Lançada em 22 de janeiro de 2026, Finding Her Edge chegou ao catálogo da Netflix com a promessa de unir romance adolescente e patinação no gelo em doses iguais. Baseada no livro de Jennifer Iacopelli, a produção acompanha a jovem Adriana Russo, patinadora ambiciosa que tenta se reencontrar após a perda da parceira de dança e da própria mãe.
Ao longo de oito episódios, o roteiro tenta equilibrar a rotina de treinos intensos, a pressão familiar e um triângulo amoroso que envolve dois rapazes bem diferentes. O resultado, embora competente no drama esportivo, tropeça justamente onde vende mais expectativa: o coração da protagonista.
Elenco juvenil mostra competência, mas química é irregular
A intérprete de Adriana, Madelyn Keys, segura o protagonismo com carisma e expressividade. Ela transita bem entre a disciplina imposta pelo esporte e a vulnerabilidade de uma adolescente em luto, criando uma personagem que convence sem esforço. Suas cenas de treinamento exibem boa preparação física e um timing dramático que evita excessos.
Cale Ambrozic, o “bad boy” Brayden Elliot, oferece a contraparte necessária: ele surge indisciplinado, mas revela camadas à medida que a parceria no gelo avança. A química visual entre os dois é clara em cada coreografia, o que sustenta parte da tensão romântica quando o texto deixa a desejar.
Já Olly Atkins, encarregado de dar vida a Freddie, antigo parceiro e paixão de infância de Adriana, sofre com a falta de material. O personagem demora a ganhar tempo de tela, e sua relação com a protagonista é contada mais do que mostrada. Quando enfim acontece o confronto emocional, o espectador sente falta de contexto para se importar verdadeiramente.
Mesmo assim, Ambrozic e Atkins surpreendem em cenas compartilhadas. Ao invés de rivalidade vazia, os dois trocam conselhos de bastidor e formam uma camaradagem que foge do clichê “machos em guerra”, trazendo um respiro bem-vindo à narrativa.
Drama familiar entrega densidade e bons conflitos internos
Se o triângulo amoroso representa o ponto fraco, o drama dentro da casa dos Russo sustenta a série. Alexandra Beaton, como Elise, a irmã mais velha, captura com naturalidade os efeitos de uma queda traumática no gelo e o medo paralisante de retornar às competições. A atriz transmite frustração e ciúme sem perder a empatia do público, tornando Elise a personagem mais complexa do roteiro.
A caçula Maria, interpretada por Alice Malakhov, injeta leveza e energia. A jovem se ressente da herança olímpica da família, mas seu grande momento sobre a pista é vibrante e enche a tela de vitalidade. A dinâmica entre as três irmãs, marcada por carinho, cobranças e mágoas mal resolvidas, rende as cenas mais autênticas de Finding Her Edge.
Vale destacar a representação do luto coletivo: ainda abalados pela morte da matriarca, os Russo tentam manter a fachada de potência esportiva enquanto lidam com dívidas e expectativas não cumpridas. Esse pano de fundo aprofunda os personagens e dá contexto aos erros que cada um comete.
Imagem: Netflix
Roteiro acerta nos bastidores do esporte, mas tropeça no romance
Jennifer Iacopelli, responsável pelo texto original e pela adaptação, demonstra familiaridade com o universo competitivo. A série explora treinos, estratégias de marketing e pressão de patrocínio, elementos que raramente recebem tanto destaque em romances juvenis. O recurso do “falso namoro” entre Adriana e Brayden para conquistar uma marca é um bom exemplo do choque entre imagem pública e intimidade.
Contudo, a mesma atenção aos detalhes esportivos não se repete na construção sentimental. Freddie surge tarde demais para criar disputa crível, e a guinada de emoções de Adriana parece acontecer porque o roteiro precisa, não porque o arco a conduz naturalmente. Consequência disso, o clímax amoroso soa pouco merecido.
Além disso, diálogos expositivos e reviravoltas previsíveis lembram o espectador de que Finding Her Edge não mira o prestígio, mas o entretenimento rápido. Falas repletas de jargões motivacionais e confissões súbitas tiram parte da densidade alcançada em outras frentes.
Direção e estética mantêm os pés no chão
Sem recorrer a filtros exagerados ou trilhas onipresentes, a direção opta por um visual sóbrio. As sequências sobre o gelo são filmadas com câmera firme e cortes que valorizam passos e levantamentos, evitando a montagem frenética que costuma mascarar dublês. Esse cuidado reforça a sensação de realismo e ajuda o público a comprar a ideia de que aqueles jovens treinam duro diariamente.
Nos bastidores, a paleta de cores frias destaca a sensação de isolamento que ronda Adriana: a grande casa de treinos dos Russo nunca parece acolhedora, refletindo as rachaduras emocionais da família. É um aceno delicado, mas efetivo.
Outro ponto positivo é a duração enxuta de cada episódio, em torno de 40 minutos. O ritmo ágil impede a dispersão, ainda que a simplicidade de algumas soluções faça falta a camadas dramáticas mais robustas.
Finding Her Edge: vale a pena assistir?
Para quem procura um olhar realista sobre a vida de jovens atletas, Finding Her Edge oferece personagens com conflitos palpáveis e boas cenas de patinação. Se o seu foco for um romance épico, a série talvez deixe a sensação de pista mal encerada. Em todo caso, como destacou o 365 Filmes, o drama familiar e o crescimento individual dos protagonistas justificam dar uma chance à produção da Netflix.
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