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Devoradores de Estrelas: O novo ‘Perdido em Marte’ com Ryan Gosling que humilha o pessimismo das ficções atuais

Novo filme aposta em ciência real, humor e um segredo em Tau Ceti que muda tudo.

Por Matheus Amorim4 Minutos de leitura
Ryan Gosling lidera uma missão impossível em Devoradores de Estrelas
Imagem: Divulgação

Esqueça o desespero de boa parte da ficção científica recente. O autor de Perdido em Marte está de volta, e Devoradores de Estrelas chega aos cinemas com uma proposta rara: transformar o fim do mundo em um problema que pode ser resolvido com lógica, ciência e uma dose inesperada de humor.

Baseado no best-seller de Andy Weir e estrelado por Ryan Gosling, o filme acompanha Ryland Grace, um professor de ciências que acorda sozinho em uma nave espacial sem memória, cercado por equipamentos que ele não lembra como usar e com uma missão que só se revela aos poucos.

A diferença aqui está no caminho: em vez de apostar no colapso emocional, a narrativa constrói tensão a partir da inteligência. É o mesmo DNA que fez Perdido em Marte funcionar, mas agora ampliado para uma escala muito maior, envolvendo não apenas sobrevivência, mas o destino de toda a vida na Terra. Confira no trailer:

Devoradores de Estrelas apresenta o “efeito MacGyver” no espaço: quando pensar vira a única saída

Ao descobrir que o Sol está sendo afetado por um fenômeno desconhecido, Ryland Grace precisa investigar por que a estrela Tau Ceti não apresenta o mesmo problema. A missão, que inicialmente parece impossível, se transforma em uma sequência de desafios onde cada solução depende exclusivamente da capacidade de raciocínio do protagonista.

É nesse ponto que o filme encontra sua identidade. Em vez de recorrer a tecnologia milagrosa ou soluções convenientes, Devoradores de Estrelas constrói sua narrativa em cima de tentativa e erro, hipóteses e experimentos improvisados, criando uma experiência que exige atenção e recompensa o espectador que acompanha cada passo.

O roteiro de Drew Goddard entende que a ciência aqui não é cenário, mas motor da história. Cada descoberta avança a trama, cada erro gera consequência, e cada solução carrega um peso real, o que mantém a tensão constante mesmo sem depender de ação tradicional.

Ryan Gosling sustenta esse conceito com uma atuação que equilibra humor, frustração e curiosidade, evitando que o isolamento transforme o filme em algo repetitivo. Ele não interpreta um herói clássico, mas alguém tentando entender o que está acontecendo enquanto resolve problemas maiores do que ele mesmo.

Além da solidão: o segredo de Tau Ceti que muda tudo

Se a primeira metade do filme se apoia na ideia do “astronauta sozinho contra o universo”, a história ganha uma virada que muda completamente o tom da narrativa. Sem entrar em spoilers diretos, a missão deixa de ser apenas sobre sobrevivência e passa a explorar algo mais amplo: comunicação, cooperação e a capacidade de entender o desconhecido.

É nesse momento que o filme se diferencia de vez de outras produções do gênero. O que poderia ser apenas mais uma jornada solitária se transforma em algo mais inesperado, trazendo um elemento que mistura estranhamento, carisma e até leveza em meio à ameaça global.

Essa escolha pode surpreender quem espera uma ficção científica mais tradicional, mas também é o que dá identidade ao longa. O mistério envolvendo Tau Ceti não serve apenas como objetivo da missão, mas como ponto de virada emocional e narrativo.

Ao mesmo tempo, essa mudança exige do público uma certa abertura. O filme deixa claro que não está interessado apenas em tensão ou espetáculo, mas em explorar ideias, relações e possibilidades dentro de um cenário científico.

Visual imersivo e escala controlada: espetáculo sem exagero

Visualmente, Devoradores de Estrelas constrói um ambiente espacial convincente, equilibrando grandiosidade e isolamento. A direção de arte e os efeitos visuais reforçam a sensação de distância e vulnerabilidade, sem transformar o filme em um desfile de cenas grandiosas desconectadas da narrativa.

A trilha sonora acompanha esse equilíbrio, alternando entre momentos mais contemplativos e trechos que reforçam a tensão das descobertas. Tudo funciona em conjunto para manter o foco na jornada do protagonista, sem desviar para o espetáculo vazio.

Esse controle de escala é um dos maiores acertos do filme. Mesmo lidando com o destino da humanidade, a história nunca perde o foco no indivíduo e nas decisões que ele precisa tomar, o que mantém o envolvimento do espectador do início ao fim.

Ryan Gosling lidera uma missão impossível em Devoradores de Estrelas
Imagem: Divulgação

Veredito: ficção científica que aposta na inteligência — e acerta

Devoradores de Estrelas entrega uma experiência rara dentro do gênero ao trocar o desespero pela curiosidade e a destruição pela cooperação. É um filme que confia na ciência como ferramenta narrativa e no espectador como alguém capaz de acompanhar essa jornada.

A mistura de raciocínio, emoção e um elemento inesperado no meio da missão cria uma experiência envolvente, que se destaca justamente por não seguir o caminho mais óbvio.

Nota: 8,5/10 — Vale o play (ou o ingresso) pela proposta inteligente, pela execução sólida e por oferecer algo diferente dentro da ficção científica atual.

Matheus Amorim

Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes. Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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