citado é a sensação de remake desnecessário. Para críticos, o projeto prova mais o domínio estético de del Toro do que traz novidades ao mito já adaptado inúmeras vezes. Esse paralelo fez surgir a ideia de que o próprio filme se assemelha ao monstro — uma criação tecnicamente avançada, porém composta de partes já conhecidas.
Detalhes de produção e estreia
Frankenstein tem estreia comercial prevista para 17 de outubro de 2025. O roteiro leva a assinatura de Guillermo del Toro em parceria com o texto original de Mary Shelley. Na produção, estão J. Miles Dale, o próprio del Toro e Scott Stuber.
Classificado como drama, horror e ficção científica, o longa recebeu censura indicativa “R” nos Estados Unidos. O lançamento deverá reforçar o catálogo de obras góticas do cineasta mexicano, que já conquistou o Oscar com A Forma da Água.
Com expectativas elevadas e debates intensos, Frankenstein chega para colocar novamente em pauta os limites entre humanidade e monstruosidade — e, claro, para testar se a união entre técnica impecável e história clássica basta para conquistar plateias modernas. O site 365 Filmes acompanhará de perto a recepção do público assim que a produção chegar às salas de cinema.
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