Enquanto a temporada de prêmios acelera com as recentes vitórias no Gotham Awards e a expectativa pelos indicados ao Globo de Ouro, alguns títulos simplesmente não recebem o holofote que merecem. O drama Sorry, Baby, da A24, é um desses casos que chamam atenção pela ausência de buzz.
Lançado nos cinemas em junho de 2025 e atualmente em alta no catálogo da HBO Max, o longa de 103 minutos ostenta notáveis 97% de aprovação no Rotten Tomatoes. Mesmo assim, o filme pouco aparece nas projeções do Oscar 2026, surpreendendo críticos, fãs e o time do site 365 Filmes.
Um drama aclamado de 97% no Rotten Tomatoes
Desde a estreia, o filme Sorry, Baby coleciona críticas extremamente positivas. Especialistas elogiam o tom intimista, a abordagem empática sobre trauma e a mistura equilibrada entre drama e toques de humor desconfortável. Esse pacote rendeu lugar garantido nas listas de “melhores do ano” e indicações ao Independent Spirit Awards nas categorias Melhor Filme, Direção e Roteiro.
Apesar do respaldo, a produção ainda não encontrou espaço firme na conversa sobre o Oscar. A safra de lançamentos no segundo semestre costuma pesar mais no voto dos membros da Academia, e títulos menores acabam eclipsados pelos blockbusters de campanha robusta.
Enredo de Sorry, Baby
No centro da narrativa está Agnes, interpretada pela própria roteirista e agora diretora Eva Victor. A personagem vive em New England, na mesma casa onde dividiu os anos de pós-graduação com a melhor amiga, que se mudou para Nova York. Agnes trabalha na universidade de onde se formou e aguarda a oferta de um cargo permanente.
O roteiro se desenrola em fragmentos, alternando presente e passado para revelar a tentativa de estupro que Agnes sofreu de um professor. Entre crises de força e fragilidade, ela tenta remontar a própria vida. Silêncios prolongados, closes que capturam cada respiração e uma fotografia suave reforçam o mergulho emocional desse processo de cura, que Victor faz questão de mostrar como algo não linear e, por vezes, exaustivo.
Humor como ferramenta de respiro
Curiosamente, o filme Sorry, Baby incorpora momentos de humor estranho para refletir a maneira torta como a protagonista avança. A estratégia mantém o espectador próximo, mas sem minimizar o peso do tema. Essa sensibilidade é frequentemente citada pelos críticos como sinal da maturidade de Victor em sua estreia na direção.
Direção de Eva Victor pode marcar história no Oscar
Os números deixam claro um hiato histórico: apenas dez mulheres já concorreram ao Oscar de Melhor Direção, e nenhuma pessoa não binária foi indicada. Se Eva Victor quebrar essa barreira, será um marco inédito para a categoria. Além disso, a direção meticulosa do longa exibe virtudes que a Academia costuma valorizar, como construção visual coesa e atuação guiada com delicadeza.
Por ora, a indicação permanece incerta. A competição inclui produções mais comerciais e campanhas milionárias, o que pode ofuscar o desempenho artístico de Sorry, Baby. Ainda assim, o filme reúne elementos para surpreender votantes em fases posteriores, caso ganhe tração nas premiações de sindicatos e associações de críticos.
Recepção da crítica e do público
O entusiasmo crítico contrasta com o desempenho modesto nas bilheterias. Segundo dados do mercado, o longa teve arrecadação discreta, mas conquistou uma audiência fiel no streaming. Desde que chegou ao HBO Max, tornou-se um dos dez títulos mais assistidos na plataforma por três semanas consecutivas, sinalizando que o boca a boca digital funciona a seu favor.
Imagem: Imagem: Divulgação
Na base de usuários, comentários ressaltam a sensibilidade do roteiro, a interpretação vulnerável de Victor e a química com nomes como Naomi Ackie e Lucas Hedges. Esse movimento espontâneo de fãs pode auxiliar a campanha de prêmios, já que provas de engajamento costumam ser exploradas em materiais enviados aos votantes.
Indicadores que mantêm vivo o sonho do Oscar
- 97% de aprovação no Rotten Tomatoes.
- Indicações ao Spirit Awards em três categorias principais.
- Crescente popularidade no HBO Max.
- Selo A24, sinônimo de qualidade na recente história do Oscar.
A força da A24 na temporada de prêmios
Nos últimos anos, a A24 moldou uma reputação de “pequeno estúdio gigante” em Hollywood, responsável por vencedores como Moonlight, Everything Everywhere All at Once e Hereditary, entre outros sucessos críticos. Para 2026, as atenções da distribuidora devem se concentrar em Marty Supreme e The Smashing Machine, concorrentes com orçamentos maiores e elencos estrelados.
Mesmo assim, o estúdio costuma apostar em mais de um cavalo. Produções de apelo de nicho, como Sorry, Baby e If I Had Legs, I’d Kick You, reforçam a marca ousada da empresa e mantêm viva a tradição de surpreender a Academia. Não seria a primeira vez que um título menos comercial da A24 furaria a bolha graças à combinação de críticas unânimes e campanha estratégica.
Possíveis próximos passos
A temporada ainda trará as listas de indicados dos sindicatos de roteiristas, diretores e atores. Caso Sorry, Baby apareça nesses line-ups, as chances de avançar na corrida aumentam consideravelmente. Além disso, a repercussão no Globo de Ouro poderá servir de termômetro.
Elenco e ficha técnica
O projeto conta com elenco numeroso:
Eva Victor, Naomi Ackie, Louis Cancelmi, Kelly McCormack, Lucas Hedges, John Carroll Lynch, Hettienne Park, E. R. Fightmaster, Cody Reiss, Jordan Mendoza, Anabel Graetz, Jonathan Myles, Marc Carver, Liz Bishop, Francesca D’Uva, Alison Wachtler, David J. Curtis, Kate Fitzgerald, Jesse Gabbard, Lucien Spelman, Celeste Oliva, Chhoyang Cheshatsang, Conor Sweeney, Tierre Diaz e Jim Powers.
Classificação indicativa: 18 anos
Gêneros: Drama e Comédia
Duração: 103 minutos
Direção e roteiro: Eva Victor
Distribuição: A24
Com tantos elogios e um índice quase perfeito no Rotten Tomatoes, o filme Sorry, Baby pode, sim, transformar a atual ausência de buzz em uma surpresa de última hora na temporada do Oscar 2026. Por enquanto, resta acompanhar a evolução das campanhas e torcer para que o longa conquiste o espaço equivalente ao impacto que já exerce entre crítica e público.
