O veterano James L. Brooks, conhecido por co-criar Os Simpsons, viu seu retorno aos cinemas naufragar logo no primeiro fim de semana. O drama cômico Ella McCay, estrelado por Emma Mackey, não atraiu o público e registrou números bem abaixo do esperado.
Lançado em 12 de dezembro, o longa arrecadou apenas US$ 850 mil na sexta-feira de estreia e deve fechar o período com modestos US$ 2,2 milhões em 2.500 salas. É a pior abertura de um filme de grande circuito na filmografia do diretor, cuja aposta custou aproximadamente US$ 35 milhões.
Estreia fraca de Ella McCay retrata decadência nas bilheterias
Com essas cifras, Ella McCay enfrenta um cenário quase impossível para recuperar o investimento. A regra informal de Hollywood aponta que um título precisa faturar cerca de 2,5 vezes o orçamento para começar a dar lucro. No caso, o ponto de equilíbrio ficaria próximo de US$ 87 milhões, valor distante da realidade atual do filme.
Além do orçamento de produção, campanhas de marketing e distribuição encarecem ainda mais a operação, elevando as perdas potenciais. Produzido por Julie Ansell e Richard Sakai, o projeto ambicionava revitalizar a carreira de Brooks após o desempenho mediano de Como Você Sabe (2010), mas tropeçou logo nos primeiros passos.
Projeções financeiras preocupantes
Analistas consultados por distribuidoras estimam que, mesmo com eventuais ganhos futuros em plataformas digitais, Ella McCay dificilmente compensará o investimento feito. O gênero híbrido de comédia e drama, que já encontra resistência nas salas, perdeu ainda mais espaço com a tendência de o público assistir a esse tipo de história em casa, onde a concorrência com o streaming é intensa.
Outro ponto citado é a pouca força comercial de Emma Mackey. Apesar do sucesso na série Sex Education, seu nome ainda não se traduz em apelo de massa nos cinemas. O elenco inclui figuras consagradas como Woody Harrelson, Jamie Lee Curtis, Rebecca Hall, Ayo Edebiri, Kumail Nanjiani e Jack Lowden, mas nem mesmo essa reunião estelar foi suficiente para mobilizar espectadores.
Recepção negativa agrava cenário para James L. Brooks
Se o caixa já preocupa, a crítica também não colaborou. Ella McCay amarga 23% de aprovação no Rotten Tomatoes, a pior nota de Brooks na plataforma. Entre 87 análises, a maioria aponta problemas de roteiro, ritmo irregular e falta de autenticidade — qualidades que costumavam marcar os clássicos do diretor.
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No texto publicado pelo crítico Todd Gilchrist, do site ScreenRant, o longa recebe apenas 3 de 10 pontos. Ele classifica a obra como “caótica” e “dissimulada”, afirmando que Brooks despeja ideias sem coesão, deixando o elenco “ocupado demais dizendo sim” para questionar o sentido das cenas. A avaliação modesta reflete-se também no CinemaScore, medido junto ao público nos EUA: a nota B- indica boca a boca limitado.
Brooks, hoje com 85 anos, construiu carreira respeitada com Laços de Ternura (1983) e Nos Bastidores da Notícia (1987), mas vem enfrentando dificuldade para dialogar com o público contemporâneo. Spanglish (2004) e Como Você Sabe já sinalizavam essa desconexão, e agora Ella McCay confirma a tendência negativa.
Ambientada em 2008, a trama acompanha Ella McCay — recém-promovida a governadora — tentando equilibrar vida profissional e familiar. Apesar de abordar temas de representatividade feminina e desafios políticos, o enredo não despertou identificação suficiente para levar espectadores às salas.
No portal 365 Filmes, leitores que acompanharam a estreia comentam que prefeririam assistir à produção em algum serviço de streaming, ilustrando como a experiência “cinema” precisa oferecer algo realmente imperdível para atrair público hoje em dia. Nesse contexto, títulos de drama cômico sofrem concorrência pesada com catálogos cada vez mais robustos das plataformas digitais.
Com bilheteria tímida, críticas negativas e pouca expectativa de recuperação, Ella McCay tende a encerrar a trajetória nas telonas como o maior fracasso comercial de James L. Brooks. Resta saber se o cineasta ainda buscará outro projeto para reverter o placar ou se esse será, de fato, o capítulo final de sua filmografia.
