“Happy Holidays” chega aos cinemas em 3 de julho de 2025 prometendo mexer com quem aprecia histórias familiares cheias de camadas sociais. O novo longa do diretor palestino Scandar Copti, mesmo nome por trás de “Ajami”, mergulha no dia a dia de um clã cristão árabe em Haifa, mostrando amores proibidos, tradições conservadoras e tensões políticas.
No filme, quatro personagens cruzam seus destinos em capítulos que lembram a estrutura de “Pulp Fiction”. Gravado com câmera na mão pelo fotógrafo Tim Kuhn e apoiado em diálogos improvisados, “Happy Holidays” aposta em atuações de não profissionais para dar realismo a temas como aborto, militarização e conflito identitário.
Enredo de “Happy Holidays” revela dilemas que atravessam gerações
O roteiro acompanha Rami, palestino interpretado por Toufic Danial, apaixonado pela judia Shirley (Shani Dahari). A relação entra em colapso quando ela descobre a gravidez e decide criar o bebê sozinha, decisão que desencadeia crises pessoais e familiares.
No mesmo núcleo, Hanan (Wafaa Anoun) luta para preservar a reputação da casa. Mãe de Rami, ela vê a filha Fifi (Manar Shehab) contestar padrões ao trabalhar em uma escola judaica e viver uma paixão secreta pelo médico Walid (Raed Burbara). Enquanto isso, o pai, Fouad (Imad Hourani), encara iminente falência após fraude de seguro.
Relações afetivas e tensões religiosas
O filme destaca o contraste entre o amor inter-religioso de Rami e Shirley e a pressão cultural que cerca a família. A escolha dela de levar a gravidez adiante acirra debates sobre aborto e direitos reprodutivos sob leis médicas consideradas antiquadas no país.
Peso político no cotidiano
Copti ilustra ainda o impacto do militarismo israelense. Shirley enfrenta discriminação racial, enquanto a enfermeira Miri (Merav Mamorsky) recusa ajuda médica e cobra da própria filha, Ori (Neomi Memorsky), um posicionamento sobre o serviço obrigatório no exército.
Estrutura fragmentada impulsiona ritmo, mas cobra seu preço
Dividido em capítulos interligados, “Happy Holidays” utiliza múltiplos pontos de vista para mostrar como pequenas ações reverberam na vida coletiva. A opção garante proximidade emocional, porém provoca certa repetição e alonga o tempo de tela, que soma 123 minutos.
Críticos destacam que a montagem poderia ser mais enxuta. Mesmo assim, o caráter quase documental gerado pelas câmeras próximas aos rostos dos atores cria sensação de presença, fazendo o público vivenciar as aflições de cada personagem.
Atuações garantem verossimilhança
A aposta em não profissionais repete a fórmula bem-sucedida de “Ajami”. Wafaa Anoun surge como força da natureza no papel de Hanan, enquanto Shani Dahari transmite vulnerabilidade ao encarar a maternidade sem apoio. Essa entrega contribui para minimizar falhas de ritmo.
Imagem: Imagem: Divulgação
Temas sociais se sobrepõem
Além do conflito entre palestinos e israelenses, o longa aborda capitalismo, racismo, pressões religiosas e a apropriação de feriados, especialmente Purim. O título “Happy Holidays”, em tom irônico, alude a como celebrações podem reforçar narrativas nacionalistas, segundo a leitura do próprio filme.
Detalhes de produção reforçam identidade de “Happy Holidays”
Produzido por Jean Bréhat e Dorothe Beinemeier, o drama tem classificação de 7/10 em avaliações preliminares. A equipe técnica manteve o estilo cru que consagrou Copti, apoiando-se em iluminação natural e locações reais de Haifa.
O diretor reafirma o interesse em explorar o paradoxo de ser cristão árabe em território judaico nacionalista. Tal abordagem confere singularidade ao projeto e deve atrair fãs de cinema socialmente engajado, inclusive leitores do 365 Filmes.
Linguagem que dialoga com novelas e doramas
A dinâmica familiar, os segredos expostos e os amores improváveis lembram tramas de novelas e doramas, o que pode ampliar o alcance do filme entre espectadores habituados a dramas seriados de longa duração.
Perspectiva de recepção
A relevância dos temas e a força dos personagens devem gerar discussões sobre identidade e pertencimento. Apesar das fragilidades de ritmo, “Happy Holidays” cumpre a missão de colocar o espectador dentro de um ambiente repleto de contradições.
Ficha técnica resumida
Título original: Happy Holidays
Direção: Scandar Copti
Duração: 123 minutos
Gênero: Drama
Data de lançamento: 3 de julho de 2025
Elenco principal: Toufic Danial, Shani Dahari, Wafaa Anoun, Manar Shehab, Imad Hourani, Raed Burbara
Produção: Jean Bréhat, Dorothe Beinemeier
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