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DTF St. Louis: crítica do final revela solução do mistério e aposta em drama humano

Episódio encerra temporada com resposta direta, mas prioriza relações e ambiguidades dos personagens

Por Matheus Amorim4 Minutos de leitura
Floyd em cena de DTF St. Louis
Imagem: Divulgação

O episódio final de DTF St. Louis, disponível na HBO Max, encerra a primeira temporada com a missão de responder à pergunta que sustentou toda a narrativa: quem matou Floyd Smernitch?

Criada por Steve Conrad, a série opta por uma resolução que, embora objetiva em termos de trama, reforça desde o início sua verdadeira proposta — explorar as contradições humanas por trás do mistério. Confira o trailer da série que dominou a HBO nas últimas semanas:

Investigação reorganiza peças no episódio final

O capítulo retoma o interrogatório de Clark Forrest, interpretado por Jason Bateman, conduzido pelos detetives Jodie Plumb e Donoghue Homer. A partir de novos depoimentos, a investigação passa a reordenar os acontecimentos da noite da morte de Floyd.

Elementos introduzidos anteriormente, como o perfil “Tiger Tiger” e as conexões de Floyd no universo do aplicativo de encontros, ganham função prática na reconstrução da cronologia. Esses detalhes ajudam a esclarecer os deslocamentos dos personagens e delimitam melhor o campo de suspeitos.

Um dos pontos decisivos é a confirmação de que Carol, vivida por Linda Cardellini, estava em casa no momento do ocorrido. A informação retira a personagem do centro da investigação e altera o direcionamento do caso.

Com Carol fora do foco, as suspeitas recaem novamente sobre Clark. No entanto, o episódio amplia o escopo ao colocar Richard, enteado de Floyd, no centro do conflito.

Ao longo da temporada, o personagem já havia demonstrado comportamento instável, e o capítulo final aprofunda essa construção. Ao descobrir aspectos desconhecidos da vida do padrasto, Richard reage de forma impulsiva.

Um flashback mostra o momento em que ele vai até a piscina para confrontar Floyd, utilizando a bicicleta que havia sido citada durante a investigação. A cena adiciona tensão e reforça a possibilidade de um desfecho violento, alimentando a expectativa de que ele poderia ser o responsável pelo crime.

A principal reviravolta de DTF St. Louis está na revelação de que Floyd, interpretado por David Harbour, não foi assassinado.

Na reconstrução final dos acontecimentos, o personagem aparece emocionalmente abalado após o confronto com Richard. Em seguida, consome uma bebida que continha anfetaminas — substância já mencionada anteriormente na narrativa.

A combinação do uso da droga com sua condição de saúde leva à sua morte, caracterizando o desfecho como consequência de suas próprias ações, e não de um homicídio planejado.

Série prioriza relações em vez de solução do crime

A escolha de eliminar a figura de um assassino desloca o foco da narrativa. Em vez de encerrar a história com a revelação de um culpado, a série enfatiza o impacto emocional das relações entre os personagens.

Ao longo do episódio, fica evidente que o verdadeiro conflito não está no crime em si, mas nas tensões familiares, nos segredos e nas decisões individuais que levaram ao desfecho trágico.

Essa abordagem reforça a proposta apresentada desde os primeiros episódios: o mistério funciona como ponto de partida, mas não como objetivo final da trama.

A resolução adotada por DTF St. Louis tende a dividir opiniões. Por um lado, a ausência de um assassino pode frustrar expectativas de quem acompanhava a série como um thriller tradicional.

Por outro, a escolha se mostra coerente com o desenvolvimento da narrativa, que sempre priorizou nuances emocionais e ambiguidade moral em detrimento de soluções simplistas.

Cena de DTF St. Louis
Imagem: Divulgação

Veredito: final aposta no humano, mas sacrifica impacto do mistério

O episódio final de DTF St. Louis encerra sua primeira temporada de forma consistente com sua proposta, ainda que arriscada. Ao revelar que Floyd não foi assassinado, a série subverte a lógica clássica do gênero policial e reforça seu interesse pelas falhas e contradições humanas.

O veredito chega a partir desse equilíbrio: a produção acerta ao manter coerência temática e desenvolver seus personagens com profundidade, mas perde parte do impacto ao diluir o suspense construído ao longo da temporada. Ainda assim, o resultado é sólido dentro da proposta dramática. Nota: 7,5/10

Matheus Amorim

Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes. Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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