A década de 1990 deu origem a uma leva de produções que, mesmo tidas como arriscadas, moldaram o cinema moderno. Muitos desses títulos, porém, foram recebidos de maneira fria ou até hostil pela crítica especializada na época de lançamento.
Com o passar dos anos, o público abraçou essas obras, transformando-as em cults indispensáveis. Confira a seguir dez filmes clássicos dos anos 90 que, apesar das críticas ruins iniciais, conquistaram lugar definitivo na cultura pop.
Críticas que não envelheceram bem
A relação entre crítica e audiência nunca foi tranquila, mas nos anos 90 o choque de opiniões ficou ainda mais evidente. A explosão do vídeo doméstico e o crescimento do cinema independente deram poder de escolha ao público, diminuindo o peso dos críticos como “guardiões do bom gosto”.
Nesse cenário, várias produções receberam avaliações negativas, apenas para, anos depois, serem reconhecidas como essenciais. A lista abaixo mostra como a percepção sobre esses filmes clássicos dos anos 90 mudou completamente.
Death Becomes Her (1992)
A comédia de humor negro dirigida por Robert Zemeckis arrecadou bem nas bilheterias, mas chegou aos cinemas com resenhas mornas. O enredo, centrado em duas rivais que tomam uma poção de vida eterna, rendeu apenas 58% no Rotten Tomatoes. Hoje, os efeitos visuais pioneiros e as atuações de Meryl Streep e Goldie Hawn são celebrados, sobretudo pela comunidade LGBTQIA+.
Mars Attacks! (1996)
Tim Burton parodiou os filmes B dos anos 50 com marcianos caricatos e humor ácido. Na época, muitos críticos não entenderam a proposta e o longa foi visto como bagunçado. O tempo provou o oposto: a sátira ao blockbuster noventista ganhou status cult e exibe um elenco estelar se divertindo com o próprio absurdo.
What Dreams May Come (1998)
Robin Williams surpreendeu ao trocar a comédia por um drama metafísico sobre vida após a morte. A crítica achou a trama confusa, mas a fotografia e os cenários surrealistas tornaram-se referência visual. Hoje, o filme é lembrado como uma das representações mais originais do além.
Fear and Loathing in Las Vegas (1998)
Terry Gilliam adaptou Hunter S. Thompson de forma tão psicodélica que deixou muitos comentaristas perdidos. A viagem alucinógena de Johnny Depp dividiu opiniões, mas encontrou eco no público que buscava algo fora do padrão. Resultado: transformou-se em ícone da contracultura noventista.
To Wong Foo, Thanks for Everything! Julie Newmar (1995)
Três drag queens cruzando os Estados Unidos causaram estranhamento na crítica, que deu 49% de aprovação ao longa. Ainda assim, o roteiro espirituoso e a mensagem inclusiva abriram caminho para outras narrativas queer em Hollywood.
Hocus Pocus (1993)
Lançado no Halloween de 1993, o filme das três bruxas interpretadas por Bette Midler, Sarah Jessica Parker e Kathy Najimy perdeu dinheiro nos cinemas e foi massacrado por parte da imprensa. Em casa, porém, virou ritual anual de outubro, a ponto de inspirar sequência quase três décadas depois.
Imagem: Imagem: Divulgação
Last Action Hero (1993)
No auge da fama, Arnold Schwarzenegger entregou um metafilme que debocha dos clichês de ação. A ousadia confundiu o público pagante e resultou em críticas frias. Passado o susto, Last Action Hero é visto como sátira afiada e divertida, um verdadeiro tesouro escondido entre os filmes clássicos dos anos 90.
Newsies (1992)
A Disney investiu em um musical sobre a greve dos jornaleiros de 1899, mas críticos da época acharam tudo datado. Apesar do fracasso inicial, as canções grudentas e a coreografia empolgante conquistaram fãs em VHS e depois no streaming, gerando um premiado musical da Broadway em 2011.
Days of Thunder (1990)
Tom Cruise levou a velocidade da NASCAR ao cinema sob direção de Tony Scott. Avaliações apontaram falta de originalidade, mas a adrenalina das corridas e a pesquisa minuciosa encantaram o público. Hoje, é referência para filmes esportivos que buscam unir drama e ação.
The Bone Collector (1999)
Com 30% no Rotten Tomatoes, o suspense estrelado por Denzel Washington e Angelina Jolie foi rotulado como derivativo de O Silêncio dos Inocentes. Mesmo assim, a química da dupla e as reviravoltas eficazes garantiram lugar entre os thrillers lembrados da década.
Por que a visão mudou?
A maioria desses filmes clássicos dos anos 90 sofreu com expectativas desalinhadas. Alguns eram ousados demais para a época; outros foram mal compreendidos por se anteciparem a tendências que só viriam depois.
Graças ao vídeo, à TV a cabo e, mais tarde, ao streaming, o público reassistiu, debateu e reavaliou essas produções longe da pressão do lançamento. Dessa forma, títulos antes ignorados ganharam nova vida, prova de que o tempo pode ser o melhor crítico.
No fim, esses dez exemplos mostram a importância de rever obras sob outra perspectiva. E, convenhamos, não custa nada dar play novamente e tirar suas próprias conclusões — o 365 Filmes já está preparando a pipoca.
